Mar Aberto, 20 de Novembro de 2013.
São 6h30min quando, pela primeira vez, abrimos a genoa toda, porque o vento (SE sempre) caiu para 13 nós. O barco que velejava a 5,5 nós passou para oito nós de velocidade. Mas a vela grande continua ainda rizada, vamos observar mais um pouco. A cor da água é verde, perdeu aquele azul dos outros dias; profundidade de 57 metros e ondas menores do que um metro.
Às 11 horas o vento se mantém em 14 nós, nossa velocidade é a mesma (8kn) e nosso rumo 330 graus. Observo que a genoa está panejando no tope e resolvo regular o carrinho da escota (nesse veleiro você não precisa sair do cock pit para mudar o carrinho de lugar, basta caçar um cabo que o movimenta para frente). Traciono o cabo, mas ele está bem pesado. Sentada, apoio os pés na lateral da entrada da gaiuta principal e, com as duas mãos, tento novamente mover o carrinho para frente. Uma onda inesperada balança o barco violentamente para bombordo e bato com as costelas da região submamária esquerda na fibra. Uh, que dor! Mas não desisti, me posicionei melhor e consegui mover o carrinho até a genoa parar de panejar o tope.
O vento foi caindo até 10-12 nós, quando abrimos a vela grande toda também, ganhando um nó a mais de velocidade (9kn). Mas o vento continuou a diminuir e às 15h40min ele soprava quatro nós. A genoa foi enrolada, a vela grande centralizada e o motor ligado. Com um giro de 2400rpm o motor nos mantinha numa velocidade de 9,5 nós, ajudado por uma corrente de dois nós a nosso favor.
Só às duas horas da madrugada o motor foi desligado, porque o vento voltou pouco intenso (9 a 10 kn), mas nos mantendo em velocidade de 6 a 8 nós. Quando assumimos o nosso turno das 4 horas, havia uma infinidade de pesqueiros ao nosso redor e a nossa frente. Álvaro nos alertou sobre todos eles antes de ir descansar. Ele também havia ligado o radar, porque os pesqueiros não costumam ser equipados com transponder, de forma que o AIS não os capta. Até então, vínhamos usando apenas o AIS que se observa no plotter, para evitar consumo desnecessário das baterias. Ainda assim, o gerador era ligado de duas a três vezes ao dia para repor a carga gasta com os equipamentos (eu ficava feliz quando isso acontecia nos nossos horários de descanso, porque o ar condicionado podia ser ligado, já que sem ele, era quase impossível ficar no camarote da popa, tamanha a intensidade do calor).
Era a primeira vez que velejávamos no nosso turno da noite com as velas todas abertas. Nossa velocidade se mantinha em torno de 8 nós e era a primeira noite calma, com mar baixo, vento moderado e nossos olhos atentos nos pesqueiros e suas foscas luzes de fundeio. Vivi controlava a visão de um lado e eu do outro, uma sentada a boreste e outra a bombordo no cock pit.
Quando o Dávila chegou às seis horas para o seu turno, nos mostrou no plotter que estávamos próximo ao Cabo Orange, Rio Oiapoque, quase cruzando a linha marítima que divide o Brasil da França. Nem fomos descansar, ficamos esperando chegar a esse ponto, o que aconteceu às sete horas da manhã, quando entramos em águas francesas, ainda que me soe meio estranho estar entrando em águas francesas ao norte da América do Sul.


