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Sobre veleiro-bubi

Médicas e velejadoras

Caribe – dia 53

Trinidad, 29 de Dezembro de 2013.

Amanhece um dia lindo – sol, céu azulíssimo e um forte cheiro de diesel invade o ar, quando observo uma lancha afundando bem ao nosso lado, ancorada no píer. Chamo o Álvaro, porque o diesel da lancha está vazando e sujando todo o costado do veleiro – recém polido. Acho que deveríamos tira-lo dali e coloca-lo numa poita qualquer, o que só é feito depois que Papa (especialista que pintou o fundo e poliu o costado) chega estressado dizendo que vamos perder a tinta envenenada, que já está flutuando ao nosso redor.
Coitado do dono da lancha que é avisado e chega desolado, porque a lancha acabara de ser reformada e colocada na água no dia anterior.
Hoje é dia de fazer compras para abastecer o barco, porque amanhã vamos velejar para Grenada. Também é dia de ir na Imigração e Alfândega, onde perderemos boa parte da tarde com as burocracias já conhecidas. Enfim, faz parte.
À noite, recebemos visita do Arvin, que, sabendo que vamos partir amanhã, veio despedir-se de nós. Seu veleiro está numa poita bem próxima a nossa e lá vem ele a remo em seu pequeno bote de apoio, bem pequenenino e construído em madeira. Arvin é uma figura encantadora – comprou seu veleiro por dois mil euros, sem bandeira, em João Pessoa (Br), trouxe-o para o Caribe sozinho, mesmo sendo um navegante inexperiente (onde já conseguiu uma bandeira americana, via despachante que regulariza barcos num dos estados da América do Norte) e o está recuperando aos poucos. Ele tem muitas histórias para contar e nos contou algumas, que, de repente, reconto no nosso blog. Entre essas, está o preconceito que tem que enfrentar por ter passaporte iraniano, o que fecha muitas portas para visto de entrada em vários países. Diz que desde que saiu de seu país, aos 17 anos, é um mochileiro aventureiro, sem teto, que agora tem casa própria – seu veleiro, sem o qual não consegue mais se imaginar.
Acabamos indo dormir tarde, contrariando nossa proposta de dormir cedo, porque temos que começar nossa navegada às quatro horas da madrugada para chegar em Grenada ainda de dia.
Graziella se propõe a colocar o seu celular para nos despertar às 3 horas da madrugada.
Rodrigo, do veleiro Sotália, já foi dormir ancorado em Scotland Bay para partir amanhã, ganhando uma hora de navegada.
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Rodrigo, Marina e Carla - a bordo do Sotália - familinha feliz que amanhã também vai velejar até Grenada.

Rodrigo, Marina e Carla (elas chegaram há dois dias de Florianópolis) do veleiro Sotália – familinha feliz que também vai velejar até Grenada.

Caribe – dia 52

Trinidad, 28 de Dezembro de 2013.

Hoje, finalmente, o veleiro volta para a água e o nosso querido amigo Rodrigo já está lá, a postos, para ajudar a reposicionar tudo o que teve que ser desmontado (estai de popa e gerador de energia eólico) para o barco poder ser içado pelo travel lift.
Voltar a boiar é mais do que bom, porque é mágico. O mar visto a partir dele próprio, toma outra dimensão e beleza, fazendo-nos crer que fazemos parte dele. Na hora de dormir, o mar parece mãe – embalando em seu berço nossos corpos relaxados.
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Caribe – dia 51

Trinidad, 27 de Dezembro de 2013.

Chegamos ontem de volta à Trinidad às 22 horas e resolvemos dormir em hotel (Hilton) no centro da cidade, já que o veleiro continua em terra. O hotel é bom, com apartamentos luxuosos, mas bem antigo (fundado em 1962) e, por isso, com certo cheiro de “coisa velha”. No entanto, o café da manhã, que não está incluído na diária, é espetacular, muito bom mesmo, com uma variedade de guloseimas impressionante – US$ 35,00 por pessoa.
De volta à marina de Chaguaramas, a sensação é de volta ao lar. Realugamos o mesmo apartamento de antes, já que o veleiro continua em terra, terminando a pintura anti-incrustante de fundo e consertando a rabeta. E o calor continua infernal.
Aproveitamos para levar todas as nossas roupas para a lavanderia da marina, cujas máquinas de lavar e secar funcionam com moedas vendidas no escritório. É uma coisa bem interessante, que não temos nas marinas do Brasil, pelo menos nas que conhecemos.

Restaurante Japonês em Port of Spain - onde comemos o melhor sashimi da vida, especialmente o de vieiras.

Restaurante Japonês em Port of Spain – onde comemos o melhor sashimi da vida, especialmente o de vieiras.

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Barbados – 22 a 26/12/2013.

Nosso avião para Barbados parte às oito horas, mas temos que chegar duas horas antes do embarque, porque é voo internacional – cada ilha do Caribe é um país, com moeda diferente inclusive, apesar de mesmos hábitos e costumes. Assim, acordamos às quatro, saímos às cinco e chegamos ao aeroporto às seis horas da madrugada. Apesar de todo o nosso capricho para chegar duas horas antes, o avião decolou com 45 minutos de atraso.
Nos quatro dias que permanecemos nessa ilha, pudemos conhecer lugares interessantes.

Grazziella, finalmente conosco.

Grazziella, finalmente conosco.

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Barbados e sua água azul.

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Marina em Barbados e a ponte que levanta para que os veleiros possam entrar.

Marina em Barbados e a ponte que levanta para que os veleiros possam entrar.

Casa e carro que alugamos em Barbados para passar o Natal.

Casa e carro que alugamos em Barbados para passar o Natal.

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North Point – Barbados.

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River Bay – Barbados

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Vista dos fundos da casa alugada.

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North Point – Barbados.

River Bay - Barbados

River Bay – Barbados

Trinidad & Tobago, entre 04 e 22/12/2013.

É interessante permanecer bastante tempo num lugar só, porque podemos observar com mais detalhes o modo de viver das pessoas ao nosso redor. Vamos ficar nessa mesma ilha até que Grazziella, esposa do Álvaro, chegue, o que acontecerá apenas no dia 19. Nesse tempo de espera, muitas coisas no veleiro devem ser reparadas – carregador de energia eólico, que não está funcionando adequadamente, revisão do motor e do gerador, pequenos reparos nas madeiras do interior que estão riscadas, freezer que não desliga, etc. Além disso, temos que subir o veleiro para refazer a pintura anti-incrustante do fundo do casco.
Nossa rotina se alterna entre ir ao mini-mercado comprar as coisas que acabam a bordo, observar a natureza, conhecer pessoas novas, beber cerveja ao por de sol no ponto do píer onde os velejadores costumam encontrar-se no final do dia, lavar nossas roupas no balde ou nas máquinas (que funcionam com moedas) na lavanderia da marina, cozinhar nossos alimentos ou sair e conhecer novos restaurantes locais (diga-se, todos ruins), etc. A comida local merece uma observação – os temperos são excessivos, com muito cominho e pimenta a rodo; tanto faz se você pede porco, frango ou boi, tudo tem o mesmo gosto desagradável; as pessoas que lhe atendem, parece que estão a lhe fazer um favor, nem um pouco agradáveis.
Num dos dias, Susy, a simpática velejadora inglesa, convidou-nos para jantar numa Marina próxima a que estamos e onde os velejadores costumam ir na quarta-feira para confraternizar. Comi um peixe grelhado maravilhoso (sword fish) acompanhado de salada de repolho e folhas verdes. Conhecemos vários outros velejadores, de várias partes do mundo (Holanda, Suíça, Inglaterra, Alemanha) que moram a bordo no Caribe, outros que estão apenas de passagem e convidamos alguns deles para um churrasco no dia seguinte.
Nesse meio tempo, tivemos que mudar de vaga no píer duas vezes, quando os veleiros que reservaram as vagas chegavam. Acabamos no píer B que é um pouco mais mexido, mas, em compensação, mais fresco.
Alguns dias, saímos para passear de bote inflável e conhecemos outras baías interessantes, entre elas a Scotland Bay – lamentavelmente cheia de garrafas abandonadas na praia e quebradas, inclusive dentro da água, impondo riscos a quem se banha ali. A água é tão transparente que pudemos observar várias barracudas e tartarugas nadando lindamente.
No dia 16 de dezembro o veleiro será colocado em terra para refazer o anti-incrustante do fundo e polimento de todo o costado. Vivi e eu alugamos um apartamento na própria Marina, porque com o barco em terra o calor será insuportável. Nem pensar!
Não foi fácil colocar o veleiro na piscina do travel lift, porque havia muita corrente que fazia o barco derivar, mesmo com as facilidades do Thrust e Doc and Go instalados. Para completar, passaram uma das cintas sobre o eixo da rabeta, o que fez com ele empenasse de forma preocupante.
A previsão para o veleiro em terra era de 09 ou 10 dias, agora já não sabemos. E o Natal está próximo, o que dificultará o encontro de peças novas, se necessário for.
De qualquer forma, vamos para Barbados no dia 22 e já estamos com casa alugada e passagens de avião compradas. É uma ilha que costuma ser deixada fora da rota de quem veleja no Caribe em direção ao norte, porque os ventos e correntes são contrários. Assim, vamos conhecê-la por via aérea.

Churrasco a bordo.

Churrasco a bordo –  casal de holandeses e Rodrigo, florianopolitano que só conhecemos no Caribe.

Ponto de encontro no final da tarde.

Ponto de encontro no final da tarde.

Tartaruga que nos visitava todos os dias.

Tartaruga que nos visitava todos os dias.

Pelicanos - existem aos montões.

Pelicanos – existem aos montões em Trinidad.

Existem tantos coqueiros, que os cocos amadurecem nos pés sem serem colhidos.

Existem tantos coqueiros, que os cocos amadurecem nos pés sem serem colhidos.

Apartamento da Marina que alugamos enquanto o veleiro estava em terra.

Apartamento da Marina que alugamos enquanto o veleiro estava em terra.

Vista a partir da sacada do apartamento alugado.

Vista a partir da sacada do apartamento alugado.

Álvaro e Rodrigo sempre convidados para almoçar conosco - nesse dia: frango recheado com farofa, assado no forno, acompanhado de macarrão alho óleo e maionese.

Álvaro e Rodrigo sempre convidados para almoçar conosco – nesse dia: frango recheado com farofa, assado no forno, acompanhado de macarrão alho óleo.

Todos os dias podíamos ver esse lagarto verde e seus 3 filhotes. Eles comiam o pão que jogávamos na grama.

Todos os dias podíamos ver esse lagarto verde e seus 3 filhotes. Eles comiam o pão que jogávamos na grama.

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Black Bird - é tão comum quanto os pardais em nossa terra e tão folgado quanto. Faz-nos lembrar a música do Paul McCartney que leva o seu nome.

Black Bird – é tão comum quanto os pardais em nossa terra e tão folgado quanto. Faz-nos lembrar a música do Paul McCartney que leva o seu nome.

Maracas Bay, 03/12/2013 – dia 20

Eu adoro assistir programas de culinária na TV e, há muito tempo, ao assistir um dos meus favoritos, intitulado Comidas Exóticas, fiquei muito curiosa com o sanduíche de tubarão que Andrew Zimmers, apresentador do dito programa, dizia ser uma das melhores comidas que ele provara em sua vida, colocando-a entre as dez primeiras de sua preferência. Falei para a Vivi, na ocasião – quero ir à Trinidad & Tobago um dia para provar essa preciosidade. Fiquei tão atraída pelo assunto, que memorizei inclusive o nome da praia onde o Andrew provou o tubarão frito dentro de um pão também frito – Maracas Bay num lugar chamado Bake and Shark. Quando chegamos à Trinidad, foi uma das primeiras coisas que lembrei – o sanduíche de tubarão.
Pegamos uma Van (todos os taxis em Trinidad são vans, que funcionam de forma socializada, parando e recolhendo passageiros enquanto houver vaga para sentar) até o centro da cidade, onde pretendíamos pegar um ônibus até Maracas Bay. Depois de 40 minutos chegamos à rodoviária, são 11 horas e o próximo ônibus a sair para aquela localidade seria só às 14 horas. Tomamos informações e poderíamos pegar outra Van até nosso destino final. Assim, depois de caminhar um bom trecho dentro do centro da cidade encontramos nossa van. O centro de Trinidad, como toda cidade de médio ou grande porte, é sujo, desorganizado, confuso, cheio de camelôs que vendem lado a lado CDs, roupas, verduras, frutas (especialmente bananas, por todos os lados), cereais, etc.
Embarcamos na Van e ficamos esperando que todos os bancos ficassem ocupados, o que durou mais de meia hora, sob um calor intenso.
Finalmente em movimento, depois que o veículo saiu do congestionado centro, o visual é muito lindo – uma estrada estreita, sinuosa e asfaltada, dentro de uma mata úmida e virgem, de onde, de um ponto ou outro, se podia ver o mar. O motorista da Van mantém um olho na estrada e outro no seu celular, digitando o tempo todo o que imaginamos serem mensagens, a música alta e chata dos reggae caribenhos – associação que nos estressa.

E o tão famoso sanduíche de tubarão não é aquilo tudo que o Andrew anunciou! E o tão famoso sanduíche de tubarão não é aquilo tudo que o Andrew anunciou! Não ficaria entre os meus cem pratos favoritos, com certeza!

 

Claro que a Vivi colocou vários ingredientes dentro do pão, menos o tubarão. Claro que a Vivi colocou vários ingredientes dentro do pão, menos o tubarão.
Álvaro comeu o seu completo!!! Álvaro comeu o seu completo!!!
Vivi e Dávila não resistiram a um banho de mar no Maracas Bay. Vivi e Dávila não resistiram a um banho de mar no Maracas Bay.

Na volta, outra Van e outro motorista maluco, não ficava no celular conversando, mas a velocidade que ele imprimia naquela estrada extremamente sinuosa e morro abaixo era alucinante.

Trinidad & Tobago, 02 de Dezembro de 2013.

Continuamos na poita, pois ainda não conseguimos vaga no píer. Álvaro acordou cedo e foi até a Marina. São oito horas da manhã, quando o Richard nos aborda, dizendo que precisa colocar sua lancha na poita. Fica chateado quando digo que Álvaro foi até o escritório providenciar vaga no píer, e sai em busca dele. Depois de uma hora, Álvaro retorna e diz que conseguiu uma vaga no píer para os próximos quatro dias, depois teremos que sair, porque a vaga já estava reservada para outro veleiro que está para chegar.
Veleiro atracado num trapiche é tudo de bom – mangueira de água e cabo de energia conectados.
Conhecemos gente muito legal que mora a bordo de seus veleiros – Susy, inglesa que mora com seus dois cachorros; Arwin, iraniano que mora sozinho; Rodrigo, brasileiro que mora no Sotália, também sozinho. Rodrigo é de Florianópolis, nossa ilha, e só nos conhecemos no Caribe. Coisas da vida.

Susy - a simpática inglesa que vive com seus dois cachorros Cocker Spaniel Inglês num veleiro de 56 pés.

Susy – a simpática inglesa que vive com seus dois cachorros Cocker Spaniel Inglês num veleiro de 56 pés.

Trinidad & Tobago, 01 de Dezembro de 2013.

Trinidad & Tobago, 01 de dezembro de 2013.

Acordo cedinho e coo um delicioso café. Em seguida Dávila também acorda e arruma suas coisas para desembarcar – ele vai de muda para o seu veleiro. O dia amanheceu com chuva e muito calor, muito mesmo.
Acordo inspirada para o trabalho: limpo todos os instrumentos, rodas de leme e lavo todo o cock-pit e seus metais. Tudo estava grosso de maresia. Depois Álvaro e Vivi acordam e também colocam a mão na massa – ele varre todo o salão que tinha farelo de comida espalhado por todo ele e sob os tapetes, além da poeira que normalmente se acumula em tudo (esse barco tem vários tapetes nos camarotes e salão central, contrariando a lógica de um veleiro, mas seus donos não abrem mão deles); Vivi limpa o banheiro e o box de banho. Eu descongelo e limpo a geladeira – estava indescritivelmente suja. É incrível como o barco fica desarrumado e sujo quando navegamos durante muitos dias em mar aberto, sem acesso a terra.
Fomos almoçar no restaurante da marina ao lado da Power Boat (não lembro o nome), onde tinha uma boa Internet e aproveitei para pagar algumas contas cujos boletos recebi por e-mail. A comida é razoável, mas o preço abusivo – por três almoços e algumas cervejas pagamos $ 1.177,00 TTdólar (o que corresponde a cerca de R$ 500,00).
Para o jantar, preparo brôdo com capelete de frango. Depois assistimos um filme – Tsunami – história verídica da tragédia que assolou a Tailândia em 2009.

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Esse é um instrumento típico do Caribe – steel drum – música ao vivo no restaurante em que almoçamos.

Trinidad & Tobago, 30 de Novembro de 2013.

Trinidad, 30 de Novembro de 2013.

Que noite bem dormida, de forma ininterrupta, sem turnos. Dormi pesado até as 09h 30min, o que é uma raridade, porque costumo acordar logo que o dia amanhece quando estou a bordo.
Organizo todo o veleiro e depois que todos tomam seu café da manhã, vamos à Imigração e depois Alfândega para dar entrada no país. Lá conhecemos outros velejadores cumprindo os mesmos trâmites burocráticos, entre eles um casal da Noruega que passou pelo Brasil e lamentaram o tempo de visto que é fornecido – 03 meses – o que os impediu de conhecer melhor um país que eles adoraram. Imagine 90 dias de visto para transpor uma linha costeira contínua de 8.000 km (tamanho da costa brasileira) velejando – mal e mal dá tempo para cruzá-la inteira, se é que dá, quanto mais parar e conhecer ou desfrutar de qualquer local. Um país de tamanho continental como o nosso, deveria repensar sobre o tempo de visto de permanência para velejadores estrangeiros em trânsito por suas águas. Mas é óbvio que o turismo náutico não tem interessado a nenhuma de nossas autoridades até esse momento, visto as precárias estruturas de atracagem (quando existem) pela costa a fora.
Fomos até a Power Boat, marina onde pretendemos ficar, mas não tem vaga no píer; procuramos vaga na marina ao lado, mas também não há vaga. Continuamos na poita.
Depois do almoço, Dávila vai até o seu veleiro – Plancton, um belíssimo Swan de 40 pés – que está em terra trocando o motor (ele mora no Caribe há mais de um ano, em seu veleiro). Depois nos leva para conhecer um bar com boa internet e onde em frente existe uma máquina para sacar dinheiro local (TT dólar) – ao lado da nossa marina.
Logo que escurece, Vivi e eu retornamos ao veleiro, quando um bote inflável nos aborda e seu ocupante nos diz: “good night, my name is Richard, e continua em inglês, estou o dia todo procurando vocês, porque reservei essa poita há uma semana e a minha lancha foi para a água hoje e preciso que vocês desocupem minha poita.”
Não tínhamos visto nenhuma outra poita desocupada durante todo o dia e pensamos: ferrou! Perguntei ao gringo americano se podíamos ficar ali até a manhã seguinte, porque voltaríamos à Power Boat para tentar novamente uma vaga no píer. Ele concordou em ficar na piscina do travel lift, durante aquela noite, já que é sábado e nos fins de semana a marina não desce ou sobe embarcação.
Quando Álvaro retorna ao barco, conto a ele a novidade – amanhã temos que arrumar outro lugar para ancorar.

Perdemos boas horas dando a entrada dos tripulantes e do veleiro no país. A quantidade de papéis que se preenche é absurda.

Perdemos boas horas dando a entrada dos tripulantes e do veleiro no país. A quantidade de papéis que se preenche é absurda.

À direita daquela ilhota, entramos ontem à noite, para acessar Chaguaramas.

À direita daquela ilhota, entramos ontem à noite, para acessar Chaguaramas.

Caribe 2013-2014 313

Atlântico Norte – Dia 16

Atlântico Norte, 29 de Novembro de 2013.

Finalmente o sol voltou a brilhar. O mar se mantém com ondas de 02 a 3,5 metros, ventos variando entre 17 e 23 nós, rumo 339º, velocidade do veleiro de 07 nós.
Às 09h 50min, a distância calculada no chart plotter até o nosso way point, no extremo norte da ilha de Trinidad, é de apenas 37,8 milhas náuticas.
Estamos todos no cock-pit, ninguém quis mais saber de descansar no seu turno. Feito crianças felizes, ficamos curtindo o dia lindo, conversando e desfrutando daquela sensação de felicidade por estarmos completando nossa aventura.
Álvaro está sentado no cock-pit no lado de boreste e, num instante, o veleiro balança forte e uma enorme onda embarca, dando-lhe um banho completo, da cabeça aos pés. Fica literalmente encharcado e todos rimos muito – é o mar do Caribe dando boas vindas ao Caracol e seus tripulantes.
Álvaro e Dávila observam no chart plotter um perigo isolado assinalado – ampliam a tela – Naufrágio (Emerald Shools) – a profundidade, antes de 2.500 metros, agora caía para menos de 10 metros, o que nos obrigou a desviar o rumo 20º para Boreste. Logo em seguida, a profundidade voltou a aumentar e estamos com 500 metros agora.
São 11h 40min quando avistamos terra, lá longe. Corrigimos o rumo para 309º e Dávila e eu abrimos toda a genoa – ele segurando o cabo do enrolador e eu caçando a escota da genoa. Estamos a apenas 25 milhas náuticas para nosso way point. O vento sopra a 18 nós e a velocidade do veleiro é de 09 nós.
Às 15 horas, chegamos ao nosso Way point e começamos a contornar o lado norte da ilha de Trinidad, o que levou sete horas. São 22h 20min quando pegamos uma poita em Chaguaramas (Caribe – Ilha de Trinidad).

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Trinidad & Tobago

Trinidad & Tobago (Trinidad é uma ilha e Tobago outra, mas ambas formam um mesmo país do Caribe).

Caribe 2013-2014 302

Anoiteceu e ainda estamos contornando a ilha de Trinidad.

Anoiteceu e ainda estamos contornando a ilha de Trinidad.