Fortaleza ao Caribe – Dia Dois

Mar Aberto, 15 de Novembro de 2013.

O mar continua alto e o vento forte, entre 30 e 35 nós. No começo da tarde o vento caiu para 22 nós e abrimos um pouco mais a genoa e a vela grande. Desde as 10 horas da manhã estamos todos no cock pit, conversando e apreciando o dia que está ensolarado e muito lindo.
Vivi não me deixa sair do cock pit, não posso ameaçar levantar que ela já fala: – o que queres? Deixa que eu pego para ti, pois podes cair, teu tornozelo está instável.
Descer e preparar nosso almoço, nem pensar.
– Podes marear, diz ela, toda preocupada.
O Dávila, “pirata” velho do mar, diz: – pode deixar, vou preparar um tutu com aquele feijão e fazer uma omelete para acompanhar. Maravilha de comida.
Nas primeiras 24 horas velejamos 190 milhas. Excelente!
No meio da tarde o vento rodou mais para leste e pudemos tirar o pau de spinaker, com rumo 282 graus, direto ao nosso way point. Novamente velejando de través folgado.
Depois de almoçar, Dávila foi tirar uma soneca, durante nosso turno de 16 às 18 horas. De repente ele levanta às gargalhadas – havia deixado a vigia externa de seu camarote aberta, em função do calor intenso, e uma onda embarcou por aquela abertura, com tudo, encharcando ele e sua cama.
– Pô, vê se dirige essa coisa direito! – diz-nos aos risos.
Poucos minutos depois, Vivi é banhada também por uma onda que entrou pelo costado adentro, por boreste. Ficou encharcada!
No turno noturno novamente vimos dezenas de luzes de jangadas, lá naquela distância da terra. Algumas pessoas precisam se arriscar para sobreviver. Fiquei observando aquelas luzinhas e imaginando o que estaria passando nas cabeças daqueles pescadores. Talvez estivessem felizes e com a rede cheia de peixes, ou tristes porque os peixes não apareceram. Pensando no amor que ficou em terra? Molhados, cansados, mas felizes, porque fazem o que gostam. Ou não gostam, apenas necessitam?

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