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Sobre veleiro-bubi

Médicas e velejadoras

Paraty, 20 à 29 de Outubro de 2014.

Continuamos todos esses dias às voltas com o vazamento de água do boiler. Edmar já tentou de tudo, inclusive o que o construtor do barco orientou. Nada funciona, a água, apesar de pouca, continua vazando sempre que ligamos a bomba de pressurização.
A televisão também pifou! Vivi fica desolada, porque adora ver filmes do Netflix, que acessamos com o aparelhinho da Apple TV e nosso mini-moden roteador.
Sábado foi dia de feijoada e fomos come-la no restaurante do Quilombo. Domingo foi dia de justificar voto em trânsito, depois almoço no Balacobaco – um simpático restaurante na beira da praia. Um espumante posto a gelar para comemorar a vitória da Dilma para Presidência da República.
Tentamos comprar uma bomba de porão com automático embutido, mas não encontramos uma que coubesse no poceto (são maiores e a que temos não é mais fabricada).
Desistimos de arrumar a TV e compramos uma nova (maior – 32″ – e mais moderna), só falta conseguir quem a pendure, porque temos que trocar o suporte de parede. Já que em Paraty é difícil conseguir esse tipo de prestador de serviço, resolvemos Vivi e eu fazê-lo – ficou perfeito! Lindona e com imagem de cinema.
Num dia desses, nos ensinaram o caminho (de carro) para uma cachoeira. Não a encontramos, mas conhecemos um lugar muito lindo.
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Ilha da Cotia, 18 de Outubro de 2014.

Já anoiteceu por completo e, novamente aqui estou eu sob a luz da lamparina de LED, no cock-pit, me deliciando com o visual das embarcações das quais agora,sob a penumbra poética, vejo apenas as luzes.
Durante o dia éramos mais de 40 barcos, entre lanchas e veleiros, reduzidos à metade para o pernoite. Muitos vem apenas para passar o dia e retornam a seus portos antes que o dia acabe.
Pela manhã fomos passear de bote com Alexandre e Gisele. Conhecemos Paraty Mirim e depois íamos para o Saco do Mamanguá, mas quando cruzamos a Ponta da Escalvada, o vento sudoeste intenso arrepiou de tal forma o mar que o bote, apesar de ser um SR 550, saltava na água feito um cabrito jogando água em todos nós. O Saco do Mamanguá forma um corredor de vento, devido a sua configuração estreita e comprida, fazendo com que o vento triplique sua intensidade naquele funil.
Desistimos e fomos para o Saco da Velha, situado na Baia da Preguiça, onde tem o restaurante do Vivinho – famoso entre os navegadores.

Paraty Mirim e a Igreja Nossa Senhora da Conceição, construída em 1746. Durante o período colonial, Paraty Mirim foi porto de desembarque de escravos.

Paraty Mirim e a Igreja Nossa Senhora da Conceição, construída em 1746. Durante o período colonial, Paraty Mirim foi porto de desembarque de escravos.

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Restaurante do Vivinho

Restaurante do Vivinho

Flor interessante no quintal do Vivinho - lembra a garra de caranguejo.

Flor interessante no quintal do Vivinho – lembra a garra de caranguejo.

Vista do Restaurante.

Vista do Restaurante.

Na volta fomos para o Bubi, onde preparei camarões ao alho e óleo de entrada e depois um talharim com tomates, aliche, azeitonas pretas e pimenta dedo de moça. O papo rendeu até o final da tarde, quando o sol já ia se escondendo – que hoje não vimos, porque estava nublado. Ventou muito hoje durante todo o dia e as nuvens cobriram o céu quase todo o tempo. Mas, ainda assim, estava tudo maravilhoso.
Vivi foi para o Maiô jantar e tomar um uísque com Alexandre. Fiquei no Bubi, necessito desse momento para minhas reflexões.
Este lugar tem uma espécie de magia, meio feitiçaria, que faz com que eu me sinta completamente feliz.

Ilha da Cotia, 19 de Outubro de 2014.

Café da manhã e depois muito frescobol na praia.
Almoçamos no Maiô o frango que preparei e Gisele cozinhou um espaguete para acompanhar.
Votamos para a Marina no meio da tarde, antes que a maré baixasse muito e nos dificultasse o acesso ao píer. Amanhã tem previsão de uma nova frente fria entrando, com muita chuva.
Logo que atracamos no trapiche da Marina, o vento Sudoeste entrou muito forte, antecipando a previsão, acompanhado de muita chuva.

O super bote do Maiô. O super bote do Maiô.

Paraty, 17 de Outubro de 2014.

Passamos os últimos quatro dias às voltas com vazamento de água no boiler, o que acontece desde que trocamos a resistência que havia queimado. Já fizemos várias tentativas para selar o vazamento, mas não resolveu. E agora, com água doce no poceto, descobrimos que o automático da bomba de porão não está ativando, de forma que ela só funciona quando acionada no disjuntor do painel elétrico. Mais uma vez o eletricista que agendou conosco não apareceu (em Paraty uma das grandes dificuldades que temos é com eletricistas – eles agendam visita e não aparecem nem dão satisfação).
Hoje vamos para a Cotia, com vazamento e tudo.
Saímos da Marina na hora em que soprava um Sudoeste com cerca de 18 nós, empolgadas com a possibilidade de velejar. Largamos o pier e já com a proa direcionada para a Ilha da Bexiga, colocamos no piloto automático e vamos organizando tudo: amarrar melhor o bote no turco, recolher as defensas, tirar as capas das catracas, preparar os cabos que vão ser usados. Quando abrimos a genoa o vento já estava em 15 nós, quase de popa. Desligamos o motor para usufruir daquela sensação maravilhosa que o velejar proporciona. Trinta minutos depois o vento começou a diminuir – 9, 5, 4, 1 nó e o Bubi parou, a genoa panejou e a velejada merrecou. Ainda ficamos uns minutos esperando que ele voltasse, mas, frustradas, ligamos o motor. Mas, navegar é o que importa, então, esta bom do mesmo jeito.
Na chegada à ilha vimos o Maiô ancorado. Depois de um mergulho para lavar a alma, fomos ao encontro deles e lá nos deliciamos com um maravilhoso churrasco.

Trawler Maiô

Trawler Maiô

MIMO – 2014

Trata-se de um movimento artístico-cultural que oferece atividades vinculadas à musica, cinema, patrimônio e educação, e que acontece em cidades históricas. Sabíamos que Edu Ribeiro, baterista do Trio Corrente, estaria entre os artistas convidados – nós o conhecemos desde que era criança, pois Vivi e eu éramos cantoras da banda liderada por seu pai, o guitarrista do Stagium 10 (José Ribeiro) – nos tempos de faculdade – E faz muito tempo! E que bons tempos.

Trio Corrente com Paquito di Rivera

Trio Corrente com Paquito di Rivera

Edu Ribeiro - baterista do Trio Corrente -

Edu Ribeiro – baterista do Trio Corrente –

E aí, abaixo, Rubia e Vivi no palco com a banda Stagium 10, que existe até hoje e é puro sucesso em nossa região. Aquele de bigode e guitarra na mão é o José Ribeiro, pai do exímio baterista Edu Ribeiro.

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Saco do Fundão, 12/10/2014.

Amanhece. A água espelhada em tom verde musgo reflete as imagens dos veleiros e da vegetação ao redor da enseada de forma quase precisa.
Os sons que vem da Mata Atlântica que nos cerca por todos os lados são múltiplos e variados – quantas espécies habitam esse mundo, tão próximas a nós, e nunca as vimos! Reconheço vários sons, alguns deles que ouvi aqui mesmo, quando outras vezes aqui ancoramos, mas não saberia dizer a quem pertencem. A maioria são aves, sei, mas de que cor, que tamanho, que formato?
E na superfície tranquila, peixes saem da água a todo momento, formando círculos perfeitos que vão crescendo em circunferência até desaparecerem por completo. E isso também emite sons semelhantes entre si, mas diferentes em intensidade – às vezes em grupos, às vezes isolados.
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Hoje vamos voltar para Paraty, para a Marina, porque esta acontecendo um evento de música (desde quinta passada) que a Vivi quer assistir, pelo menos no último dia – MIMO – (nome do evento, não que eu a mime).
Ventinho nordeste, quando saímos do Saco do Fundão. Íamos dar aquela velejada de malandro – só abrir a genoa depois que passássemos a ilha do Algodão. O ventinho, só para sacanear, foi morrendo, morrendo, de 6 passou para 4, 3, 2, 1… Não faz mal, ligamos o motor, mas deixamos em rotação bem baixinha, para a navegada durar mais.
Já amarradas no píer, Vivi foi comprar cigarros e eu fiquei lavando o barco – que divertido – de biquíni, sob um sol ainda quentinho, brincando com a fartura de água que só presas a um trapiche é possível. Nossa! muito lodo na âncora e corrente.
Que sensação, pura felicidade!
Depois preparo uma carne assada de panela (uma das comidas favoritas da Vivi).
Alguém nos chama lá fora – Alexandre e Gisele (trawler Maiô) nos visitando. Haviam ido até a Cotia atrás de nós, quando já estávamos de volta. Comeram conosco e depois fomos para o MIMO.

Alexandre - músico e dono do Trawler Maiô

Alexandre

Gisele

Gisele

Saco do Fundão – 11/10/2014

Amanhece e o sol já vem nos brindar com sua luz aquecedora.
Vamos para a praia com o inflável, onde encontramos Ideli e Herman. Caminhamos pela praia, comemos pitanga, que aqui tem aos montes, colhemos dois cachos de bananas.
Tínhamos programado de fazer um churrasco na praia, mas entrou um vento SO intenso que levanta muita areia e resolvemos fazer a bordo do Oceanware. Mas, antes vamos até o Bubi ver se esta tudo bem, porque ele dança ao sabor do vento meio afoito. O fundo aqui é de muito, muito lodo. Quando desembarcamos do inflável, na praia, a Vivi enterrou a perna até o joelho. A gente fica um pouco apreensiva de o barco arrastar, pois o vento esta realmente forte e as montanhas não abrigam muito de SO.
Quando estamos indo para o Oceanware, vimos o Maremio chegando. Eles ancoram e se juntam a nós. Passamos bons momentos juntos, comendo, bebendo, conversando e tomando banho de mar. Vivi remou no stand-up e tomou dois tombos. Coisa de iniciante.

Depois do churrasco - lagarteando sobre as pranchas - Herman, Ideli, Carlos, Roberta e o pequeno Vito.

Depois do churrasco – lagarteando sobre as pranchas – Herman, Ideli, Carlos, Roberta e o pequeno Vito.

Familinha Maremio voltando ao seu barco.

Familinha Maremio voltando ao seu barco.

Agora entardece, o sol se põe atrás da montanha, como todos os dias o faz, e já estamos cada um na sua casinha outra vez. Essa é a melhor parte.
Um sabiá vermelho canta lá ao longe, no meio da mata que cobre as montanhas que nos cercam. Canta incessantemente. Entremeados ao seu canto vários outros pássaros e aves gorjeiam, dando um ar de melancolia ao entardecer. O sol já quase todo escondido atrás da montanha, ainda envia luz que reflete em linha reta sobre a água.

Como não sentir contentamento com uma visão dessa?

Como não sentir contentamento com uma visão dessa?

A lua gentilmente vem nos oferecer sua luz, na ausência do sol.

A lua gentilmente vem nos oferecer sua luz, na ausência do sol.

Ilha da Cotia/Saco do Fundão 10/10/2014

Amanheceu um dia lindo.
Fomos de bote até a praia jogar um frescobol e na volta almoçamos um camarão maravilhoso que compramos direto do barco de pesca, quase vivos.
À tarde, vimos o Oceanware (Herman e Ideli) chegando. Vieram de stand up nos visitar e convidar para irmos para o Fundão. Disseram que o Maremio (Carlos, Roberta e Vito) também esta a caminho para ancorar lá.
Levantamos âncora e lá fomos para o Saco.
O entardecer foi muito lindo.
Vivi pegou o violão e improvisou uns acordes, uma sequência harmônica, e eu coloquei uma melodia onde entoei esse poema:

Cuida bem dessa parte de mim
Que eu te dei
Junto com meu amor
Cuida bem dessa parte de mim
Que ela é tua também.

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O entardecer no Saco do Fundão.

Ilha da Cotia, 09 de Outubro de 2014.

Saímos da Marina só depois do meio-dia, porque tivemos que esperar a maré subir – o Bubi estava quase encalhado.
Estamos indo para a Ilha da Cotia, com um vento de Leste que chegou a 20 nós. O Bubi todo faceiro chegou a enfiar a proa dentro da água, fazendo-a espirrar até o dog-house – “o que é isso Bubi?” Lembrei-me do Marcello, quando diz essa frase, colocando os punhos fechados sobre a cintura e armando um pinico (ou pote de consomé, como preferirem).
Chegamos à Cotia às 15h30min, num dia esplendidamente lindo.
Quando fui baixar a âncora, nenhum sinal. Olhei dentro do paiol e vi que a corrente estava fora do local habitual quando a recolhemos e imaginei: os meninos a lavaram e acionaram o guincho de forma não adequada e provavelmente o disjuntor desligou. Fui até a casa de máquina e não deu outra. Disjuntor religado e o guincho elétrico funcionou normalmente. Sempre causa um pequeno stress, esse tipo de coisa. Mas, faz parte.
Banho de mar, obrigatório na chegada. Depois feijoadinha que trouxe congelada (cozida no sábado passado).
A Cotia é só nossa. Não há mais ninguém aqui.
Já noite vimos um catamarã entrando.
A lua nasceu esplêndida, cheia, refletindo no mar aquela luz prateada. Ficamos tocando violão até a hora de dormir.

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Entardecer – sempre poético.

Paraty, 08 de Outubro de 2014

As duas últimas semanas foram de tempo ruim, chuva, ventos fortes de SO, céu sempre nublado. Mas, nem por isso ficou monótono, porque os programas de terra também são divertidos.
Ontem, Seu Uriel fez a revisão do motor (520h).
O mergulhador limpou o casco e trocou o anodo de serviço, que estava no osso.
Tudo perfeito. Só falta navegar, o que faremos amanhã.