Mar Aberto, 16 de Novembro de 2013.
Hoje o mar amanheceu um pouco mais baixo, com ondas de dois metros, mas o vento forte persiste, variando entre 22 e 30 nós ao longo do dia.
Marcamos um way point no GPS, próximo à Ilha de Lençóis, na costa do Maranhão. Dizem que a entrada de mar ali não é tão simples, mas o nosso velho lobo do mar (Dávila) diz que não tem nada de complicado, é só estar atento. Queremos conhecer a região e são 13 horas quando atingimos o ponto marcado na carta e 14 horas quando largamos a âncora. Ao nosso redor podemos observar vários baixios, com água muito rasa mesmo, mas entramos certinho no canal.
Enquanto estamos entrando, Vivi prepara ovos quentes para nosso lanche, porque a fome esta batendo e ela sabe que o almoço provavelmente vai demorar, já que vamos comer em terra.
Logo que o barco está fundeado, organizo toda a desorganização que fica durante a velejada, limpo o cock pit com água doce colocada num balde, organizo a cozinha, guardo as louças e o veleiro está como se nunca tivesse saído do píer. O Dávila organiza todos os cabos meticulosamente, depois dos procedimentos de ancoragem.
Descemos o inflável e vamos para terra, procurar um restaurante. Vemos um boteco, quase na beira da água, que comida não tem, mas tem aquela cervejinha gelada que acalenta a alma. As pessoas nos olham com uma curiosidade peculiar, como se fôssemos de outro mundo, parece. Um grupo de meninas, entre dez e doze anos de idade, passa por onde estamos sentados bebendo cerveja, nos olham, e se organizam em dois times para jogar futebol na areia, bem em frente ao boteco. Uma delas, mais rechonchuda, é a juíza, com apito na boca e tudo. Muito interessante.
Mas precisamos comer e nos falam que a Pousada, distante uns 300 metros dali, poderia nos atender. E lá fomos nós, comer peixinho frito, pirão (feito pela Vivi, porque eles não sabiam o que é pirão ou como é feito), arroz e salada de tomate e cebola.
Ao anoitecer estamos de volta ao veleiro e finalmente poder dormir sem rolar na cama, ou acordar para assumir o turno. Que maravilha uma noite inteira de sono ininterrupto.

Fisgamos um peixe, de uns 4 kg, durante esse percurso, mas ele escapou quando o Dávila tentou pegá-lo com o bucheiro.



