Floripa, 09/10/11/12 de março de 2012.
Estamos embarcando, em Jurerê, são 21 horas. A noite está belíssima, uma leve brisa de nordeste, céu cheio de estrelas e uma lua poética no céu. A bordo, organizamos as coisas que trouxemos de terra e a Vivi foi dormir. Eu não posso perder esse momento – é sempre assim: quando estou feliz não quero ir dormir para continuar desfrutando dessa sensação de bem estar, como se minha alma estivesse envolvida em pétalas de rosas aveludadas e minha pele acariciada por uma energia quase mágica. Permaneço no cock-pit namorando a lua e observando o reflexo dela no mar que está quase espelhado.
Já são mais de meia noite quando resolvo ir para a cama.
Às quatro horas da madrugada acordo com o barco sacolejando, devido a um vento de noroeste forte que entrou. A água bate na plataforma da popa e sob ela, fazendo um barulho que não me deixa dormir.
Só quando amanhece o dia o vento volta a enfraquecer e roda para nordeste outra vez.
Temos que levar o barco no trapiche para abastecer os tanques de água – quase duas horas para encher os três tanques, porque a mangueira do clube é muito fina e a água não tem pressão. Aproveitamos também para dar uma lavada em todo o convés.
O Marcello, Guta (com o Eduardo ainda na barriga) e Arthur, do veleiro Split, estão embarcando e vão nos esperar no Tinguá para um churrasco. Na nossa chegada, vemos que o Marcello já está colocando as defensas e preparando os cabos para amadrinharmos. Eu não gosto muito de amarrar os barcos um no outro, especialmente porque circulam muitas lanchas no final de semana e as embarcações ficam colidindo o tempo todo. No entanto, amamos muito essa familinha e ficar perto é mais importante.
Ainda não passamos para o Split, estamos no Bubi organizando algumas coisas, quando a Guta comenta: “esses barcos não estão soltos, não? Nós estávamos para dentro daquela boia ainda há pouco!”. Ela mesma vai à proa e solta mais um pouco de corrente. Parece que resolveu, mas, quando observamos nossas referências, havíamos navegado de marcha à ré mais uns 200 metros. Decidimos soltar os veleiros e ancorar cada um no seu ferro, depois Vivi e eu vamos até eles com nosso inflável.
Já a bordo do Split o Marcello, como de hábito, nos brinda com um vinho de excelência, enquanto degustamos linguiças de cordeiro grelhadas na churrasqueira.
Ao anoitecer eles vão embora, a maioria das lanchas também parte e ficamos Vivi e eu, neste paraíso, fazendo música e tocando violão no nosso cock-pit. Esta é uma vida privilegiada. Nossa, se é!
Amanheceu outro dia lindo de sol. O Livre chega hoje, com Rô e Maurão que tiveram que dar volta na Ilha de Santa Catarina para trazer o catamarã do centro para Jurerê, já que seu mastro é muito alto e não passa sob as pontes. Fizemos contato telefônico e, como estamos no Tinguá, eles vêm ao nosso encontro. São cerca de oito a nove horas de navegação para completar esse trajeto e eles saíram ontem do clube no centro, mas como o mar estava muito alto e o vento muito forte, eles dormiram no Pântano do Sul e reiniciaram a velejada hoje pela manhã.
São cerca de 13 horas quando eles chegam ao Tinguá e a Rô já anuncia que está com um carreteiro no fogo, elaborado com as sobras do churrasco da noite anterior. Para quem passou a manhã toda brincando no mar e ainda não providenciou almoço, é um convite irrecusável.
À noite, preparo o jantar para nós quatro – entrecote grelhado na chapa com uma massa ao molho de alcachofras e um belo vinho tinto.
No dia seguinte observo pela vigia da popa, ainda vadiando na cama, que o Livre está partindo. Abro a vigia e converso com o Maurão, combinando de nos encontrarmos na sede de Jurerê para o almoço.




Que mar é esse? Coisa mais linda!!!!!!!!!!!!