É interessante permanecer bastante tempo num lugar só, porque podemos observar com mais detalhes o modo de viver das pessoas ao nosso redor. Vamos ficar nessa mesma ilha até que Grazziella, esposa do Álvaro, chegue, o que acontecerá apenas no dia 19. Nesse tempo de espera, muitas coisas no veleiro devem ser reparadas – carregador de energia eólico, que não está funcionando adequadamente, revisão do motor e do gerador, pequenos reparos nas madeiras do interior que estão riscadas, freezer que não desliga, etc. Além disso, temos que subir o veleiro para refazer a pintura anti-incrustante do fundo do casco.
Nossa rotina se alterna entre ir ao mini-mercado comprar as coisas que acabam a bordo, observar a natureza, conhecer pessoas novas, beber cerveja ao por de sol no ponto do píer onde os velejadores costumam encontrar-se no final do dia, lavar nossas roupas no balde ou nas máquinas (que funcionam com moedas) na lavanderia da marina, cozinhar nossos alimentos ou sair e conhecer novos restaurantes locais (diga-se, todos ruins), etc. A comida local merece uma observação – os temperos são excessivos, com muito cominho e pimenta a rodo; tanto faz se você pede porco, frango ou boi, tudo tem o mesmo gosto desagradável; as pessoas que lhe atendem, parece que estão a lhe fazer um favor, nem um pouco agradáveis.
Num dos dias, Susy, a simpática velejadora inglesa, convidou-nos para jantar numa Marina próxima a que estamos e onde os velejadores costumam ir na quarta-feira para confraternizar. Comi um peixe grelhado maravilhoso (sword fish) acompanhado de salada de repolho e folhas verdes. Conhecemos vários outros velejadores, de várias partes do mundo (Holanda, Suíça, Inglaterra, Alemanha) que moram a bordo no Caribe, outros que estão apenas de passagem e convidamos alguns deles para um churrasco no dia seguinte.
Nesse meio tempo, tivemos que mudar de vaga no píer duas vezes, quando os veleiros que reservaram as vagas chegavam. Acabamos no píer B que é um pouco mais mexido, mas, em compensação, mais fresco.
Alguns dias, saímos para passear de bote inflável e conhecemos outras baías interessantes, entre elas a Scotland Bay – lamentavelmente cheia de garrafas abandonadas na praia e quebradas, inclusive dentro da água, impondo riscos a quem se banha ali. A água é tão transparente que pudemos observar várias barracudas e tartarugas nadando lindamente.
No dia 16 de dezembro o veleiro será colocado em terra para refazer o anti-incrustante do fundo e polimento de todo o costado. Vivi e eu alugamos um apartamento na própria Marina, porque com o barco em terra o calor será insuportável. Nem pensar!
Não foi fácil colocar o veleiro na piscina do travel lift, porque havia muita corrente que fazia o barco derivar, mesmo com as facilidades do Thrust e Doc and Go instalados. Para completar, passaram uma das cintas sobre o eixo da rabeta, o que fez com ele empenasse de forma preocupante.
A previsão para o veleiro em terra era de 09 ou 10 dias, agora já não sabemos. E o Natal está próximo, o que dificultará o encontro de peças novas, se necessário for.
De qualquer forma, vamos para Barbados no dia 22 e já estamos com casa alugada e passagens de avião compradas. É uma ilha que costuma ser deixada fora da rota de quem veleja no Caribe em direção ao norte, porque os ventos e correntes são contrários. Assim, vamos conhecê-la por via aérea.

Álvaro e Rodrigo sempre convidados para almoçar conosco – nesse dia: frango recheado com farofa, assado no forno, acompanhado de macarrão alho óleo.









