Mar Aberto, 24, 25, 26, 27 de março de 2017.
Dia 24, às sete horas da manhã, passamos por Fernando de Noronha – distante de nós cerca de 18 milhas náuticas. O dia amanheceu chovendo. Amanhã por volta do meio-dia, vamos cruzar a linha do Equador pela segunda vez – a primeira foi quando fomos para o Caribe velejando.
Dia 25, às 11:45h, cruzamos a linha imaginária que divide o hemisfério norte do hemisfério sul. É tradição para todos os navegadores fazer festa quando isso acontece. No navio não foi diferente, havia festa programada e avisada desde a véspera.

No dia 26 o amanhecer foi nublado, mas depois o sol chegou sorrindo e permaneceu todo o dia. O mar está bastante agitado e o navio balança um pouco. Quando caminhamos, por vezes, parecemos trôpegos – tem que afastar as pernas para buscar o equilíbrio, é muito gozado. Mas claro, bem diferente de um veleiro – no navio os movimentos de pêndulo são curtinhos.
Hoje tem leitãozinho assado e Vivi chega toda empolgada no deck da popa, onde sempre estamos com os amigos, perguntando se queremos a cabeça do dito cujo. Digo que sim e lá vai ela. Cláudio diz: -ela não vai conseguir, o chefe de cozinha não vi dar a ela a cabeça do leitão. Respondo:- queres apostar quanto, que ela vai chegar aqui com a cabeça do leitão num prato? E completei:- não a conheces, não há o que ela não consiga, com aquele jeitinho de boa moça.
A cara de espanto de alguns passageiros vendo-a passar com o pobre leitão no prato e os aplausos da nossa turma fizeram a festa. Bem, só sobraram os ossos da cabeça, o resto comemos tudo.
No dia 27 passamos a cerca de 10 milhas náuticas do Arquipélago de Cabo Verde – são 10 ilhas principais e 4 menores. É um arquipélago enorme – começamos a navegar entre elas às 8:00h e ao meio dia passamos pela última ilha.

O navio tem navegado sempre em torno de 18 nós, mas nessa noite que passou estava acima de 20 nós todo o tempo. Hoje o mar está mais alto, as vagas tem mais de dois metros de altura e o vento nordeste passa dos 20 nós. O navio pendula rapidamente de um lado para o outro.
Estamos navegando numa linha reta desde que deixamos Recife, com a proa nas ilhas Canárias, sempre de cara no vento. Agora dá para entender porque os velejadores têm que velejar até o Caribe antes de rumarem para a Europa – para navegarem em ventos e correntes favoráveis. Seria maluquice fazer a rota que o navio faz – e ele só o faz porque é imenso e com motor poderoso.
São 24:35h e acabamos de retornar ao camarote. Depois do jantar fomos para os bares com música ao vivo e dançamos até agora. Suadas até a alma e felizes!
Hoje temos que aumentar o relógio em uma hora – é a terceira vez que nos orientam a fazer isso, para corrigir o fuso horário.



