Iate Clube Veleiros da Ilha para Sede Oceânica

Iate Clube Veleiros da Ilha - Sede de Jurerê (Sede Oceânica)

Florianópolis, 06 de agosto de 2011.

É sábado e tem sol depois de vários dias de tempo muito molhado, ciclone extratropical e tudo mais que não convém a uma navegada prazerosa. Hoje, finalmente, vamos levar o Bubi de volta para Jurerê.
Há três meses trouxemos o Bubi da Sede Oceânica, onde ele fica em uma poita, para a sede central do Iate Clube Veleiros da Ilha. A finalidade era instalar a vela mestra, encomendada desde dezembro passado, mas só entregue agora. Estivemos nesses meses, desde que o veleiro foi para a água pela primeira vez, usando apenas uma genoa usada e meio velhinha, que um amigo abandonou, porque ela não funcionava mais adequadamente – não captava o vento de forma eficaz, estava “barriguda” e esgaçada e, pior do que isso tudo, na hora de recolhê-la no enrolador na presença de um vento mais forte, eram verdadeiros minutos de pura academia de musculação e, apesar da força descomunal necessária para enrolá-la, na parte central do estai ela sobrava panejando e emitindo aquele som desagradável de vela batendo no vento. Percebeu? Bem, mas nos serviu para algumas velejadas maravilhosas.
Nessas semanas que o Bubi permaneceu na sede central, resolvemos encomendar uma vela genoa nova. Esta chegou rapidinho, duas semanas depois. Aproveitamos também para providenciar capas para as gaiutas – que são em número de sete – para minimizar os efeitos deletérios do sol. Também uma capa para a churrasqueira que fica permanentemente pendurada no púlpito da popa. Aproveitamos também para colocar o barco em terra para renovar a pintura envenenada do fundo e trocar o óleo da rabeta, porque daqui a apenas vinte horas teremos que fazer a revisão de 150 horas do motor e isto podemos fazer com o barco na água, em Jurerê.
Mas hoje vamos encarar novamente a neura de passar sob as pontes que ligam a Ilha de Santa Catarina ao continente. Neura? É pura neura, porque as duas novas pontes foram feitas numa altura insuficiente para certos mastros, como o nosso com dezoito metros.
O Bubi está ancorado numa vaga do trapiche do Iate Clube. Estamos esperando que a maré suba para tirar o barco que está com a quilha entalada no lodo. São cerca de meio dia quando ele começa a boiar. A Vivi vai coloca-lo lá fora, onde ele permanecerá até que a maré vaze novamente para podermos passar embaixo das pontes. A maré que necessitamos – 0,3 – está prevista para as 16h20min. Ficamos a bordo organizando algumas coisas, colocando água nos tanques e bebericando uma cervejinha gelada.
São 15h45min e estamos partindo, porque nos parece que a maré não vai mais baixar. São quinze minutos de onde estamos até as pontes. Já temos o macete visual nos pilares da segunda ponte – uma determinada “saia” desta deve estar cerca de dois palmos fora da água para que nosso mastro fique safo. Chegamos às proximidades das pontes e eu, na proa, observo que a distância entre a água e a saia do pilar não parece ser a necessária, concluindo que a maré não está baixa o suficiente. Vivi diminui a velocidade e circula um pouco, mas estamos convencidas que a maré está prestes a subir novamente.
Resolvemos passar, bem devagar, a Vivi com a mão o manche todo o tempo para, se necessário, acionar uma marcha à ré. Eu na proa, olhando para cima e orientando a Vivi, para achar o centro exato da ponte, pois a mesma tem uma forma levemente arqueada e vai ficando mais baixa à medida que se afasta do seu ponto central. Passamos bem a primeira ponte. Vamos, vamos e, sob a segunda ponte, a antena do rádio VHF encosta, arqueia e emite um som – tec, tec, tec, tec, tec… Eu cruzo os dedos e penso: não vai quebrar, não vai quebrar. Passamos e não quebrou, ufa! Aí, poucos metros depois, vem a terceira ponte, mas esta é a Hercílio Luz, construída há mais de um século antes das outras duas e com altura suficiente para qualquer mastro. Antes eles eram mais ladinos na construção de pontes.
Depois dessa neura, tudo de bom. Navegada maravilhosa, observando o entardecer, já que é inverno e ele se antecipa. Chegamos à sub-sede, ou sede Oceânica por volta das dezoito horas.
Esqueci-me de registrar que estávamos em três a bordo. A Alphy, nossa Cocker Spaniel Inglês de quinze anos de idade, estava conosco. Sempre foi uma grande marinheira, mas, nos últimos tempos, devido à fragilidade causada pela idade avançada para um cão, já não curte muito.
No dia seguinte, conversando com um amigo velejador, soubemos que a segunda ponte é cerca de quarenta a sessenta centímetros mais baixa do que a primeira. Olhando do mar e do barco, parece que as duas tem a mesma altura. E como disse este amigo: se a antena encostar na primeira ponte, fique atenta, pois provavelmente não passa na segunda. Ainda bem que a nossa passou bem na primeira e só arrastou na segunda.

Hoje, dia sete, um ventinho nordeste convidativo está no ar. Vamos testar a nova genoa. Velejamos com a escota por fora dos brandais, com o vento de través mais largo e entre estes, com uma orça mais apertada. Pareceu-nos ser a melhor regulagem, depois de testar de outras maneiras. Mas, faremos novos testes ainda.

Deixe um comentário