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Sobre veleiro-bubi

Médicas e velejadoras

“Os Sons do Silêncio”

Quinta feira (passada) linda de sol, estamos pensando em ficar na Marina, porque sexta começa o MIMO – evento de música e cinema que acontece uma vez por ano nas cidades históricas – e queremos ver Herbie Hancock, que se apresentará na sexta à noite. E sábado tem o nosso João Bosco – eterno bolero, entre outros ritmos. Mas o dia está realmente belíssimo e convidativo para uma navegada. Resolvemos ir para a Ilha da Cotia, com a proposta de retornar amanhã no final da tarde.
Esperamos a maré encher, porque eles mexeram nas poitas, outra vez, e julgamos ser perigoso sair com a maré torrada como está com o risco de arrastar a quilha. São 14 horas quando a maré já está bem cheia e soltamos os cabos. Uma brisa de noroeste soprando no ar, o mar verde lambendo o casco do Bubi, o céu azul, e aquele contentamento que só quem navega conhece. São 15h e 20min quando lançamos a âncora naquela água transparente e silenciosa. Não há ninguém, só nós e os pássaros que ouvimos lá na mata, cantos diversos, timbres e dobrados variados. Identifico seis deles no momento em que o motor é desligado e o silêncio se aprofunda na beleza dos sons da natureza. O sol já ameaça se pôr, apressado por algumas nuvens que se postam no céu entre ele e nós. Fotografamos mais uma vez a paisagem, que é a mesma, mas nunca se repete, porque a natureza não se repete, mas sempre se renova a cada dia. Como devemos ser, porque a renovação é necessária à felicidade.
Sirvo o almoço – língua de vitela de leite que preparei ontem. Vivi se delicia, lambe os beiços, literalmente.
Depois um banho de mar ao anoitecer, porque estava irresistível. E o silêncio entremeado pelos vários sons e tons das várias espécies, agora acrescidos de uma cigarra que canta lá longe, antecipando o natal.

Agosto 2013 044

Vivi Marreca na água. Vivi Marreca na água.

Agosto 2013 054

Histórias de Mãe Maria

Num determinado dia, estamos eu, Vivi e Mãe Maria conversando e ela vem com essa história:

– Meus cabelos tão parecendo um aripoá.
– Mas o que é aripoá, Mãe Maria? – pergunto eu.
– Aripoá, minha filha, é o resultado de um instrumento feito para prensar a mandioca depois de ralada. A mandioca ralada é colocada no tipitim, que é feito de taquara ou de imbira, não tenho bem a certeza, e deixada ali até que toda a água escorra por suas frestas. Esta água vai virar farinha de polvilho depois que secar e a mandioca escorrida, depois de torrada, é a farinha tão popular em nosso pirão ou na nossa farofa. Só que quando o tipitim é aberto, para tirar a mandioca escorrida, ele fica todo espetado e é chamado de aripoá. Igual aos meus cabelos agora.

Camera Vivi 041

Visita Inesperada na Ilha da Cotia

Todas foram dormir e resolvi ficar no cock-pit apreciando a noite e o céu que estava lotado de estrelas de todos os tamanhos e brilhos. Na cabine central, sobre a mesa, um recipiente de bambu repleto de frutas – mamão, laranjas e bananas ouro. Num determinado momento achei ter visto um ser voando para dentro do barco. Concentrei meu olhar para a cabine que tinha todas as luzes apagadas e resolvi descer para pegar uma lanterna. Subi novamente ao cock-pit e, tão logo me sentei, percebi o ser voador saindo entre o dog-house e o bimini, para, logo em seguida, entrar novamente. A princípio, julguei ser uma mariposa daquelas grandonas, para logo perceber que tratava-se de um morcego ainda filhote, que pousou sobre o cacho de bananas depois de sua quarta entrada na cabine. Pequenino, um mini-batman, muito lindinho. As frutas foram para a geladeira e uma das bananas foi deixada sobre o banquinho da popa para a sua refeição.
E a Vivi exclamou: – Ah! Por que não fotografaste?
Nem tudo a gente consegue registrar de outra forma que não seja na nossa memória.
Ao amanhecer, um lindo dia de sol, fui direto ver se a banana ainda estava sobre o banquinho da popa. Não estava e fiquei feliz.
Navegamos de volta para a Marina, porque nossas amigas tinham que ir embora. Uma pena, porque são companhias maravilhosas a bordo.

Queridas indo embora. Calçaram os tênis no trapiche. Exagero!

Queridas indo embora. Calçaram os tênis no trapiche. Exagero!

 

 

Amanheceu Nublado

Ontem dia lindo de sol e ficamos estacionadas no pier. Hoje dia nublado, cinzento, mas vamos navegar, já que o sol está dentro de nós. Logo que chegamos à Ilha da Cotia, o sol parou de se esconder atrás das nuvens e veio nos aquecer. E o banho de mar purificou nossos corpos e nossas almas. E não levamos o bote, simplesmente o esquecemos em terra, lá na marina. E as visitas, que queriam caminhar pela ilha da Cotia, tiveram que ir a nado do Bubi até ela.

Ilha da Cotia e sua prainha.

Ilha da Cotia e sua prainha.

Ponta sul da Ilha da Cotia.

Ponta sul da Ilha da Cotia.

Lucia nadando para a Ilha.

Lucia nadando para a Ilha.

Clarice nadando para a Ilha.

Clarice nadando para a Ilha.

Nadando de volta para o Bubi.

Nadando de volta para o Bubi.

O gavião sobrevoando a ilha.

O gavião sobrevoando a ilha.

 

Agulhão guloso que vem pedir comida, nadando ao redor do barco.

Agulhão guloso que vem pedir comida, nadando ao redor do barco.

Maré baixa e as ostras à vista na ilha.

Maré baixa e as ostras à vista na ilha.

Sempre rola um violão à noite.

Sempre rola um violão à noite.

Amigas a Bordo

Lucia e Clarice chegaram. Vieram para passar três dias e trouxeram tantas guloseimas, como se fossem para passar um mês – espumantes, vinhos, queijos, massas, enlatados, etc.
O dia seguinte foi perdido, porque foi vivido na véspera. Como disse a Clarice: queimamos na largada. Não saímos para navegar, ficamos no píer da Marina, colocando todos os assuntos em dia.

Lucia - meio catarina, meio baiana. Mimosa! Mimada! Amada!

Lucia – meio catarina, meio baiana. Mimosa! Mimada! Amada!

Clarice, meio gaúcha, meio carioca. Que grande companhia a bordo!

Clarice, meio gaúcha, meio carioca. Que grande companhia a bordo!

 

 

 

 

 

 

 

Organizando o Bubi

Só temos um dia para organizar o Bubi, desde a nossa chegada, porque vamos receber visita de duas amigas queridas – dos tempos de adolescência de Vivi – Lúcia (que mora na Bahia) e Clarice (que mora no Rio de Janeiro). Bem, só temos que organizar as coisas que trouxemos, porque, como já falei, o Bubi está super limpo e bem cuidado pelo marinheiro Carlos – que ficou encarregado de zelar por ele na nossa ausência.
Primeiro almoço a bordo desde a chegada: Carrê de vitela de leite e rizoto de aspargos com nove cereais integrais (arroz longo, arroz vermelho, triticale, trigo, cevadinha, centeio, aveia, quinua e linhaça).

Pré preparo.

Pré preparo.

Carrê Vitela de Leite

“Dilllichiaaaaaa!”

 

De volta à Paraty.

Paraty, 03 de Agosto de 2013.

Avião até São Paulo, onde fizemos uma maravilhoso “rancho” na casa Santa Luzia. Depois pela estrada com nossa camionete. Viagem tranquila, e aquele visual lindo descendo a Serra do Mar. Nossas queridas amigas (Vera e Elisa) foram guardiãs do nosso carro em Sampa. Felicidade reencontrar nossa querida amiga Yane que mora no Canadá e atualmente goza suas férias no Brasil.

Yane e Elisa. Vera está  atrás da lente.

Yane e Elisa. Vera está atrás da lente.

Bubi e o por do sol em Paraty.

Chegamos! Bubi nos esperando impecavelmente limpo e bem cuidado.