Sede Oceânica para o Tinguá

Florianópolis, 13 de agosto de 2011.

Está um dia lindo de sol, parecendo que o “veranico de maio” chegou agora em agosto. Vamos passar o fim de semana a bordo. O Marcello (veleiro Split) vai nos encontrar no Tinguá, depois de longas semanas que ele e a familinha não navegam. A familinha: Guta, Arthur e Marcello. Vai com eles a nossa querida amiga Ângela, também chamada de Gelike ou Galega.
Deixamos a poita em Jurerê cerca de onze horas e rumamos para o Tinguá, sem vento, no motor. O mar está dormindo, nem as vagas costumeiras na travessia do canal aparecem.
Baixamos a âncora, já no Tinguá, e ouvimos o Split nos chamar pelo rádio: “onde vocês estão”, pergunta o Marcello. “Estamos no Tinguá”, responde a Vivi. “OK, estamos passando pelo Ratones e chegaremos aí em alguns minutos”. O Split estava no Iate Clube do centro, cerca de duas horas de navegada até o Tinguá.
O Tinguá é poético. A gente que vem sempre aqui acaba por não perceber mais o encanto do lugar. Mas, quando nos damos conta, a beleza é igualável a tantos outros que, por vezes, valorizamos mais. E, como em todos os belos atracadouros, só vemos lanchas ancoradas, especialmente num dia como o de hoje, sem vento.
O Split vem chegando, agora seremos dois veleiros. Amadrinhamos os barcos e todos vêm para o Bubi. O Marcello já  chega com um espumante geladíssimo na mão e a Vivi corre a pegar as taças.
Vamos almoçar “muamba” – um frango cozido com berinjelas, abobrinhas, quiabo e azeite de dendê, feito pelo chefe Marcello. Vou para a cozinha preparar a polenta, que acompanha o prato. Mas, antes disso, sirvo uns aperitivos de entrada – pães, torradas, queijos, anchovas em azeite de oliva (enlatada), manteiga.
O vento entrou e está rodando para oeste, refrescado.
O Arthur, cinco anos de idade, quer que algum de nós vá para a água com ele. Ninguém se anima, porque a água está gelada. Ele chora e a Galega resolve aceitar seu convite, depois de vestir uma  roupa de neoprene espessa. Depois a Vivi resolve tomar um banho de mar também.
Almoçamos a muamba que estava maravilhosa e o Split tem que partir, porque a previsão é de que o vento vai rodar para sul e, como ensinam os pescadores da região – quando o vento roda do  norte para o sul, pelo oeste, é vento forte que vai chegar; se rodar pelo leste, pode ficar tranquilo. E o Split vai voltar para a sede central do clube, navegando em direção ao sul.
Eles partem e ficamos mais algum tempo curtindo o lugar. Mas o barco já está balançando, porque o vento sul já entrou. Sugiro que mudemos nossa ancoragem para o Magalhães de fora, que é  abrigado do vento sul, mas a Vivi julga ser melhor voltarmos para a sede oceânica do iate clube, em Jurerê, porque o vento vai estar muito intenso em poucas horas. E lá estaremos numa poita, não no ferro. Seguro morreu de velho!
Dormimos apoitados em Jurerê. Durante a noite o vento intenso fez muita festa. O mar não levanta, porque tem embate para o sul, mas o vento, quando muito intenso, sopra com muito barulho,  fazendo o barco dançar de um lado para o outro. De vez em quando durante a noite eu acordei e olhei pela vigia da cabeceira da cama – os pontos de referência, marcados antes de dormir, estavam OK.
A minha comandante é muito prudente e tem toda razão: para que dormir ancorados em condições de ventos intensos já previstos  se estamos a apenas quarenta minutos de uma poita?

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