Ilha da Cotia – Uma Semana no Paraíso

Ilha da Cotia, 18 de Abril de 2013.
Hoje é um dia especial, dia em que completo 59 anos de vida e amanhecer nesse paraíso é o melhor presente que eu poderia ter. O dia está lindo, o sol brilha no céu e o mar está transparente.
A vida é tão breve que chega a assustar. Tudo passa muito depressa, quando nos damos conta já nos sobram poucos verões. Quando se é mais jovem, parece que temos todo o tempo do mundo, como se ele, o tempo, fosse infinito. Talvez seja, para o conjunto, o todo, mas não para nós individualmente. O tempo é finito, por isso cada segundo tem que ser vivido e sentido como único, tem que ser sugado com toda a sede de viver que possuímos. A beleza da vida é essa, viver cada momento como se ele fosse único.
São nove horas da manhã e os turistas franceses que chegaram ontem no catamarã de charter, já estão todos na água e nadando para a ilha, alguns indo de inflável.
Fazemos a leitura do barômetro e termômetro (1032 e 17), confirmando a continuidade desse tempo maravilhoso.
Depois de vários banhos de mar e uma deliciosa canja de galinha que sobrou do jantar de ontem, resolvemos ir até a marina, para ter sinal nos celulares, porque os familiares vão ligar e ficarão preocupados.
Fazemos outra navegada maravilhosa.
À noite, vamos jantar no Banana da Terra – em nossa opinião, o melhor restaurante de Paraty.

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Restaurante Banana da Terra

Restaurante Banana da Terra

Ilha da Cotia – Uma semana no Paraíso

Ilha da Cotia, 17 de abril de 2013.

Amanheceu um maravilhoso dia. A noite foi tranquila, mas, confesso, quando paramos de tocar violão e fomos dormir, senti certa aflição – estamos aqui sozinhas e isoladas, sem comunicação. Senti-me indefesa.
Pela primeira vez na vida, desde o ano de 1991, quando dormimos pela primeira vez a bordo, fechamos todo o barco, chaveando, inclusive, a gaiuta da entrada principal e travando todas as outras por onde uma pessoa pudesse passar. Nunca, até então, havíamos fechado o barco à chave para dormir. E mais: desembainhei o nosso facão (facão mesmo, daqueles de derrubar mata) e o levei para a cabeceira da cama.
Mesmo assim, tive pesadelos durante toda a noite, ouvindo passos sobre o convés (nos sonhos), em dúvida se estava dormindo ou acordada, procurando o facão, preocupada também que roubassem o Chico Só.
Enquanto tomamos café no cock-pit, observo um veleiro chegando. Tive uma sensação boa, de alívio.
Embarcamos no Chico Só e vamos até a prainha, onde conhecemos o casal que chegou a bordo do veleiro Yahgar – uma simpatia.
A água hoje está mais transparente do que nunca, de uma beleza deslumbrante.
De volta ao Bubi, a Vivi volta a colocar carvão na churrasqueira, porque ontem acabamos ficando no Choripan e a fraldinha voltou para a geladeira.
No final da tarde chegou outro veleiro – Astral – e, ao anoitecer, mais dois: um de bandeira francesa, com dois mastros – Galileu – e um catamarã – Catiguruçá.
Fazemos a leitura do barômetro e termômetro (1020 e 20º C) – tempo bom, oba!
Outra vez violão antes de dormir e um sono repousante, dessa vez sem pesadelos.

Vivi e sua churrasqueira - assa uma cane como niguém.

Vivi e sua churrasqueira – assa uma cane como niguém.

Esse é o Chico Só.

Esse é o Chico Só.

A fraldinha como deve ser servida, sangrando

A fraldinha como deve ser servida, sangrando.

Hoje temos companhia.

Hoje temos companhia.

Ilha da Cotia – Uma Semana no Paraíso.

Paraty, 16 de abril de 2013.
Programamos de passar uma semana na Ilha da Cotia. Vivi, eu e o Bubi. Ah, e o Chico Só (nosso bote inflável). Largamos o cais e vamos até a Marina Porto Imperial para abastecer de diesel. Só quando estávamos saindo do posto de abastecimento é que lembramos que o Chico Só havia ficado em terra, onde ele é guardado quando estamos na nossa marina. Passamos um rádio para lá e combinamos de eles nos entregarem o inflável quando estivéssemos passando de volta em frente àquela marina (a Porto Imperial fica para o lado oposto ao nosso destino).
São 13 horas, o Chico Só já foi içado na targa e lá vamos nós, num lindíssimo dia de sol, pouco vento e céu azul. Quando estamos com a ilha do Algodão por bombordo, entra um vento de sudoeste bastante intenso, passando de vinte nós na rajada, no famoso “corredor” formado entre aquela ilha e o continente, onde o vento acelera quando desce as montanhas.
Na Cotia, só nós, nenhuma viva alma, provavelmente porque estamos em plena terça feira, não num fim de semana. Ah, que privilégio, a Ilha da Cotia é só nossa. Isoladas do mundo, porque aqui o celular não tem sinal, a televisão não pega, o VHF (rádio do barco) tampouco funciona. Se existe paraíso, deve ser igual a esse lugar.
Vou esquentar um caldinho de feijão, enquanto a Vivi prepara a churrasqueira para assarmos linguiça e uma fraldinha. Entre o feijão e o churrasco, um maravilhoso banho de mar. A água está incrivelmente transparente, gostosa demais.
A Vivi prepara Choripan para nós – linguiça dentro do pão de trigo aquecido, com molho vinagrete apimentado. Um espetáculo! Depois a fraldinha.
A Vivi escreveu no Dário de bordo: “o Bubi está só rodando com as rajadas de vento, sinto que ele também está feliz”.
Às 17h e 35min fazemos a leitura do barômetro e termômetro (1017mB e 21º C), porque aqui tem que ser à moda antiga, para prever o tempo, já que a Internet não existe. E por falar nisso, nós somos do tempo em que não havia telefone celular, assim, quando estávamos a bordo e precisávamos falar com alguém em terra, chamávamos a Itajaí Rádio (na nossa região de Floripa) pelo rádio VHF e esta transmitia a ligação do rádio para o telefone fixo que desejávamos. E vice-versa, quando alguém em terra precisava nos contatar. O meu pai, Betinho, adorava nos chamar através da Itajaí Rádio só para conversar fiado e dizer que estava com saudades. Era uma grande e amada figura, o meu pai Alberto. Saudades, meu velho!
Anoitece muito rápido, tocamos violão, cantamos, depois vamos dormir, quase com as galinhas.

Ninguém à vista..

Ninguém à vista…

Nem aqui...

Nem aqui…

Nem aqui...

Nem aqui…

 

 

 

 

Ilha Grande à Angra dos Reis

Ilha Grande à Angra dos Reis (09/04/2013).

O dia amanheceu nublado, cara de chuva. Estamos com pouco diesel no tanque e resolvemos que vamos até a Verolme Marina (Angra dos Reis) para abastecer, assim temos uma boa razão para navegar apesar do tempo pouco convidativo. Depois vamos voltar para a Ilha Grande, para a comunidade do Abraão, onde pretendemos encontrar nossos amigos Neila e Ricardo (veleiro Iratembé).
Ponho o feijão no fogo para requentá-lo e sirvo em canecos. Gostoso comê-lo no cock-pit observando o mar entre a Ilha Grande e o continente, sob um céu cada vez mais escondido em nuvens escuras.
Chegando à Verolme, estranhamos que não havia viva alma no posto de combustível. Quando já havíamos amarrado o Bubi no píer, surgiu um marinheiro no bote de apoio daquela marina, informando-nos que era dia de folga e que o posto estava fechado. Pode?! Embora absurdo, pode.
Não distante dali, existe a marina Piratas, mas o detalhe é que lá não existe o diesel que temos usado – o Verana, da Petrobrás. Esse sim é diesel. Os outros são lixos disfarçados de combustível, de tantas impurezas que contêm. A própria Petrobrás oferece também o diesel lixo, se você quiser pagar menos. Enfim, coisas de Brasil, onde tudo é possível.
A chuva começou a cair e resolvemos voltar para Paraty, porque na marina Porto Imperial, vizinha do Farol de Paraty (onde o Bubi mora) tem o diesel que queremos.
Esquento a sobrinha do feijão, para tomar na caneca, levantamos a vela grande, e fazemos uma navegada sob chuva, mas ainda assim, gostosa. Durante a navegada, vou preparando um frango ensopado e polenta, que vou servir quando chegarmos “em casa”.

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Ilhas Botinas – cartão postal de Angra dos Reis – no nosso trajeto, num dia chuvoso

 

 

 

 

Ilha Grande – Sítio Forte

Ilha Grande – Sítio Forte (08/04/2013)

Um belo café da manhã e, depois, aquele banho de mar merecido, num outro dia lindo de sol. A transparência da água é inacreditável, permitindo-nos ver com detalhes os peixes (carapaus) que nadam ao redor do barco.
Numa pedra submersa próxima ao local onde estamos ancorados, três garoupas vadiam faceiras e são vistas pela Vivi e Serginho, que estão mergulhando nas redondezas.
O dia passa tão rápido que, quando nos damos conta, a noite já está presente. Novamente o violão é levado ao cock-pit, onde a Vivi nos encanta com belas músicas. E as crianças grandes vão dormir, porque brincaram o dia todo na água e sob o sol. Estão cansadas de tanto brincar e não de trabalhar, como verdadeiras crianças.

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Vivi curtindo os carapaus

Vivi curtindo os carapaus

Paraty à Ilha Grande

Paraty à Ilha Grande (07/04/2013)

Depois de cinco dias “estacionadas” no píer da marina, quase mofadas em função da chuva, o sol voltou para nos atiçar a vontade de navegar. São 8h50min quando soltamos os cabos de proa e popa com rumo à Ilha Grande. Uma brisa de leste, mar calmo com ondulações menores do que um metro, vela grande em cima, motor a 2500 giros e navegando a sete nós de velocidade. O piloto automático funcionando, depois que o deixamos girar os 360 graus que ele sempre exige antes de obedecer ao rumo que determinamos (ainda não encontramos alguém para calibrá-lo corretamente).
Rumo traçado no GPS – 25 milhas náuticas – hora prevista de chegada 12h20min.
Exatamente no tempo previsto, estávamos entrando na baía do Sitio Forte, depois de uma navegada relaxante.
Um gostoso banho de mar e vamos ao bar do Lelé, comer um peixinho frito, onde conhecemos o Alemão, do veleiro Sufoco – que perguntou se conhecíamos o Mauro Jacomel, do Bandoleiro – que ele conheceu anos atrás ali mesmo no Sítio Forte. Claro que o conhecemos, é nosso amigão em Floripa.
De volta ao Bubi, comemos aquele feijãozinho guardado desde a partida de Paraty.
Noite de bons sonhos, num ancoradouro esplêndido, com direito à lua, estrelas e um violão.

Sítio Forte (Ilha Gande)

Sítio Forte (Ilha Gande)

Bar do Lelé no Sítio Forte

Bar do Lelé no Sítio Forte

 

 

 

Ilha da Cotia ao Saco do Mamanguá (Paraty Mirim)

Um novo dia, um novo sol, uma nova alegria. Durante a noite parecia que o barco estava em terra firme, nenhum balanço de mar. Uma piscina.
Acordei com o raiar do sol, coei um café fresquinho, da hora, como sempre faço em terra ou no mar e fui degusta-lo no cock-pit, observando toda aquela exuberante natureza que nos cercava, enquanto a Vivi permanecia dormindo.
Depois Serginho e eu, fomos com o bote inflável, conhecer os arredores do continente que fica bem próximo da ilha. São vários sacos, onde a mata Atlântica desce a montanha esplendorosamente até encontrar o mar ou, em alguns pontos, o manguezal. Foram quase duas horas margeando uma natureza quase intocada pelo homem. Não levei a câmera, infelizmente, para documentar.
De volta ao Bubi, Vivi já estava acordada e fomos, com o inflável, até a prainha da ilha, onde encontramos os queridos amigos do veleiro Maremio. Combinamos de navegar até Paraty Mirim e Saco do Mamanguá, para almoçar no Dadico – restaurante que eles costumam frequentar naquela região.
Levantamos âncora e rumamos para o Mamanguá. Já havíamos navegado naquela região no tempo do nosso outro veleiro – Shaeffer 31 pés – de nome Bubi também. Mas, com nosso atual veleiro, que carinhosamente apelidamos de Bubão, por ser maior, seria a primeira vez. Temos a informação de que aquelas águas são pouco profundas e que com o calado de 2,10m do veleiro poderia ser temeroso. No entanto, com o Maremio navegando na nossa frente e tendo o mesmo calado, nos sentimos seguras de segui-lo, para aprender o “caminho das pedras”.

Chegando ao Saco do Mamanguá

Chegando ao Saco do Mamanguá

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A recomendação do restaurante do Dadico valeu. Comida maravilhosa num lugar paradisíaco e rústico.

A recomendação do restaurante do Dadico valeu. Comida maravilhosa num lugar rústico e paradisíaco.

Maremio e Bubi sossegados enquanto estamos no restaurante

Maremio e Bubi sossegados enquanto estamos no restaurante

 

 

 

Ilha dos Cedros à Ilha da Cotia

Foi uma noite bem tranquila, mar sereno, sem balanço, bom para dormir.
Amanheceu um dia lindo de sol.
Combinamos com Roberta e Carlos (veleiro Maremio) uma velejada até Pouso da Cajaíba, para depois rumarmos para a Ilha da Cotia, onde pretendemos dormir, por ser muito bem abrigada.
São 10h e 45min quando levantamos âncora. Içamos a vela grande e, tão logo deixamos o Cedros por bombordo, abrimos a genoa. Bem ali, logo adiante de nós, o Maremio. Parecíamos crianças, regateando, caçando o outro veleiro, regulando finamente as velas para que eles não se distanciassem. O Maremio é um Beneteau de 45 pés, mais leve e possivelmente mais veloz do que o Bubi. Mas que nada, mantivemos a mesma distância do começo da navegada.
Quando nos aproximávamos da Ilha do Algodão, percebemos que o Maremio arribou e, já no embate da ilha, enrolou a genoa. Perguntamos: o que houve? Ao que Roberta respondeu: a criança aqui, apontando para ela mesma, está com fome… vamos direto para a Cotia para almoçar.
Ancoramos na tranquila Cotia e preparei a fraldinha na frigideira, porque não achamos o carvão. Mas ficou uma delícia assim mesmo. Roberta, Carlos e o filhote Vitório também provaram.
Mal anoitece e já vem aquela vontade de dormir. No barco é sempre assim, porque os dias são muito intensos.

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Paraty à Ilha dos Cedros

Nesse final de semana, Páscoa, vai ocorrer um encontro da ABVC (Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro) na Ilha dos Cedros. Lá vamos nós.
São 10h10min quando saímos da Marina Farol de Paraty. A quilha deu uma topada na laje de uma poita, fazendo um ruído alto e assustador. Que droga, eles andaram mexendo e remexendo as poitas de lugar mil e quinhentas vezes, para fazer mais espaço para barcos e, com isso, faturar mais. Não tem como saber onde elas estão, porque as boias não flutuam exatamente acima delas. Na volta vamos nos inteirar desses fatos com a gerência local.
Vamos até a Marina Porto Imperial para abastecer o tanque do inflável (jogamos a gasolina velha fora) e aproveitamos para comprar uma carne, que dizem ser de ótima procedência – uma fraldinha (Vessel).
O vento é bem na cara, vela grande em cima só para estabilizar o barco (e precisa, nessas águas tão calmas?). Mas hoje o mar lembra o nosso lá do sul, com vagas um pouco altas como ainda não tínhamos visto por aqui. Mas as águas estão calmas, nem de longe como as nossas em dias de mar alto.
Desembarcamos na Ilha dos Cedros para confraternizar com os velejadores e descobrimos um novo cantinho abrigado nessa ilha. Das outras vezes em que aqui estivemos jogamos âncora na baía que antecede essa onde estamos hoje. E essa é muito mais bonita.

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Novo cantinho na Ilha dos Cedros

Novo cantinho na Ilha dos Cedros

Churrasco na praia com os velejadores

Churrasco na praia com os velejadores – 28 veleiros – churrasqueiras improvisadas na areia

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Matando a Saudade de Navegar em Floripa.

Passamos um dia maravilhoso a bordo do veleiro Split, de nossos amigos Marcello e Guta. O dia estava lindo, com mar bastante agitado, mas fomos nos abrigar nas águas tranquilas do Tinguá, para o almoço – Marcello grelhou um lindo carré de ovelha.
O Luciano e a Valéria amadrinharam sua lancha no Split e vieram almoçar conosco.

Tnguá - Split

Tinguá - Split - Rubia

Tinguá - Split - Vivi

Tinguá - Split

Anoitecendo no Tinguá – lindo como sempre.