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Sobre veleiro-bubi

Médicas e velejadoras

Ano Novo – 2013.

Ilha Grande, 31 de dezembro de 2012.
Acordamos cedo, tomamos um café reforçado (como a Vivi escreveu no diário de bordo) e partimos para a praia de Palmas, último refúgio em direção ao norte da Ilha Grande. O visual é paradisíaco, mesmo. Mal ancoramos e já caímos no mar que, para a nossa surpresa, era frio, lembrando as nossas águas de Floripa. Desde que chegamos ao Rio, há seis meses, ainda não tínhamos experimentado uma água do mar geladinha, que provocasse aquele ligeiro vacilo: entro ou não?! Foi simplesmente maravilhoso aquele banho de mar, melhor, aqueles banhos.
Fomos com o inflável até a praia e lá almoçamos uma corvina frita, preparada no restaurante local. Uma delícia.
Lá também conhecemos um casal de estrangeiros, ela canadense e ele francês, com quem entabulamos uma conversa gostosa. E mais uma brasileira da mesa ao lado que, ouvindo nossa conversa, passou a nos questionar sobre todos os detalhes de como é viver a bordo de um veleiro, já que ela intenciona assim viver, tão logo se aposente, embora ela ainda nem possua um.
Voltamos ao Bubi, mais banhos de mar para aproveitar aquela água friazinha e depois levantamos âncora para ir para o Abraão, onde pretendemos passar a virada do ano. Já dessalguei um bacalhau e temperei umas costelinhas de porco, para seguir a tradição de comer porco no Ano Novo, porque porco fuça para a frente e ninguém quer andar de ré no ano que se inicia. Nem pensar em comer frango, porque cisca para trás. Superstições à parte, também garanti meus doze bagos de uva, que vou chupar, enquanto faço um pedido para cada um, guardando as sementes depois de secas, para aumentar ainda mais a sorte. Ah! E o espumante, que já está gelando, não pode faltar, porque o tim-tim das taças sela o bom presságio.
Chegamos ao Abraão perto das dezessete horas. Lá encontramos o Ricardo, do veleiro Macanudo. Estava a mil fazendo um churrasco a bordo e nos convidou para participar, mas agradecemos, porque tínhamos que nos resguardar para a meia noite. E ele gritava de lá: “Vivi, Rubia, vem para cá!”. Inúmeras vezes gritou, até que mergulhou e nadou até nosso barco. Ele e Vivi beberam um uísque, conversamos de monte, e depois ele retornou ao seu veleiro. Contou-nos, antes, que um amigo seu, velejador também, havia alugado uma grande escuna para que todos os velejadores amigos pudessem se encontrar na hora da virada. O combinado era: pagar vinte reais por pessoa e levar o que fosse beber. A escuna estava ali, a uns 200 metros do Bubi. Mas não há quem nos faça deixar a nossa casinha e a nossa intimidade num momento tão importante. É assim que somos.
E deu meia noite e os fogos na praia estavam lindos, explodindo entre o céu e o mar, pipocando em luzes de todas as cores na escuridão da noite que estava linda e estrelada. Durante trinta minutos em que os fogos explodem, nossas cabeças viajam entre o ano que se foi e o que sonhamos e o que se inicia nos levando a sonhar outra vez. É um instante meio mágico, entre a realidade e a fantasia, onde nos permitimos tudo, até desejar vida eterna para aqueles que amamos.

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Saindo do Saco da Tapera

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Navegando para Palmas

 

 

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Ponta norte da Ilha Grande

Chegando a Palmas

Chegando a Palmas

Marina Piratas – Angra dos Reis

Ilha Grande, 30 de dezembro de 2012.
Acordamos cedo e fomos até Angra dos Reis – Marina Piratas – para ir ao supermercado Zona Sul, onde esperamos encontrar quitutes que não conseguimos em Paraty. Afinal, é antevéspera de Ano Novo. Uma hora e meia depois estamos chegando, mas não há vaga no píer para o Bubi. Rodamos para lá, para cá, num canal estreito com maré baixa e muito calado para pouca profundidade, esperando que alguém retorne ao seu barco e parta, para liberar uma vaga para nós. Já estamos há mais de quarenta minutos nesse vai e vem, quando resolvo perguntar aos dois marinheiros de uma escuna de sessenta pés, ancorada desde que chegamos, ocupando duas vagas, se eles não iriam partir!? Um deles me responde: “estamos esperando as pessoas para o passeio… mas a senhora quer encostar? Eu arrasto a escuna mais para frente”. E assim fez. A vaga ficou meio estreita, mas funcionou.
Fizemos nossas compras, bebemos um chope no bar anexo ao píer e retornamos à Ilha Grande, saboreando aquele sanduíche com presunto de Parma que a Vivi preparou para nós.
Almoçamos no bar/restaurante da Telma – uma simpatia de pessoa, vale a pena conhecer – no Saco da Tapera. Ela tinha acabado de receber o “Guia Náutica Paraty e Angra dos Reis” e lá estava a referência ao seu restaurante e sua criação: Lasanha de Peixe, sem massa. Sugeriu-nos experimentar, mas essas invencionices não nos atraem, preferimos uma lula empanada e crocante.
Para o jantar, preparei um espaguete à Putanesca, com as anchovas a granel que comprei pela manhã.
A noite está linda e o sono e sonhos também.

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Rumo à Ilha Grande

Paraty 29 de dezembro de 2012.

Ao longo dessa semana reencontramos amigos que fizemos aqui, pois todos estão vindo para passar a virada de ano em seus barcos. O point é o restaurante da marina, onde sentamos longas horas bebendo cerveja e trocando conversa. Hoje vamos todos navegar. Combinamos de nos encontrar no Sítio Forte (Ilha Grande).
Estamos saindo da marina às 10h30minh da manhã. Fazemos uma navegada tranquila, um lindo dia de sol, mar baixo, pouco vento, vela mestra e motor.
Coloco um feijão com carne seca no fogo, enquanto navegamos. Preparo cebola, alho e pimenta do reino, refogo até dourar bem e mergulho no feijão já cozido.
São 13h30minh quando chegamos à enseada do Sítio Forte e jogamos a âncora no Saco da Tapera.
Que banho de mar maravilhoso antes de saborear o feijãozinho.
No meio da tarde o veleiro Iratembé chega e ancora (Ricardo e Neila).

Diversas - 449 154

Natal

Paraty, 24 de dezembro de 2012.

Fomos convidadas para jantar a bordo do Mare Mio (um Beneteau de 45 pés) – de Roberta e Carlos – pais do Vitório, de quatro anos, uma graça de garoto. Ricardo e Neila também vão.
Preparo coxas de peru assadas no forno e Vivi uma maionese. Neila preparou polvo grelhado.
Roberta serviu sashimi de salmão, lidamente fatiado e decorado.
Todas as comidas reunidas e uma confraternização maravilhosa.
A noite esteve muito agradável e assim foi o nosso primeiro Natal longe de nossa família.

Jurumirim

Paraty, 21 de dezembro de 2012.
Hoje vamos sair com o Bubi. Tirar a preguiça do couro, soltar as amarras e ir até Jurumirim para tomar um banho de mar. Quando estamos de partida, a Suzana (nova amiga) aparece e a convidamos para ir junto. Ela nem titubeou. Avisou ao marido que estava indo dar uma navegada com o Bubi e partimos.
Almoçamos num pequeno restaurante em Jurumirim – sororoca fritinha – muito gostosa, e mais a tainhota que a Vivi ganhou ontem do seu João (marinheiro da lancha que fica próxima ao Bubi no trapiche). A cozinheira do restaurante fritou a tainhota para a Vivi.

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Tarioquinhas

Paraty, 20 de dezembro de 2012.

Vamos passear de botinho até a Prainha, para refrescar naquelas águas. Fica a cerca de duas ou três milhas da marina. O calor continua intenso. Eu e Vivi vamos no nosso inflável e o Ricardo e Neila no deles. É legal, ainda não tínhamos brincado de botinho por aqui.
Enterrados na areia, junto às pedras, há conchas, que o Ricardo diz serem “tarioquinhas”. Parecem vôngole, mas o formato é um pouco diferente. Colhemos algumas e vou preparar com espumante, no forno.

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Calor e Mais

Paraty, 18 de dezembro de 2012.
Fomos fazer uma visita para o Ricardo e a Neila, eles voltaram ao seu trapiche, no outro lado da marina, não somos mais vizinhos. Que pena!
Temos que ir ao supermercado, mas o calor é intenso. Não anima. Vamos esperar o sol baixar para ir às compras.

Ricardo e Neila (Veleiro Iratembé)

Ricardo e Neila (Veleiro Iratembé)

Voltando para Casa

Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2012.
Saímos de Floripa às 16:40h e chegamos ao Rio às 18:30h. Um voo tranquilo e rápido. Pegamos um taxi e fomos para o apartamento da Clarice, querida amiga que se prontificou a guardar o nosso carro enquanto estivemos fora, já que o custo para deixa-lo no estacionamento do aeroporto do Galeão era absurdamente abusivo.
No domingo Clarice levou-nos para almoçar em Santa Tereza, num restaurante encravado na floresta da Tijuca, onde a vegetação foi preservada e as mesas do restaurante colocadas entre as árvores; um lugar belíssimo com uma vista encantadora. À noite fomos jantar no restaurante La Fiorentina (no Leme), para matar a saudade – uma decepção – comida muito ruim. Nos anos em que moramos no Rio, entre 1978 e 1981, este era uma de nossos restaurantes favoritos, agora não o recomendamos a ninguém.
Na segunda feira estamos voltando a Paraty, mas antes passamos num supermercado descente para comprar vinho, porque em Paraty só se consegue comprar vinhos mortos, mesmo nas lojas ditas especializadas em vinho, que são em número de duas ou três. Falando nisso, em Paraty os supermercados são muito sujos, mal organizados, e a qualidade dos produtos, por vezes, é duvidosa, como as carnes, por exemplo.
Durante a viagem paramos para almoçar num restaurante com cozinha mineira, uma variedade imensa de comidas típicas daquela região.
Experimentamos vários pratos e comi pela primeira vez sarapatel – vísceras de porco ensopadas – interessante, mas com gosto muito intenso que permaneceu no meu paladar por muito tempo.
Chegamos ao Bubi às dezoito horas.
Para o jantar improvisei com o que tínhamos a bordo – talharim com sardinhas portuguesas, azeite de oliva e azeitonas recheadas.
Como é bom estar em casa de novo.

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Em Floripa

Floripa, sempre Floripa. O terrinha linda, mas que venta forte sem parar. Ou é de sul, ou é de norte, mas sempre refrescado. E por aqui não existe uma água sequer abrigada dos dois ventos. Se o vento muda, você tem que mudar também, de local de ancoragem.
Mas o Bubi ficou em Paraty, abrigadinho de todos os ventos e, na semana que vem, estaremos a bordo outra vez.
Vista da janela da nossa casa, em Ingleses (Floripa-SC) Vista da sacada do nosso apartamento, em praia dos Ingleses, localizada no norte da ilha, em sua face leste (Floripa-SC).

Algumas vistas da janela do nosso apartamento no centro de Floripa:

Avenida Beira Mar Norte

Avenida Beira Mar Norte. O que se vê além dos prédios e à esquerda destes é a própria ilha de Floripa.

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As montanhas aqui vistas são do continente.


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