O Caribe é lindo.
Florianópolis é lindo.
Angra dos Reis e Paraty são lindos.
O Brasil é lindo!
Existem aqueles que preferem o mar em tom de azul.
Outros que o preferem em tom de verde.
Nós, particularmente, gostamos dele de qualquer cor.
Se for para morar a bordo de um veleiro, sem qualquer dúvida, optamos por Angra dos Reis e Paraty – mar sereno, ventos brandos, povo amável e aquela sensação indispensável de estar em casa.
Pricklys Bay/Trinidad/Panamá -Dia 63
Caribe, 08 de Janeiro de 2014.
Acordamos muito cedo, nem tomamos café. Álvaro nos leva com o bote de apoio até a Imigração, para darmos a saída do país, já que havíamos chegado de veleiro. Na véspera, havíamos reservado uma van (taxi), que viria nos buscar às 10 horas (nosso voo seria às 13:30h). Saímos da Imigração às nove horas e o taxi já estava a nossa espera. Despedimos-nos de Álvaro, um amado amigo que teremos sempre em nossos corações, e rumamos para o aeroporto. Chegamos tão cedo, que anteciparam nosso voo para às 11:30h.
Ficamos no aeroporto internacional de Piarco (Port of Spain – Trinidad) até 17:41h, quando embarcamos para o Panamá, com chegada às 19:56h. Dizem que o Panamá tem um Free Shop maravilhoso, mas não compramos nada. Eram 21:44h quando embarcamos novamente, agora com rumo ao Brasil – Porto Alegre (RS) – em classe executiva, porque havíamos feito um up grade antes de embarcar (fiquei decepcionada, porque a única diferença é a atenção que a tripulação lhe presta a bordo do avião, oferecendo bebidas e comidas diferentes daquelas da classe econômica, e o que eu queria mesmo era mais conforto para dormir, o que não aconteceu, embora a poltrona fosse um pouco mais larga, só.
No dia seguinte, 09 de Janeiro, as 07:58h chegamos ao Brasil e, depois de mais uma escala, às 11:00 horas chegamos à Ilha da Magia – Florianópolis. Indescritível a sensação de contentamento e alegria!!!!!!
Caribe – Dias 61 e 62
Pricklys Bay, 06-07 de Janeiro de 2014.
Chove e faz sol, intermitentemente, nos dois dias.
Do veleiro Sotália, que está ancorado próximo a nós, logo cedinho, Marina nos abana e manda beijinhos soprados na palma da própria mão.
Rodrigo convida a Vivi para mergulhar, vamos de bote até uma baía onde ele costuma pegar lagostas, mas a água está muito turva e o céu já anuncia muita chuva forte outra vez.
Nossos pensamentos não dão espaço para mais nada que não seja retornar para nossa casa. Lembro-me da música de Milton Nascimento – “coisa que gosto é poder partir sem ter planos, melhor ainda é pode voltar quando quero”.
Já estamos organizando nossas coisas para a viagem de amanhã e a sensação de felicidade já é maior do que a de ansiedade.

Caribe – Dia 60
Port Louis – Pricklys Bay, 05 de Janeiro de 2014.
Amanheceu um lindo dia. Nossa ansiedade diminuiu bastante, porque estamos com as passagens compradas, finalmente. Já estávamos quase nos sentindo prisioneiras no Caribe, sem poder voltar para casa. Daqui a três dias estaremos embarcando, embora, se fosse da nossa vontade, iríamos já amanhã.
Cada pessoa tem um ritmo diferente que deve ser entendido. Vivi e eu gostamos de estar com o barco em águas onde possamos nadar, mergulhar, desfrutar de toda a energia que o mar proporciona. Isso não é possível se o veleiro está parado no trapiche de uma grande marina. As coisas de terra quase nunca nos interessam quando estamos a bordo. Especialmente em função disso nossa vontade de voltar para casa é tão intensa.
Estamos tomando café da manhã no restaurante da marina, quando Álvaro chega e nos fala que ele e Grazziella conversaram e propõem voltarmos para Pricklys Bay, onde poderemos ficar na âncora, em águas transparentes e limpas.
No meio da tarde estamos navegando para lá. Maravilhoso! Muitos banhos de mar.
Para o jantar, Grazziella prepara uma deliciosa comida mexicana e Rodrigo, Carla e Marina vêm jantar conosco.
Caribe – Dia 59
Port Louis, 04 de Janeiro de 2014.
Amanhece com garoa sob um céu acinzentado; na primeira trégua da chuva, Vivi e eu vamos até o restaurante da marina, I Pad embaixo do braço, para o café da manhã e acesso à Internet – nossa reserva foi ou não confirmada? Nenhuma mensagem, para nosso desolo.
Retornamos ao veleiro e, quando já era mais de meio dia e Graziella ainda estava dormindo, combinamos com Álvaro que iríamos encontrar com Rodrigo em Pricklys Bay e esperaríamos por ele e Grazi lá.
Pegamos um taxi na própria marina – também uma van, como todos os taxis do Caribe, mas exclusiva para nosso uso – e fomos encontrar a familinha querida (Rodrigo, Carla e Marina).
Passamos um dia maravilhoso com eles, sem contar os banhos de mar. Álvaro e Graziella não apareceram.
No final do dia fomos para o restaurante daquela marina, comemos pizza e Carla comprou todas as nossas passagens até o Brasil – de Grenada até Trinidad, depois Trinidad até Porto Alegre (com escala no Panamá) e, finalmente, Porto Alegre até Florianópolis.
O que havia acontecido de errado na compra anterior: a edestinos.com (onde sempre compramos nossas passagens on line) não opera com as empresas aéreas que fazem voos entre as ilhas do Caribe, e nossa compra incluía voo de Grenada para Port of Spain – aeroporto internacional de Trinidad & Tobago. Então, pergunto: por que a edestinos.com nos ofereceu a compra do que não tem em contrato, não nos remeteu mensagem informando que a reserva não havia sido efetivada, nem respondeu ao e-mail que enviamos solicitando informações sobre a reserva? É uma empresa cujos serviços não usaremos mais.
Claro que Carla não usou a edestinos.com para comprar nossas passagens on line. Mas, cá para nós, nada como ter gente jovem por perto, tudo parece mais fácil.
Port Louis – Dia 58
Port Louis, 03 de Janeiro de 2014.
Amanhece com sol e chuva intermitente, outra vez. Depois do café da manhã, já estamos no restaurante para acessar a Internet e ver se a reserva de nossas passagens foi confirmada. Nada ainda. Vivi fica mais desolada do que eu.
De volta ao veleiro, ainda no trapiche, quem vemos? Rodrigo, Carla e Marina. Seu barco continua em Pricklys Bay, eles vieram até aqui de taxi, porque Rodrigo precisava comprar uma cola especial, que lá não encontrou, para fazer algum reparo em seu veleiro. Aproveitamos a presença do nosso amigo faz tudo, para serrar aquele atum Albacora que a Vivi ganhou lá em Trinidad e que mantivemos congelado no freezer. A serra com a qual ele tentou fazer o processo partiu-se logo na primeira tentativa, mas ele foi um sucesso com um facão e um martelo, transformando o lindo peixe em postas ainda congeladas, para que pudessem ser cozidas na medida do necessário (porque o peixe era enorme, de forma que só um batalhão para comê-lo de uma única vez). Grande Rodrigo!
Descongelo duas postas que cozinho lentamente em azeite de oliva. Separo as lindas “pétalas” do maravilhoso peixe e acrescento cebola fresca picada, sal, pimenta do reino e mais azeite de oliva. Uma torradinha para acompanhar e nada mais.
Aquele pescador de outro dia vem e nos oferece caramujos de conchas gigantes – compramos dois deles – pensando num sashimi, já que seu sabor cru é apropriado. Coloco-os na geladeira.
Combinamos com Rodrigo e Carla que amanhã vamos de taxi até onde eles estão – Pricklys Bay – para curtirmos muito banho de mar (aqui o mar não é apropriado para banho, porque estamos muito próximos da cidade).
Port Louis – Dia 57
Port Louis, 02 de janeiro de 2014.
Vivi acorda tão ansiosa com a ideia de ir para casa que não quer nem tomar café, mas ir direto ao restaurante da marina para acessar a Internet e comprar as passagens. Então, vamos tomar café da manhã lá.
Os preços das passagens são absurdamente diferentes de uma data para outra e em relação ao destino pretendido – para Florianópolis o preço é de R$ 8.000,00; para o Rio de Janeiro R$ 10.000,00 cada passagem. Lembramos que são cidades litorâneas com muita procura nessa época de temporada. Assim, resolvemos buscar o destino em Porto Alegre (RS) – US$ 950,00 cada uma. Fizemos a compra via edestinos.com e recebemos uma mensagem, minutos depois, dizendo que a compra havia sido realizada, mas que deveríamos aguardar a confirmação da reserva, o que deveria acontecer em 48 horas.
Á tarde, fomos conhecer a cidade – atravessamos a pequena baía com o bote inflável e caminhamos pelos arredores. Como nas outras ilhas que conhecemos, a população é negra e os raros brancos que se vê são turistas. É legal ver países onde os negros são os donos e não subempregados, como no nosso ou em tantos outros.
Comemos alguns petiscos no restaurante cuja placa dizia ser especializado em Crabs (caranguejos) – ledo engano, porque eles não os servem em sua própria casca, mas desfiados e misturados a uma série de temperos que mascaram o gosto dessa preciosidade do mar. E caranguejo é uma de minhas comidas favoritas. Mas o restaurante era à beira mar e o por do sol foi lindíssimo, valendo a pena estar ali.

Lá a cidade que fomos conhecer de bote. É legal, porque tem um atracadouro, ao longo da calçada, que possibilitam isso
Port Louis – Grenada – Caribe – Dia 56
Port Louis, 01de Janeiro de 2014.
Amanheceu chovendo e ventando forte, mas o sol voltou a brilhar ao longo do dia. Chove e faz sol de forma intermitente, bem típico de Caribe.
Todos ainda dormem e vou passear pela marina. Tudo fechado, inclusive o restaurante; vários trabalhadores desmontando a estrutura montada para o réveillon.
Vivi acorda depois do meio dia. Resolvemos ontem à noite que queremos ir embora, porque já estamos muito tempo fora de casa. Amanhã compraremos as passagens.
Na volta, coloco a carne de porco para assar, temperada desde ontem, e preparo uma farofa com cebola queimada.
Álvaro e Graziella acordam depois das 16 horas, na maior ressaca. Perguntamos sobre a festa e estes dizem que estava mais ou menos – espumante à temperatura ambiente e cerveja quente também; nenhum tripulante dos barcos aqui ancorados (que são muitos, os trapiches estão lotados) foi à festa da marina, todos ficaram em seus próprios barcos, tinha uma multidão, mas de habitantes locais.

Port Louis – Grenada – Dia 55
Secret Bay, 31 de Dezembro de 2013.
Fazemos um passeio de bote inflável pelas redondezas, conhecemos o Iate Clube local, que estava deserto e resolvemos navegar para Prickly Bay, onde o veleiro Sotália e Rodrigo devem estar desde ontem.
Logo que chegamos naquela baía vislumbramos o Sotália, mas eles não estavam a bordo. Ancoramos e de inflável fomos até a Imigração dar entrada no país. No trajeto, encontramos Rodrigo com Carla e Marina, que voltaram e foram conosco mostrar o caminho dos trâmites burocráticos.
Uma gelada no bar da marina, que é bem legal e ao ar livre, depois de volta ao veleiro e muito banho de mar.
Rodrigo vai ficar e passar a virada de ano aqui em Prickly Bay, mas Álvaro e Graziella querem ir para Port Louis Marina, considerada a melhor e mais cara marina de Grenada, imaginando que o réveillon lá vai ser mais animado e chique.
Vivi e eu queríamos ter ficado, Rodrigo convidou-nos a ficar com eles no Sotália, mas não achamos elegante de nossa parte eles irem e nós ficarmos.
Assim, às 14h e 15min levantamos âncora novamente e partimos para Port Louis. Chegando, pedimos para Graziella fazer a chamada de rádio VHF, já que o inglês dela é melhor do que o nosso, e pediram para esperarmos que um bote de apoio viria nos mostrar a vaga e ajudar na atracação. A marina é enorme, com vários trapiches para atracação, quatro deles reservados especialmente para iates (a vela ou a motor) de grande porte – acima de 100 pés.
Logo que atracamos vieram nos oferecer lagostas e caranguejo. Claro que compramos e nos deliciamos. Provei, ainda, ova crua de lagosta (indescritivelmente deliciosa) e caramujo de concha gigante cru, oferecidos pelo pescador que nos vendeu as lagostas.
Vivi preparou lentilha para a nossa ceia e depois da meia noite Álvaro e Graziella foram para a festa e Vivi e eu preferimos ficar a bordo – como sempre fazemos.
Velejando para Grenada – Dia 54
Trinidad – Secret Bay – 30 de Dezembro de 2013.
Acordo no meio da noite e fico esperando que Álvaro venha nos chamar para partirmos, curtindo uma preguiça e aquela vontade de dormir mais um pouquinho. Sei que meu cérebro tem um despertador, fazendo-me acordar na hora planejada, de forma que, como o Álvaro não apareceu, levanto, ascendo a luz do camarote e olho no relógio – 03h 20min. Chamo a Vivi e corro a bater na porta do camarote da proa, várias vezes, até que ele acorde.
Subimos ao convés e ele vai ao GPS traçar o rumo, quando lhe digo: – deixa isso para depois, quando já estivermos navegando, não podemos perder tempo, pois, de outra forma, chegaremos em Grenada já noite.
Ele liga o motor e eu vou para a proa soltar o barco da poita. Fazemos tudo tão rápido que às 03h 40min já estamos navegando dentro da baía, depois no canal, seguindo sempre a rota gravada quando de nossa chegada, por segurança e para evitar as várias poitas que existem dentro daquela baía. Eu permaneço na proa, agarrada no estai, tentando observar qualquer obstáculo.
São 04h 20min quando saímos do canal e abrimos a genoa e em seguida a vela grande.
Quando são seis horas da manhã, dia já claro, Álvaro sugere iniciarmos nossos turnos e Vivi e eu vamos dormir. Voltamos às nove horas, para que Álvaro fosse descansar. Grazziella permaneceu dormindo desde nossa partida – ela não vai participar dos turnos, até porque ela não entende nada de velejar, segundo suas próprias palavras. Além do que, não há necessidade, são apenas doze horas de velejada.
Vivi e eu estamos felizes fazendo nosso turno, felizes de velejar outra vez, depois de tantos dias paradas. O vento de través em torno de 18 nós, mar um pouco mexido, como sempre, vela grande rizada e genoa toda aberta. Maravilhoso! E os peixes voadores fazendo o seu show, em cardumes enormes.
Às 12 horas, o vento aumenta para 22 nós e acordamos o Álvaro para rizarmos a genoa; em seguida o vento sobe para 25 nós. Havíamos visto a previsão do tempo e a informação era de que o vento, no final da tarde, chegaria a mais de 35 nós, o que se confirmou, mas chegamos à Secret Bay, já em Grenada, antes disso – às 15h e 20min.
Vivi desceu e preparou macarrão com sardinha quando estávamos chegando. Álvaro escolhe um lugar para ancorarmos e vou na proa para largar a âncora.
O lugar é lindo e o banho de mar sensacional.
















