Visita de Paulo Motta e Marcela

No feriadão de finados recebemos a visita do casal de amigos Paulo Motta e Marcela. Choveu durante todos aqueles dias, muito. De qualquer forma, curtimos muito a bordo, fizemos comidinha, levamos eles para conhecerem Paraty e no sábado, com chuva e tudo, fomos para a ilha da Cotia. Não podíamos deixar de dar uma navegada com eles.

Paulo Motta e Marcela, queridas companhias.

Nossos amigos velejadores (vizinhos na Marina Farol de Paraty) – almoço num restaurante da Praia Grande – Alexandre, Bia, Neila, Ricardo, Vivi, Paulo, Marcela, Roberta e Carlos).

 

Praia Grande – linda, como tudo naquela região.

 

Praia Grande

Limpando Cracas

As águas de Parati são muito “férteis”, porque aquecidas e cristalinas, são propícias para a vida marinha. Assim, a cada mês, os cascos dos barcos devem ser limpos, independente da tinta envenenada estar nova ou não. As cracas do Bubi foram removidas há duas semanas (pelo marinheiro que contratamos), mas hoje a Vivi observou que as danadas já estão de volta. Resolveu, então, dar uma raspada, para a felicidade dos peixes que a seguiam para pegar as “sobras”.

Chuva Que Deus Dá.

Semanada programada para a Ilha Grande abortada. A semana iniciou com ventania, nos acordando às cinco horas da manhã, fazendo parecer que o Bubi ia desgarrar do pier, tamanha a força do vento soprando de sudoeste (mais de 40 nós, presumo). Depois, ao longo de todo o dia, chuva, trovoadas, relâmpagos mil. Mas, a bordo, tudo é bom, até tempestades tropicais. Hoje já é quinta feira e os episódios de chuva continuam.

É lindo ver a chuva caindo no mar.

Já que chove, nada melhor do que um bom vinho e alguns queijos. Aqui com nossos amigos e vizinhos de pier – Ricardo e Neila (veleiro Iratembé).

Morando dentro do aquário.

Cardume de Carapau – todos os dias rodeiam o barco.

Moramos dentro de um aquário. A qualquer hora do dia, observando o mar que nos cerca, podemos ver peixes nadando de um lado paro o outro, vindo à superfície e depois mergulhando, lambendo os cascos dos barcos ao redor (beliscando o limo e as cracas). O cardume de bagres é enorme; eu digo que eles parecem mini-tubarões, são carnívoros e adoram os restos de carne que jogamos no mar. Os agulhões todos os dias vem e me olham nos olhos, pedindo que eu jogue pão. As tainhas e paratis rodeiam o barco com as cabecinhas para fora da água e bocas abertas na superfície, como se aspirassem algum alimento ali boiando. À noite, é hora dos robalos, que passam sob os cascos de forma soturna.

As andorinhas voltaram a querer fazer ninho dentro da nossa vela mestra. Todos os dias elas pousam nas escotas da genoa e ficam dando vôos rasantes em direção a abertura da vela junto ao mastro. Sempre que vemos, as espantamos, porque não queremos que elas percam outro ninho (noutro dia saímos e, ao levantar a vela mestra, caiu um ninho, por sorte sem ovos ou filhotes).


Os bentivis todos os dias vêm roubar a ração da Lua, a cachorrinha do barco ancorado no outro lado do nosso trapiche. Por falar no assunto, noutro dia, a mãe bentivi estava a ensinar o seu filhote (marmanjo, já do tamanho da mãe), onde buscar comida – no cock-pit da traineira. O filhote chorão hesitou em descer do bordo do barco, mas, com a insistência de sua mãe que o chamava, ele foi. Segundos depois, a mãe surgiu de volta ao bordo, chamando-o de volta, sem que este a obedecesse. Eu não podia vê-lo, contudo ouvia a algazarra que ele fazia, piando forte entre uma engolida e outra. A mãe voou para outro barco e, um tempo depois, lá vem o filhote voando meio desasado e assustado, aos “gritos” com a Lua ao seu encalço – au, au, au, au!!! Até então, ele esperava sobre o pier que sua mãe trouxesse as bolinhas de ração para colocar em seu bico sempre aberto entre um pio e outro, mas não se deu conta de que a regra era: pegar a bolinha de ração e zarpar rápido para o trapiche antes que a dona se desse conta do roubo. Acho que ele aprendeu, porque agora ele entra e sai rápido com a comida no bico e vem engoli-la sobre o trapiche. Ele é muito lindo e ainda não sabe cantar – bentivi – como os de sua família, mas todos os dias percebo que ele treina e já tira um som que lembra o canto dos seus.

A mãe bentivi alimentando o pequerrucho no bico.

Primeira Regata Internacional de Veleiros Clássicos Paraty 2012

Regata de Veleiros Cássicos é simplesmente emocionante. Anteriormente ela só ocorria em Búzios e Angra dos Reis e neste ano ela aconteceu também em Parati, entre os dias 19 e 21 de outubro, tornando-se internacional, com a participação de veleiros franceses, argentinos e brasileiros. E todas as festividades ocorreram na Marina do Farol, onde estamos com nosso veleiro.

Trapiche destinado aos veleiros da regata.

O Maracatu – dos queridos amigos Hélio e Mara.

Clássico do Lars Grael.

Clássicos de todos os tamanhos. Lá atráz, no outro pier, a direita do Trawler, o Bubi.

 

O trajeto da regata foi: largada ao lado da Ilha Rasa, Ilha dos Mantimentos por bombordo, montar a Ilha Rapada por bombordo e chegada próxima à Ilha da Bexiga.

Montando a Ilha Rapada.

Cardápio para Gelike

Dia 09 de outubro, dez dias depois de ter chegado, Gelike voltou para Floripa. Estamos aqui observando nosso diário de bordo manuscrito, feito diariamente, onde pequenos detalhes são registrados. Eis o cardápio desses dias: caldo de camarão, peixe frito, sopa de camarão com bifum, feijoada, marisco à vinagrete, camarão com quiabo, bacalhau, refogado de frutos do mar e camarão com manga.

Camarão com manga (receita na página Cozinhando a Bordo).

 

Trindade – Praia do Cepilho

Levamos Gelike para passear também de carro. Num dia inspirador de sol fomos conhecer a praia do Cepilho, em Trindade, distante cerca de dez quilômetros de onde estamos ancoradas. Lugar belíssimo, cheio de energia e de surfistas. Mar aberto, com belas ondas, e sem condições de ancoragem de embarcação.

Na volta, descendo a serra que conduz à localidade, um carro a nossa frente sinalizou para pararmos, quando observamos algo caído sobre o asfalto. A  princípio nos assustamos, parecia uma criança atropelada. Descemos do carro de imediato e, para nossa grata surpresa, era um bicho preguiça atravessando a rua, com aquela lentidão que lhe é peculiar. Coisa mais querida, com aqueles olhinhos assustados, porque, a essas alturas, vários carros haviam parado e muitas pessoas estavam ao seu redor. Houve uma pequena discussão – como se pega? por onde se pega? por tráz, diz um dos presentes. Um rapaz segura o preguiça por sob os membros dianteiros, pelas costas, e vai recolocá-lo na mata, quando outro lhe grita: “não, ele estava indo na outra direção, tentando atravessar a pista”. De imediato o rapaz inverte seus passos e leva o pequeno grande (adulto) animal para a mata que beira a estrada, na direção em que ele preguiçosamente esfregava a barriga no asfalto na sua lenta (mas bota lenta nisso!) movimentação.

O bicho Preguiça já de volta na mata.

 

 

Ainda na Ilha da Cotia

Foi outra noite bem dormida. Bem, parece que o barco está em terra, já que não há qualquer movimento da água. Como diz a Vivi: “não tem graça, sinto falta daquele balancinho que lembra o berço de nenem”.
Mas hoje temos que retornar, porque é dia cinco e temos que pagar algumas contas pela Internet. Na Cotia não há sinal de celular, nem VHF (rádio de comunicação do barco), nem televisão, ou seja, maravilhosamente isoladas do mundo. Quer melhor?

Bubi chegando à Marina do Farol.

O dia seguinte na Ilha da Cotia

Amanheceu um dia belíssimo. Banho de mar depois do café da manhã que teve direito a tudo: frutas, iogurte, ovos quentes, pão, queijo… e vou preparar a feijoada que Vivi e Gelike pediam há vários dias.
Ricardo e Neila passam de bote inflável informando que vão dar volta à ilha. Ficamos tentadas de navegar junto com o nosso botinho, mas não podemos, porque tenho que cuidar do feijão que está no fogo. Entre um banho de mar e outro, uma mexida no feijão, para que ele não queime.
Na hora de comer, um bom pirão, um delicioso vinagrete e aquela caipirinha com a Maria Izabel (a cachaça).
Depois Vivi vai dar uma cochilada e eu e Gelike ficamos no cock-pit jogando conversa fora, quando, já entardecendo, o velejador de um barco francês que vimos ancorar no começo da manhã, vem ao nosso encontro com seu inflável. Encosta no Bubi, segura-se no costado e puxa conversa, em frances. Gelike, que é poliglota, conversa com o marujo, mas em português me fala: “ainda bem que a Vivi está dormindo, senão iria convida-lo para jantar”… e cai na gargalhada.
Não, nem pensar. Dois dias de festa não aguentamos.
E não deu outra – quando Vivi acordou e contamos que o francês havia estado conversando conosco ela, indignada, perguntou: “e vocês não o convidaram para subir a bordo? Como vocês são mal educadas, meu Deus!”

A prainha da Ilha da Cotia e o veleiro do francês. Por uma pequena trilha

chega-se ao outro lado da ilha, que é muito lindo.

Ilha da Cotia com Gelike

Levamos Gelike para passear na Ilha da Cotia.
Logo que chegamos, depois de um belo banho de mar, preparo uma sopa de camarão com bifum (macarrão de arroz). Sugiro para Vivi e Gelike levarem um pote dessa comidinha para Ricardo e Neila experimentarem (nossos vizinhos no trapiche da marina, que também estavam curtindo a Ilha da Cotia). Depois de alguns minutos as duas voltam contando histórias, entre elas: (1) a Gelike, ao ser questionada sobre que comida era aquela, respondeu: “é uma sopa tailandesa com ti fú, ou mi fú,..não sei bem…”; (2) haviam conhecido um casal de canadenses que estavam a bordo de um catamarã e Vivi convidou-os para jantar conosco.
My good God! O que vou preparar para o jantar, sem ter me programado. Vivi responde de imediato: “não! Combinamos de fazer um churrasco”. Bem, mas a nossa carne de churrasco está no freezer. Tiro-a, coloco na proa do barco, na esperança de que ela, ao ser acariciada pela pouca brisa do final da tarde, descongele.
Convidamos também, Ricardo e Neila para o jantar.
O entardecer foi magnífico e o céu logo ficou repleto de estrelas quando a luz do sol se apagou.


Lindo, lindo, mas a noite na Cotia é muito escura, antes da lua nascer (não existe luz artificial) e, nessa noite era lua cheia, que só apareceu depois das vinte e uma horas.

Os convidados chegaram e a Vivi colocou o carvão na churrasqueira, que fica na popa do barco. A escuridão era tanta que a Ângela ficava com a lanterna tentando ajudar a Vivi a enxergar onde colocar a carne que Ricardo e Neila trouxeram, já que a nossa continuava dura que nem gelo.

Quando a lua nasceu, cheia e divina, apagou um pouco das estrelas, mas ela própria já dá um show, nem precisa de adjuvantes.

Foi uma noite maravilhosa, divertida e meio atrapalhada, com direito a muito vinho, boas conversas e uma energia vibrante que se sente ao conhecer novas pessoas de bom astral.

A turma curtindo o churrasco no escuro. Ângela, Vivi e Gord. Pura diversão.

O astral de todos estava altíssimo.

Debbie, Ricardo e Neila.

Bella Luma – catamarã de 40 pés de Gord e Debbie. Eles o compraram na Argentina e estão navegando para o Canadá.

Iratembé -´veleiro de Ricardo e Neila.