Mar Aberto – Atlântico Norte – Dia Catorze.

Atlântico Norte, 27 de Novembro de 2013.

Durante a noite velejamos com o pouco vento que tinha, mas pela manhã já estávamos com o motor ligado outra vez, porque o vento de sudoeste, depois de nordeste, não passava de 4 a 5 nós, e a chuva caia desde que o dia amanheceu.
Na hora da fome, Vivi desceu e preparou um estrogonofe de camarão, que Álvaro havia comprado, lá em Ilha de Lençóis, e colocado no freezer. Almojanta maravilhosa!
Ficamos motorando das 8 às 19 horas. O calor é intenso, apesar da chuva que cai durante todo o dia.
Quando acordamos às 22 horas para o nosso turno, Álvaro nos passa o comando do veleiro que está, literalmente, voando – 16 a 20 nós de velocidade de vento e 11,5 nós de velocidade do barco. A noite está novamente um breu, acentuando as ardentias que reluzem com fosforescência no costado de uma forma encantadora e mágica.
Quando passamos o turno para o Dávila, às 24 horas, o vento diminuíra para apenas 10 nós. Resolvemos abrir toda a genoa, Dávila caçando sua escota na catraca elétrica e eu segurando o cabo do enrolador na catraca sobre a cabine, com apenas uma volta enrolada na mesma. Dávila gritou: -solta! Afrouxei um pouco o cabo entre as minhas mãos e ele escapou, desenrolando e formando um verdadeiro chicote que raspou o braço da Vivi que estava ao meu lado. Fez uma pequena queimadura por fricção, sem grandes consequências, mas bem doída. Nosso saldo de pequenos acidentes a bordo já estava razoável: equimoses no tronco e nádegas da Vivi (tombo no cock-pit), tornozelo ferido do Álvaro (motor de popa ao ser colocado no suporte da popa), dedão do pé do Dávila ferido com a faca (enquanto ele limpava o lindo peixe que pescamos), meu tornozelo torcido e minha costela esmagada no convés (enquanto caçava a genoa). Todas coisas de quem veleja! Nada de mais!
Fomos dormir e às 4 horas voltamos para nosso novo turno, rendendo o Álvaro. O vento mantinha-se entre 14 e 15 nós, o mar estava baixo e o dia, ao contrário do nosso início de jornada, já não amanhecia antes que terminássemos esse turno, às 6 horas da manhã. Já não víamos o sol nascer como antes.
Caribe 2013-2014 274

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