Mar Aberto – Atlântico Norte, 26/11/2013.
São 07h30min quando levantamos âncora. O mar está tranquilo e o vento soprando a 16 nós. Estamos navegando um pouco fora do rumo desejado, porque existe uma área não cartografada nessa região, com cerca de 60 milhas náuticas.
Às 08h30min ultrapassamos essa área, colocamos no rumo certo (323º), com mar picado, ondas de través e vento de 13 a 15 nós. Abrimos as duas velas e desligamos o motor, mantendo uma velocidade de 7,2 nós.
Às 09 horas o vento cresceu para 18-20 nós e nossa velocidade também aumentou para 9,7, chegando a 10 nós nas rajadas. As duas velas estão todas abertas e, se o vento continuar aumentando, teremos que reduzir panos. Mas o vento se mantém na mesma intensidade e roda um pouco, passando a entrar pela popa, às 12 horas, o que nos obriga a fazer uma asa de pombo. Novamente os meninos, Álvaro e Dávila, vão para a proa organizar a montagem do pau de spinaker (que é quase do tamanho de um poste e com quase o mesmo peso de um), enquanto Vivi e eu ficamos no cock-pit adriçando o amantilho ou caçando o burro do pau e a escota da genoa, sob os comandos deles). Isso é muito divertido e libera uma adrenalina fantástica, porque nenhuma dessas manobras é feita sem o balanço do mar, que torna nossos movimentos bem desengonçados.
Às 15h30min o vento voltou a entrar de través com 13 nós de velocidade, o pau de spinaker foi desmontado e as velas foram colocadas a bombordo. Pouco tempo depois o vento diminuiu ainda mais e tivemos que acionar o motor.
A noite está escura, pela primeira vez nessa jornada. Muito escura. Não tem lua, nem estrelas. A observação do radar faz-se necessária, mais do que nunca. Dois Pirajás nos alcançam, mas sem problemas, além do molhado que nos causam, obrigando-nos a usar roupas de tempo.


