Voltando Para Floripa – dia 7 – Santos à Florianópolis

Santos, 24 de Novembro de 2014 – 2ª Feira.

Acordamos cedo e são 5h e 40min quando estamos desamarrando o Bubi do píer do ICS. Céu nublado, vento de Sueste que podemos observar ainda dentro da marina do clube abanando as bandeirolas locais. Já comecei a tomar o Dramin B6 que o Serginho comprou para mim; espero não marear mais.
Faz seis dias que partimos de Paraty e cinco que estamos estacionados em Santos esperando por uma janela de vento. Pela previsão, teremos ventos de SE até às 16 horas, em torno de 7 a 12 nós; depois devemos ter Leste, com a mesma intensidade. Quando estivermos na altura de São Francisco do Sul, o vento já deverá estar soprando de NE e se manterá assim até Floripa, onde devemos chegar amanhã, por volta das 16 horas.
Temos uma janela bem curta para chegar, porque, segundo a previsão de todos os sites, uma nova frente fria deve entrar depois de amanhã e com toda a força de sul. E já observamos, em várias ocasiões, que as frentes frias podem antecipar suas entradas em muitas horas, contrariando a previsão metereológica.
Nossos turnos serão divididos a cada quatro horas, mantendo sempre dois de nós no cock-pit, um descansando e o outro mantendo vigília, revezando-se entre si a cada duas horas, enquanto os outros dois permanecem dentro dormindo. Depois de quatro horas, estes sobem e aqueles descem para dormir suas quatro horas. Vivi e eu formamos uma dupla, Serginho e Suzana outra.
Rumo traçado no GPS – 229º; 221 milhas náuticas até a Ilha do Arvoredo, quintal de casa; vela grande e motor a 2.400 giros.
O tempo se manteve mais ou menos de acordo com a previsão – os ventos oscilaram entre 6 e 12 nós, primeiro de SE, depois Leste e NE, na altura de São Francisco. A velocidade do veleiro começou com 6,4 nós e, com vento mais a favor, passou dos oito nós, às vezes nove, com a vela grande bem ajustada a cada vento.
No turno noturno, olho para aquela imensidão de mar escondido na noite escura, onde tudo o que se vê é apenas a espuma branca que rola junto ao casco do veleiro, entoando aquela canção poética da água que o beija e o sacode de um lado para outro, para cima e para baixo, num ritmo constante e nostálgico. Penso: “o que nos faz gostar de velejar, de fazer travessias que não são confortáveis pelo desequilíbrio persistente que nos acompanha navegando nessas condições, numa noite escura como essa…”. Não obtenho uma resposta lógica, mas o prazer que sinto nesse momento é ímpar, sem igual, como que comungando com a natureza.

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