Acordamos às 7h e a Ângela e Dávila foram tomar um banho de mar, enquanto preparo o café da manhã – frutas, iogurte, pães, bolo de laranja, mel, queijo, leite e café coado.
São 08h40minh e estamos partindo rumo à Parati. Passamos ao lado da ilha Anchieta que é muito linda. O ventinho continua fraco e na cara, por isso continuamos motorando.
Olhamos por bombordo e vemos quando um bando enorme de golfinhos vem em nossa direção, pelo través, numa velocidade frenética. Eles se agrupam na nossa proa, bem junto dela, e iniciam uma dança encantadora, cruzando para lá e para cá, por baixo do casco, saltando sobre a água, nadando ao lado do costado, mergulhando e voltando à superfície. Ficam acompanhando o barco por cerca de 10 minutos e desaparecem.
Passamos a Ponta da Juatinga com um mar muito gostoso, sem onda, sem balanço, sem enjôo. Até diria que o apelido de “enjoatinga” não combina com o lugar, mas sei que nem sempre o mar por estas bandas é tão baixo e manso.
São 16h30minh e estamos ancorando em frente à ilha do Algodão, porque queremos conhecer o restaurante do Hiltinho, sobre o qual a Vivi leu boas referências no guia da revista Náutica. Uma pequena traineira nos pega a bordo e nos deixa no pier do restaurante. A transparência da água é estonteante. Vários degraus de uma escadaria construída com pedras nos levam ilha acima, pelo meio do mato, e mais acima, e mais acima… Até nosso fôlego quase encurtar. A vista é deslumbrantemente linda! E lá embaixo podemos ver o Bubi, sozinho naquele imenso oceano, amarrado na poita.
O prato da entrada que pedimos é mariscos ao molho de vinho, que veio servido em ebulição dentro de um muquequeira, tendo pão italiano como acompanhamento. Como diria o nosso amigo Pet: maaaaaravilhoso! Aliás, telefonamos para ele, para colocar água em sua boca e ele nos falou que teremos que repetir tudo isso com ele e a Guta. Os pratos principais estavam sem graça: robalo grelhado, muito passado do ponto. Mas a caipirinha estava uma delícia.
Já é noite e voltamos para o Bubi. A noite está cheia de estrelas e a lua quase cheia. Vamos dormir aqui mesmo, apoitados.
Arquivo do autor:veleiro-bubi
Ilha Bela ao Saco da Ribeira
14 de julho de 2008 – Ilha Bela ao Saco da Ribeira.
Vivi e eu estamos em Ilha Bela, embarcadas, desde o dia 28 de junho.
A Ângela e o Dávila embarcaram ontem, vindos de Floripa. Tomamos café e a Vivi foi em busca de alguém que mergulhe para retirar um cabo enrolado no hélice, percebido ontem quando ela tentou ligar o motor para carregar as baterias. Há dois dias ligamos o motor e o engrenamos sem problema nenhum. Anteontem, durante a noite, ventou muito forte, de leste e chacoalhamos feito liquidificador, o que deve ter sido a causa desse problema – provavelmente o cabo da poita (que passa embaixo do casco e se prende no pier) é o causador da encrenca.
Com um simples mergulho e cinqüenta reais o problema está resolvido. Vamos, finalmente, zarpar. O dia está lindo, muito sol, céu azul e quase nenhum vento. Atracamos no posto de abastecimento naval da marina, enchemos o tanque e um galão de reserva e partimos. São 13h00min horas e nosso rumo é a ilha Anchieta, onde pretendemos dormir.
Desço até o GPS e traço o rumo no chart plotter. Fico observando se o fiz certo, porque é instrumento novo no Bubi e quero aprender a usá-lo.
A tarde cai e estamos passando pela ilha Mar de Fora, quando a Vivi resolve que entraríamos no Saco da Ribeira para ancorar e dormir. O lugar é lindo, cheio de embarcações, principalmente veleiros.
Preparo o nosso almoço – feijão enlatado, arroz e ovos fritos.
Anoitece e a lua aparece imensa no céu cheio de estrelas. Ficamos no cock-pit ouvindo o violão da Vivi e cantando.
Noite tranqüila, mar parado e bons sonhos.
CANAL DO VARADOURO – TRAVESSIA DO
Eu já estava com 53 e Viviane com 57 anos. Era mês de março de 2008 e esperávamos que o vento sul soprasse para zarparmos com o nosso veleiro de 31 pés rumo ao litoral do Paraná, onde pretendíamos atravessar o Canal do Varadouro.
No dia 29 de março, finalmente o vento sul chegou, mas com chuva, inicialmente esparsa, quando largamos as amarras no Iate Clube às 15 horas e vinte e sete minutos, para logo cair torrencialmente, quando já navegávamos na baía norte da ilha de Santa Catarina.
Estava a bordo conosco um grande navegador e amigo, Mauro, que já havia feito a travessia do Varadouro outras quatro vezes e se empolgou com a oportunidade de repetir o feito.
A Itajaí rádio faz uma chamada geral para previsão metereológica, comunicando ventos fortes e chuva, mas a nossa intenção é ir só até Porto Belo naquele entardecer, pernoitar lá e rumar no dia seguinte para São Francisco do Sul. São 20h27minh quando a âncora é lançada e os preparativos para o jantar são iniciados, ancorados no Estaleirinho.
No dia seguinte, amanheceu um lindo dia de sol, com vento fraco soprando de sueste. Tomamos café, fazemos a leitura dos instrumentos – termômetro, barômetro, higrômetro – checamos a previsão do tempo na internet – ventos de SE, 12 nós, traçamos o rumo na carta náutica – 20 graus norte – registramos no GPS portátil, e partimos às 13h25min.
As ilhas vão ficando para traz, uma a uma: Feia, Itacolomis, Remédios, Tamboretes e, por fim, Mandigituba.
A ilha da Paz é vista ao entardecer. Ela está diante da baía de São Francisco do Sul, no norte do litoral catarinense, coberta por densa Mata Atlântica, abrigando, basicamente, apenas um velho e lindo farol, inaugurado em agosto de 1906. O funcionamento desse farol foi à base de querosene até o ano de 1982, quando recebeu um gerador elétrico; seu jogo de lentes original, um hexaedro ótico giratório, fabricado em 1894, na França, funcionou até 1989, quando o sistema foi modernizado e o antigo aparelho doado ao museu histórico de São Francisco do Sul.
Enquanto procuramos o melhor lugar para ancorarmos, somos chamados pela tripulação de um barco pesqueiro – nos pedem cerveja. E eu pergunto – tem camarão? Podemos fazer uma troca – e assim fizemos. Trocamos quatro latas de cerveja por um balde cheio de camarão. São 18h15min quando a âncora é lançada ao mar.
A visão da lua ao lado do farol é inacreditavelmente linda, romântica, poética, inspiradora. Preparo o jantar, já que sou a cozinheira de bordo: arroz, feijão, salada de pepino e tomate, contrafilé grelhado na frigideira. Depois de tantas horas navegando, a comida parece mais deliciosa do que nunca.
Amanhece chovendo muito de novo e estamos rumando para Capri, navegando dentro da baía de Babitonga. Logo na entrada do canal, deparamos com um navio cargueiro que naufragou há algumas semanas, num dia de mal tempo. A visão é meio assustadora, aquela embarcação enorme com o convés emborcado e submerso, colocando à vista a quilha e o hélice gigantesco; lembrei-me do Poseidon.
Já no Iate Clube de Capri, tomamos o primeiro banho de água doce desde que começamos a nossa aventura e depois preparei aquele camarão, fritos ao alho e óleo e ensopado com pirão de “náilon”.
No dia seguinte abastecemos o barco de água e diesel e rumamos ao nosso destino do dia – ilha do Mel. Partimos às 10h30min horas e chegamos ao farolete do canal da barra de Paranaguá (canal da Galheta) às 17 horas. Tem bastante mar e o veleiro surfa as ondas grandes e pendula para todos os lados – boreste, bombordo, enterra a popa e depois a proa – sempre nessa seqüência. Um navio cruza conosco na direção contrária. Logo em seguida, olhamos para traz e na nossa popa avistamos outro navio entrando no canal. Parecia tão distante, mas logo nos alcançou e pôs-se a buzinar, como que a pedir passagem. A Vivi, no timão, levou nosso barco bem para o limite das bóias de boreste que sinalizavam o canal e aquele gigante carregado de contêineres passou levantando três ondas gigantes. O veleiro se enterra no vazio da vaga e sai surfando em seguida, repetindo o movimento três vezes. Quarenta e cinco minutos depois, lançamos a âncora, agora sob uma chuva torrencial e vento sul forte, que nos obriga a retirar o toldo que acabáramos de colocar sobre a retranca. Para completar o estresse, a quilha começa a arrastar num banco de areia, apesar de termos ancorado bastante distantes da praia. Mas, naquele momento, nem pensar em mudar de lugar, vamos aguardar para ver se a maré não sobe. Depois de alguns minutos, tudo bem, a quilha parou de encostar-se ao fundo. E preparei jantar em meio a todo esse pampeiro – filé acebolado com molho de soja, arroz e salada.
Amanheceu e o vento sul continuava soprando forte. Dormi mal, porque o barco balançou muito durante toda a noite e fiquei quase de vigia, preocupada que o ferro soltasse.
São dez horas da manhã quando levantamos a âncora. Fizemos uma navegada maravilhosa pelo mar da Cotinga, entre ilhas e inúmeras ilhotas que se banham naquelas águas, chegando ao Iate Clube de Paranaguá duas horas após. Encalhamos num banco de areia, mas nada que uma adernada leve no barco não servisse para o desencalhe. “Não se deixa o arrodeio pelo atalho” – apologia do Nego, figura que conhecemos logo que aportamos em Paranaguá, quando contamos do nosso breve encalhe.
São vinte e uma horas, Vivi e Mauro já estão dormindo. Estou curtindo meu momento, sozinha no cock-pit, tomando uma cerveja e pensando na vida. A maré esta vazando, numa correnteza de 3 a 4 nós, é impressionante a velocidade da água. Parece que estamos navegando, que o veleiro vai acompanhar a água, mas está seguro, com a proa amarrada na contracorrente e a popa coladinha no pilar do cais (quando amarramos o barco no trapiche, maré estava inversa). O momento é mágico, com o som da água lambendo o casco. Começa a chover e sou obrigada a entrar.
Sétimo dia que estamos no mar, embarcados. Acordamos e fomos tomar café da manhã no Mercado Público local. Delícia! São tantas bancas de peixes e camarões. É bucólico e apaixonante. Depois fomos para o centro da cidade de Paranaguá, comprar lentes de contato para a Vivi (navegar usando óculos corretivos é muito desconfortante, porque os respingos da água atrapalham a nossa comandante e timoneira, que é míope) e óculos de leitura para mim.
Á noite revisamos toda a rota do Canal do Varadouro com um navegante do local e no dia seguinte, pela manhã, fizemos uma faxina no veleiro. Almoçamos no Iate Clube e às 15h26min tiramos as amarras do trapiche e rumamos para o Rio das Peças. Na chegada, um grupo de golfinhos veio nos saudar, nadando em volta do veleiro. Foi uma noite maravilhosa, de bons sonhos, depois de um belo bacalhau no jantar, com o barco paradinho, como se estivesse em terra.
Amanheceu e outra vez chove. Garoa insistente. Recolhemos a âncora e são 10h45min quando na baía das Laranjeiras visualizamos a entrada do canal do Varadouro. Encalhamos e desencalhamos várias vezes nos bancos de areia, que são muitos ali, e não conseguimos entrar no canal. Visualizamos um pescador em sua canoa e solicitamos que ele nos orientasse. Seguimos seu rastro, enquanto coloco o feijão e as carnes que dessalguei desde ontem no fogo.
O Canal do Varadouro foi construído pelo homem e inaugurado em 1952, usando como leito a antiga trilha caiçara, com o objetivo de ligar a região lagunar de Cananéia, no estado de São Paulo, à Baía dos Pinheiros, em Paranaguá, estado do Paraná. O Canal tem seis quilômetros de extensão, com 50 metros de largura e até seis metros de profundidade em alguns locais. Servia para escoar a produção entre os dois estados e hoje se tornou um belo atrativo turístico para aqueles que gostam de navegar com espírito de aventura.
Agora chove torrencialmente e, tão logo o canoeiro nos abandona, voltamos a encalhar. Ele percebe e vem ao nosso encontro. Pedimos que ele nos leve mais adiante, e ele aceita depois que lhe oferecemos cinquenta reais e nosso diesel de reserva para abastecer sua embarcação. E chove numa conta!
Chegamos ao Ariri, quando são 15h40min, onde largamos a âncora e vamos almoçar. O feijão ficou uma delícia. Vamos pernoitar aqui, em meio de muito, mas muito borrachudo – que o povo local chama de “pórva” – e moscas mutuca aos montes. Apesar dos repelentes que passei no corpo, minha mão está inchada, devido ao processo alérgico que estes bichinhos causam. A Vivi está com várias picadas nas costas, não quis usar o repelente.
Durante a noite a maré passou a vazar e podemos ouvir o som que a forte corrente provoca ao passar pelo casco do veleiro e pelas margens do canal.
São 08h37min quando levantamos a âncora para navegar outra vez, agora só nos três, sem o canoeiro que conhecia bem a região.
O lugar é paradisíaco. A paisagem é quase virgem, causando a impressão que se está navegando por um rio dentro de uma densa floresta da Mata Atlântica. Eu e minha filmadora em punho, registrando cada momento.
São 11h10min quando voltamos a encalhar, e dessa vez foi para valer. Marcha a ré, motor a todo vapor, e nada. O veleiro enterrou a quilha no lodo e não se move. O Mauro sobe na retranca, vai até a ponta, se equilibrando para não cair, e eu vou abrindo-a, lentamente, numa tentativa de adernar o barco com o seu peso. Penduro-me também na retranca, até onde a borda do veleiro permite, e a Vivi no motor, tentando várias manobras para desencalharmos. Depois de muitos minutos, o veleiro volta a flutuar. Que alívio e que susto. Parecia que dessa vez teríamos que esperar a maré encher mais.
Ficamos tentando adivinhar por onde teríamos que passar, para não voltar a encalhar, mas, a cada tentativa, o veleiro arrastava a quilha novamente. O Mauro olhava os way-point que ele tinha registrado no GPS, mas eles não coincidiam com a profundidade que necessitávamos – um metro e setenta e cinco centímetros, quanto calava o veleiro.
Observamos uma pequena lancha de alumínio navegando lá longe e a chamamos. Pedimos ajuda e eles nos orientam que sigamos o seu rastro, enquanto diminuem a velocidade para que possamos acompanha-los. O canal com a profundidade necessária para o nosso veleiro, naquele lugar, era tão próximo a um barranco repleto de árvores e bambus deitados, que não imaginávamos que ali, e só ali, o fundo era suficientemente distante para a nossa travessia. Tendo passado aqueles bancos traiçoeiros, despedimo-nos e ofereço vinte reais ao condutor da lancha, que tem mais seis pessoas embarcadas, todos moradores das redondezas. Ele não aceita, mas observo o olhar cândido de uma senhora, olhando aquela nota e ofereço a ela, pedindo-lhe desculpas pelo atraso que lhe causamos, já que eles tiveram que diminuir o seu ritmo nos quinze minutos que nos orientaram. Ela me sorri e estende a mão, aceitando a oferta.
As pilhas do GPS do Mauro esgotaram a carga e, quando as trocamos, ele não funciona mais. Temos outro de reserva, mas este não tem os way-point. Passamos a analisar as cartas de papel e parece estar tudo certo.
São 13h30min e chegamos a Cananéia, onde ancoramos no Posto Náutico. Descemos em terra e a Vivi prepara um churrasco para nós – picanha e entrecote, macios e saborosos.
Á noite saímos para jantar num restaurante local, bons frutos do mar. De volta ao Posto, o Mauro olhou a previsão do tempo na internet e checou os way-point da saída, na Barra de Cananéia, com pescadores locais. A saída naquela Barra é famosa por ser difícil e traiçoeira, porque tem muitos bancos de areia e pedras escondidas. Pretendemos sair bem cedo no dia seguinte e vamos voltar pelo mar aberto e não pelo canal, como programáramos desde o início.
Saímos de Cananéia às 6h27min, com a nossa comandante no timão, atravessamos a Barra sem intercorrências e navegamos em direção à Ilha do Bom Abrigo. A Vivi ficou muito brava – vento sul forte na cara, mar mexido, garoando – se soubesse que o tempo seria esse não teríamos partido hoje, repetia ela para mim. Já no abrigo daquela ilha, levantamos a vela grande, para dar mais estabilidade ao barco e prosseguimos numa navegada menos desagradável.
São treze horas e o tempo muda, o céu fica azul, o sol aparece e o mar abaixa. A Vivi aquece uma feijoada de lata para o Mauro e nós duas vamos comendo uns biscoitos para tapear a fome. Não temos disposição para comer outra coisa.
São 14h30min quando passamos pelos navios que, ancorados, aguardam para entrar na Barra de Paranaguá. Desde o Bom Abrigo navegamos sempre a 240 graus na bússola.
Às vinte e duas horas ancoramos na Ilha da Paz e preparei um arroz de carreteiro com as sobras do churrasco de ontem. Todos vão dormir e eu, novamente, permaneço no cock-pit curtindo o momento mágico que é estar ancorada ao lado de uma ilha que inspira poesia. A noite está linda, o céu cheio de estrelas e o farol lá, a me olhar.
Acordamos às seis horas e o dia está lindo. Tomamos café e levantamos a âncora. Içamos a vela grande, mas não há vento suficiente. Vamos motorar.
São treze horas, a Vivi e o Mauro dormem e eu estou controlando a navegação. Observo que o vento antes sul, agora está entrando de leste, um pouco mais intenso, e imagino que vamos poder velejar, até porque estamos com o diesel na estica para chegarmos até Camboriú e já usamos os 15 litros do galão de reserva. Acordo a Vivi e abrimos as velas, finalmente, velejando. É quase um orgasmo velejar; desligar o motor, então, nem se fala como é bom. Que silêncio gostoso, o vento acariciando as velas e o mar lambendo o casco. Tudo de bom!
São quase dezoito horas quando estamos em frente à barra do Rio Camboriú. Baixamos as velas, ligamos o motor e vamos entrar, porque vamos desembarcar o Mauro e dormir na Marina Tedesco.
É o nosso décimo quarto dia no mar, são 11h45min quando deixamos o píer da Marina Tedesco, rumando para Porto Belo, onde passaremos os próximos dias. Lá já é nossa casa, de tantas vezes que já ancoramos lá.
No vigésimo dia, desde a nossa partida, estamos de volta ao trapiche do Iate Clube Veleiros da Ilha.

