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Sobre veleiro-bubi

Médicas e velejadoras

Visita da Ângela

Nossa querida amiga Ângela, de Floripa, veio passar dez dias conosco a bordo do Bubi. Estávamos na expectativa de sua chegada e fomos à peixaria comprar peixes e camarões, já que ela não come bichos terrestres; come também paisagem (saladas e frutas), é claro.
Foram dias muito especiais. Gelike, como a chamo, é uma pessoa alegre e divertida, uma boa amiga e uma ótima companhia.

Gelike – curtindo o visual.

“Paisagem” – especialmente preparada para Gelike.

 

FEIJOADA MAGRA NÃO EXISTE,TCHURMA

Ao longo de todos esses dias, o tempo ficou nublado, chuvoso e hoje, domingo, choveu forte, tempestade com trovões e relâmpagos. Mas, ainda assim, é mágico estar boiando. Ficar olhando a chuva cair no mar ao nosso redor é poético.
Ontem fomos comer feijoada no Café do Canal – maravilhosa! Parecia daquelas feita em casa, com todas aquelas coisinhas gordurosas, calóricas e ricas em colesterol. Mas se assim não for, não é feijoada, é feijãozinho – me poupem os puritanos e cismados com saúde perfeita, mas feijoada nasceu com os escravos, quando tudo o que eles podiam ter eram os restos do porco que não interessasse aos seus senhores, isto é, rabo, pés, orelhas, barriga, etc.
Em Floripa está difícil comer uma feijoada autêntica e agora, para piorar as coisas, eles inventaram uma nova receita ridícula: cozinham todas as carnes e linguiças em água pura (que desprezam depois do cozimento), para retirar a gordura das mesmas, depois colocam dentro do feijão já cozido. Pode??? O feijão não tem gosto de nada e as carnes tampouco, além da ausência daquela cor escura que adquirem quando cozidas imersas no feijão. Algum mané inventou essa onda que agora está sendo seguida em vários locais. Mas, como o povo não tem lá grandes paladares, não nota qualquer diferença. Eu e Vivi, sinceramente, nos recusamos a comer uma coisa dessas.
Feijoada magra NÃO EXISTE, turma!

Café do Canal
O Canal – lindo!

 

Parati, 18 de setembro de 2012.

Bubi no pier da Marina do Farol.

Calor infernal – 37 graus Centígrados. Ufa, parece verão, mas ainda estamos no inverno.
Passamos parte do dia em terra, porque o Carlos, nosso marinheiro, está lavando o barco – estava bem sujinho.
Quando voltamos a bordo, carregamos a mangueira junto e ficamos todo o tempo nos molhando, para refrescar. Felizmente, quando o sol se pôs, a temperatura caiu e a noite ficou agradável.

Ilha do Cedro, 17 de setembro de 2012.

Outro dia lindo de sol e céu azul. Acordamos cedo, tomamos um belo café da manhã e já estamos rumando para a Ilha do Cedro – Vivi, eu e Serginho, nosso querido amigo. Não há vento, então vamos a motor, mas temos a expectativa de que na volta poderemos velejar.
Chegamos à ilha por volta das 10h e 30min. O lugar é paradisíaco!

Ilha do Cedro
Ilha do cedro.

Logo descemos o inflável e fomos a terra. Caminhamos pela praia e descobrimos o bar do Nelson, onde comemos garoupas que ele recém recebera do mar – fresquíssimas e do tamanho certo para serem fritas. Dos Deuses!

Nosso inflável, e lá atraz o Bubi.

Recentemente, houve uma operação dos órgãos ambientais nessa região e fecharam praticamente todos os restaurantes que operavam nas ilhas. Uma pena, mas se realmente for para o bem da natureza, estamos de acordo. O problema é imaginar que por traz dessa ação possa haver segundas intenções, sim, porque estamos no Brasil, onde tudo é possível.
Bem, o Nelson nos mostrou uma licença que tem para atender as embarcações, não em terra, mas no mar – tipo delivery – ele cozinha no seu bar e leva até os barcos que ancorarem nas proximidades da ilha. Mas, dessa vez, comemos em terra mesmo.

De volta ao Bubi, o ventinho já soprava. Recolhemos a âncora, enquanto coloco a feijoada que sobrou do outro dia para esquentar. Subimos as velas e, saboreando o feijão fazemos uma velejada de cinema.
O Serginho faz movimentos com os braços e as mãos como se estivesse ciscando o chão, vira para a Vivi e diz: “Vivi parece um pintinho no lixo”, de tão feliz que ela estava.
O ventinho vai soprando cada vez melhor e quando chega a 12 nós, o Bubi já veleja a 7,3 de velocidade, levemente adernado. Filmei, mas não consigo inserir (upload) aqui. Depois descubro como fazê-lo.
Ai que soninho! Vou para o camarote da popa e caio no sono, só acordando quando estamos próximos à Ilha da Bexiga, porque acionaram o motor, já que o vento merrecou. Aí, motoramos até a marina.
Que dia maravilhoso!!!

Bubi fotografado do Bar do Nelsom (com zoom).

Saco do Jurumirim, 16 de setembro de 2012.

Acordamos com um dia lindo de sol. Depois do café da manhã estamos vadiando sentadas na popa do Bubi, quando passa por nós alguém remando uma prancha, em pé – novo esporte que agora não lembro o nome. Dá-nos “bom dia”, faz a volta na prancha e puxa conversa. Logo atrás, depois observamos, vinha um bote inflável, daqueles com comando central, com dois homens a bordo, fazendo escolta. Convidamo-la para subir, o que ela fez sem cerimônia. Jussara, seu nome, e Alfons, seu namorado e um dos ocupantes do inflável, também veio a bordo. Apresentamo-nos, conversamos, Vivi entrou e mostrou o Bubi para a Jussara, que, em seguida, sugeriu irmos conhecer o barco deles, ancorado ali pertinho. Embarcamos todos no inflável, conduzido pelo marinheiro deles, e fomos até o Phênix – um trawler de 98 pés – uma bela e enorme embarcação. Leva-se um tempo razoável até caminhar por todos os andares, que são em número de quatro, todos os cômodos e camarotes (que já nem lembro quantos são), cozinha (maravilhosa, diga-se), lavanderia, casa de máquinas, etc.
Quando retornamos ao cock-pit, já havia uma mesa preparada com queijos, presunto de Parma, champanhe, vinho branco, torrada… e um chefe de cozinha, para preparar os quitutes que iriam nos servir. Como diz o nosso amigo Marcello: “a burguesia tem seus encantos”, não há como negar.
O casal é encantador, e a Jussara uma figuraça!

Jussara – nossa anfitriã.
Alfons.

Convidaram-nos para dar uma navegada e aceitamos. Fomos para o flybridge – o ponto mais alto – e lá de cima, navegando, o visual da região é muito lindo.


O barco é maravilhoso, mas não entendo muito bem o que leva uma pessoa a ter um barco daquele tamanho. Bem, cada um com seu cada qual, mas prefiro a nossa intimidade, sem necessidade de tripulação de apoio (no Phênix são em número de quatro, em dias normais).


Eles retornaram a São Paulo, no avião do Alfons, porque tinham compromisso para o jantar e nós fomos para o nosso Bubi. Combinamos de nos reencontrarmos no próximo final de semana, quando eles devem retornar.
Ah, ia me esquecendo – antes de desembarcarmos, o Alphons nos presenteou com carnes do Bassi – dois T bone, uma maminha e uma picanha – resfriadas, para nos deliciarmos ao longo da semana, e dois charutos cubanos Cohyba, para a sobremesa. E emprestou-nos o seu maçarico para acendê-los, porque, segundo ele, isqueiro comum não serve para acender charutos. Que figuras!

Parati, 15 de setembro de 2012.

Navegada maravilhosa até o Saco do Jurumirim. Desde ontem estou preparando uma feijoadinha, já que hoje é sábado – dia dela, da feijoada. É uma enseada encantadora. Vivi, empolgada, colocou máscara, tubo, pé de pato e saiu a mergulhar. De repente sumiu, quase me assusto, quando não a vejo, até que, de repente, lá vem ela, batendo pé e com as mãos cheias de alguma coisa – mariscos – que  arrancou do fundo de um veleirinho lá ancorado e meio abandonado, ao que parece, porque está cheio de cracas. Pelo tamanho dos mariscos, percebe-se quanto tempo ninguém dá atenção a ele.

Saco do Jurumirim.

Saco do Jurumirim

Bubi ancorado no Saco do Jurumirim. O veleirinho dos mariscos é aquele ali, na popa do Bubi.

Saboreando os mariscos da pescaria de Vivi.

Parati – Simplesmente Parati.

Todos os dias temos tanta coisa para fazer que mal sobra tempo para atualizar o site. Mas todas as coisas a serem feitas nos proporcionam prazer, só prazer. Organizar o Bubi, ir ao supermercado e à peixaria comprar mantimentos, caminhar pela cidade histórica, velejar, conhecer pessoas, cozinhar, observar a natureza exuberante que nos cerca, ficar horas observando os peixinhos ao redor do Bubi, as andorinhas que voam e pousam nas escotas da genoa recolhida, os pardais que roubam a ração da Lua (pequena vira-latas que mora num trawler de 80 pés atracado próximo ao Bubi) para comê-la sobre o cais… assim por diante.
Nessa semana, recebemos a visita do Serginho (amigo velejador que mora em Parati) e do Giovani, amigo de Floripa que está nessa região com seu veleiro (Kiriri Ete) desde junho passado.

A água do mar invade parte da cidade com a maré alta. Essa casa da esquina é a peixaria onde costumamos comprar peixes e camarões.

 

 

Serginho e Giovani, brindando com a Maria Izabel (a cachaça). Ficaram apaixonados pela dita cuja!!!

 

Caneloni de frango que preparei para nossos amigos.

 

Parati 09 de Setembro de 2012.

Ontem, enquanto íamos para a Ilha da Cotia, notamos que o Bubi não rendia a velocidade de costume. Lá chegando, a Vivi colocou a máscara/tubo e mergulhou para ver as cracas. Nossa! Submergiu horrorizada – tem cracas por todo o casco, não só na linha d’água, inclusive na rabeta e no leme. Por isso não dormimos na ilha e resolvemos retornar à marina. Na volta, aquela preocupação com a refrigeração do motor. Pensando no assunto, nos demos conta de que quando subimos o barco para arrumar a quilha e trocar o anodo, perdemos o veneno, porque o barco ficou mais de 24 horas fora da água. Conversando com outros velejadores daqui, soubemos também que o envenenado não dura mais do que três meses nessas águas, obrigando à limpeza manual das cracas. Agora nova novela – subir o barco para refazer o envenenado. Mas até que isso aconteça, já contatamos um mergulhador que virá amanhã remover as cracas com espátula.
Hoje foi um dia lindíssimo de sol e nós aqui estacionadas, sem poder navegar.
Hoje cedo a turma que veio para o feriadão começou a desembarcar. Nem podem incluir o domingo no seu feriado, em função do trânsito da volta para São Paulo, de onde vem a maioria. Alguns, inclusive, desistiram depois de ficarem mais de duas horas engarrafados no trânsito das redondezas de Ubatuba (e tinham partido cerca de 9 horas da manhã; imagina como a estrada vai estar no final do dia). Embarcaram as malas de volta e só vão embora amanhã.
Durante esses dias, vários pequenos aviões e helicópteros cruzavam o céu, já que muitos chegam aqui pelos ares. Hoje cedo, ouvimos o vizinho da lancha ao lado: “ok, quando o avião decolar de São Paulo me comunica que vou para o aeroporto”. A Vivi gostou da idéia para a nossa próxima volta à Floripa – helicóptero fretado até São Paulo e depois avião de carreira. Eu, heim? Não gostei da idéia de navegar com avião de rosca.
Felizes nós, que não precisamos nos mover por enquanto.
Já que estamos paradas, vamos brincar de “cozinhadinho” de novo.

Alguns dos ingredientes básicos.
Frando ensopado.
Frando ensopado, polenta (da Mãe Maria) e batatas com creme de maionese. Comida de domingo.

 

Que lindo o entardecer visto daqui.