Florianópolis, 28 de outubro de 2011.
Novamente sexta-feira à tarde e o Marcello nos telefona para darmos uma velejada no Split, seu veleiro. Estamos indo para o iate clube e, se o Bubi não estiver com a quilha enterrada no lodo, queremos dar uma navegada pela baía sul, já que as pontes nos impedem de passar para o outro lado na hora que queremos, ou sem planejamento em relação à maré.
Temos que leva-lo para Jurerê, para acabar com essa novela.
Bem, está encalhado, mas velejar no Split é muito prazeroso também. Estamos próximas ao trapiche e o Marcello está tirando o Split da vaga e nos pega no trapiche do pau de carga. O Didi, vulgo Abençoado, está com ele.
Rumamos em direção a Santo Antônio de Lisboa, onde lançamos a âncora. Que velejada maravilhosa. O Abençoado, faceiro na roda de leme, entre uma prosa e outra, fala do “pedacinho de coração” que lhe resta – que está feliz.
Os marinheiros de uma marina local passam próximos a nós num caiaque e pedimos a gentileza de navegarem até o barraco do Cantinho das Ostras, para pedir à Gioconda (uma das proprietárias) que nos mande quatro dúzias de ostras vivas. Digo a eles na saída: “diz que é para a doutora Viviane, que ela sabe quem é, e para escolher ostras bem gordinhas”.
Na volta, com uma sacola cheia de ostras recém-colhidas do mar e meia dúzia de limões, um dos marinheiros me diz: “a dona Gioconda falou que a senhora é uma médica muito boa!”, como se eu fosse a Viviane. Confusão inócua que não desfiz.
Desço à cabine e coloco as ostras no bafo, separando uma dúzia para a Vivi que gosta de comê-las cruas. Ela mesma as abre com uma faca (precisamos presentear o Split com abridor de ostras), arruma numa travessa com gelo e leva para o cock-pit.
Eu sempre digo que o meu lugar favorito para comer ostras é num veleiro, porque simplesmente as abrimos, colocamos na boca e as cascas voltam para o mar de onde vieram, poupando o trabalho de recolhê-las e a limpeza da lambança que estas deixam quando colocadas em sacolas de lixo que sempre vazam.
Já está anoitecendo quando chegamos ao iate clube.
Mais uma tarde cheia de contentamento, especialmente porque na companhia do Abençoado. E como é abençoado!


