ILHA BELA/PARATI 15 DE JULHO DE 2012

O Pirão chega às seis horas da manhã, conforme o combinado.
São 06h e 15min e estamos saindo do píer. O Pirão liga o nosso bote e vai até a poita onde o Livre está ancorado, para ajudar o D’Ávila a soltá-lo da poita. Retorna, içamos o inflável na targa e partimos.
Eu passo um café e coloco a mesa para o desjejum.
São 06h e 30min, estamos saindo da marina e às 06h e 50min estamos rumando a 64º, com 2.500 giros de motor.
O dia chega cinza, friorento; o mar está agitado, balançando bastante; pouco vento como sempre.
O Pirão está dormindo no cock-pit e sob o seu “cheirinho” desde que saímos. A Vivi na roda de leme (ainda sem piloto automático).

Eu cochilando, dessa vez, na cama do camarote de popa. Que delícia.
Às 14 horas chegamos à Ponta Negra e as vagas chegam a 2,5m, mas nada que assuste. O Pirão acorda e a Vivi vai para a cabine dormir um pouco.

Vivi – soninho merecido

Ficamos nós dois papeando e curtindo a navegada, enquanto o Pirão me conta da sua noite anterior. Dizem que o que acontece e o que se conversa a bordo não pode ser contado. Então, não vou contar seus aprontos, mas eu ri um bocado, isso sim, e muito, com suas histórias.
Depois a Ponta da Juatinga, com as mesmas alturas de ondas, talvez até menos. Mas o mar está bastante mexido, com vagas de várias direções.
O Pirão se delicia com a pizza que trouxemos do restaurante do clube na noite anterior e eu vou beliscando amendoim, barrinha de cereais e chocolate.
São 15 horas e já estamos dentro da baía de Parati. Agora o vento sopra abundantemente, bem na nossa cara.
Às 16h e 15min estamos chegando à Marina Farol de Parati.

Marina Farol de Parati – vista de terra

Desembarcamos, pegamos o carro da Rô, e fomos “almojantar” no centro da cidade, num restaurante que fomos da outra vez que estivemos aqui de barco. Era bom. Hoje estava um horror, a ponto de eu devolver minha comida. E caro, mais de duzentos reais jogados fora.
Levamos o Pirão até a rodoviária, pois ele tem que voltar à Ilha Bela ainda hoje, já que o veleiro Kiron está agora sob sua responsabilidade. Ele vai leva-lo de volta à Floripa. O Pirão é um grande companheiro a bordo. Estamos programando de velejarmos juntos na Polinésia Francesa, no próximo ano. Vai ser fantástico.
Retornamos ao Bubi, felizes com mais essa navegada.
Ainda estamos sem a câmera. Vou ver se consigo uma autorizada da Sony para consertá-la. Tirei algumas fotos com o Ipad e Iphone, mas não sei transferi-las para o computador. Mandar uma a uma para o meu e-mail, ninguém merece! Especialmente com as conexões de internet que temos.

ILHA BELA, 14 DE JULHO DE 2012

Ilha Bela, 14 de julho de 2012.

Amanheceu um lindo dia de sol, mas mudamos os planos. Vamos só amanhã e rumaremos direto até Parati. A Vivi prefere assim, afinal são só 10 horas de navegação. Vamos ficar com a turma aqui, curtindo o final da festa.
Ontem o D’ávila foi levar o carro da Rô até a marina onde pretendemos ficar (Farol de parati). O Júnior (do veleiro Gosto D’água) foi com ele, já que seu carro ficou lá, quando ele trouxe o seu barco de Parati para Ilha bela.
Vivi convidou o Pirão para ir conosco até Parati. Ele diz que vai, só que estará prejudicado, porque vai festar até quase de manhã. Ela lhe diz que não há problema, ele pode dormir todo o tempo, só o chamaremos em caso de necessidade.
Estamos loucas de vontade de navegar de novo. “Quem fica parado é poste” – como dizia o Macaco Simão.
Chega amanhã!

ILHA BELA – 13 DE JULHO DE 2012

Hoje é sexta-feira, 13.
Estamos planejando partir amanhã para Ubatuba e ancorar no Saco da Ribeira, para no dia seguinte rumar para Parati. Queremos aproveitar uma frente fria que chega amanhã, para ir com vento a favor.
Contratamos um mergulhador para raspar as cracas da linha d’água, porque o Bubi não está tendo o desempenho esperado, e deve ser em função dessas cracas. Ele mergulha, limpa, e nos informa que o nosso anodo da rabeta está bem corroído e que em nossa quilha falta um pedaço acima do bulbo (10cm x 30cm) – isso já aconteceu uma vez, porque quando estamos na poita em Jurerê e falta vento, o barco fica boiando meio tolo e a corrente da poita engata no bulbo e fica roçando a quilha. É claro que se os marinheiros do nosso clube tivessem boa vontade eles evitariam isso, porque é só observar que quando todos os barcos rodam e o Bubi não roda, é porque ele trancou na corrente. Mas, imagina que eles vão se preocupar com isso, embora nossos inúmeros pedidos para que o fizessem.
Saímos em todas as lojas de Ilha Bela à procura do anodo que necessitamos, mas não encontramos. Nem com o autorizado da Yanmar. De qualquer forma o ideal é colocar o barco em terra, porque o hélice tem que ser removido para a colocação do novo anodo e, então, já arrumamos a quilha também.
Bem, agora não tem solução. Adiante arrumaremos essas coisas.

ILHA BELA – 12 DE JULHO DE 2012

Ainda estávamos dormindo quando ouço o celular tocando. Levanto assustada, porque, àquela hora da manhã, coisa boa não era. Era o Dávila, pedindo para eu ir até o barco da Rô, porque ela não estava passando bem. Perguntei o que ela sentia – ela está com o coração batendo forte, tonta e com a pressão alta – respondeu ele. Troquei rapidamente de roupa, enquanto chamava a Vivi.
Descemos no cais e fomos pedir que o bote de apoio do clube nos levasse até o Iate Clube de Santos, ao lado, onde o Livre esta numa poita. Eles prontamente nos atenderam e às pessoas que estavam no píer esperando para embarcar também, eles avisaram que iriam primeiro nos levar, porque éramos médicas e estávamos indo dar assistência a alguém.
Quando chegamos ao Livre, deparamos com a Rô sentada, com o braço sobre a mesa da cabine central, cara de assustada e com o aparelho de pressão atado ao braço. Aliás, ela repetia essa rotina de verificar a pressão arterial várias vezes todos os dias, mesmo que sem necessidade.
Resumindo o quadro todo: ela estava com a pressão levemente alterada e algumas extra-sístoles, o resto era por conta do emocional. Ela colocou stent nas coronárias recentemente, e, agora, tudo a assusta e ela imagina que vai enfartar. Alguns dias antes eu já havia aumentado a dose do antiarrítmico que ela faz uso.
Mediquei-a com um ansiolítico e em pouco tempo ela sentiu-se melhor.
Chove torrencialmente e a Rô pede que fiquemos todo o dia com ela, para que ela se sinta mais segura. Anoitece e a chuva continua.
Hoje à noite está acontecendo um churrasco na pousada que o nosso Iate Clube de Floripa alugou para a confraternização dos nossos velejadores. A Vivi é presidente do Conselho Deliberativo do nosso clube e sente-se na obrigação de comparecer. Mas o dia foi tão tenso que não temos disposição para ir, embora não falte vontade.
Desembarcamos pelo Iate Clube de Santos e encontramos o Rubinho, que estava de aniversário. Conhecemos o seu pai, o Rubão, dono de uma fragata comprada da marinha canadense, com mais de 100 pés de comprimento, que ele transformou num belo iate. Estão apenas os dois a bordo, além dos marinheiros. Ficamos um pouco em suas companhias e depois fomos de carona, por terra, até o Iate Clube de Ilha Bela.
Este foi um dia atípico.

ILHA BELA – DIAS 09, 10 E 11 DE JULHO DE 2012

Todos os dias quase a mesma rotina agradável. Acorda pela manhã, coa um cafezinho fresquinho na hora, sobe ao cock-pit e fica observando a circulação dos velejadores pelos cais, carregando velas, cabos e outros apetrechos náuticos, embarcando e desembarcando de seus barcos, subindo nos mastros para consertar coisas e assim por diante. Depois a movimentação dos barcos sendo soltos dos trapiches e indo para a raia de largada da regata.
No meio ou final da tarde, a volta dos veleiros e suas tripulações desembarcando e conversando no clube sobre detalhes das regatas e seus feitos ou trapalhadas.

Vivi e D’Ávila, observando a movimentação no pier.

Deck do restaurante de onde se podia assistia a algumas regatas

Fomos à loja da Regata para comprar algumas peças acessórias para deixar no barco (abraçadeiras, manilhas) e a Vivi comprou uma bota de tempo – linda, por sinal. Fomos também ao supermercado comprar mantimentos.


Jantamos na casa da Mônica dois dias e, num deles, rolou música de gente grande, já que ela convidou amigos músicos para confraternizar conosco. A Biba, cantora que conhecemos na nossa outra vinda à Ilha Bela, também estava presente. Conhecemos nesse dia o Rubinho, um encanto de pessoa, que toca violão – balada para gente jovem, que nem nós.
E os dias passam trazendo só alegrias.

ILHA BELA – 08/07/2012

Tínhamos combinado de almoçar na casa da Mônica, mas não vai ser possível, porque o eletricista que ficou de vir nos atender às oito horas ainda não apareceu e já são mais de meio dia. Ela telefona e, informada do nosso problema, diz que vai acionar o eletricista da marina onde eles deixam o barco. O Rafael (eletricista da marina) chega em seguida e diz que só veio nos atender em consideração ao Josué e Mônica, porque está atolado de serviço e teríamos que agendar. Apelidei-o de Anjo Rafael, porque ele conectou nossa energia elétrica ao cais e trocou a bomba automática do chuveiro da popa, que havia queimado no dia em que chegamos.
Agora sim, em casa de verdade: geladeira e freezer a mil (a preocupação com as coisas congeladas desaparece), pode-se ligar TV, DVD, CD, carregar notebook, Ipad, Iphone, enfim, todos os vícios necessários da terra. Não adianta imaginar que você vai virar natureba quando a bordo, porque certas coisas, além de necessárias, estão incorporadas de tal forma ao seu modo de vida que não há volta.
Cozinho o primeiro almoço a bordo (caldo de camarão), ao som do DVD da Carmen Mac Rae, que a Vivi comprou no centrinho ontem. Linda a interpretação dessa musa americana.
À tarde Vivi assiste futebol – Santos (seu time) contra o Grêmio. Afinal é domingo e dia de futebol.
A regata de abertura, que seria hoje, com percurso até a Ilha de Alcatraz, foi suspensa, em função da chuva e ventos fortes. Tudo ficou resumido na circulação do trapiche e estamos numa posição privilegiada, bem de popa para as máquinas de regata S 40, amarradas do outro lado do nosso trapiche, vendo toda a movimentação de suas tripulações, incluindo os irmãos Grael.
Durante a noite, vamos dar uma caminhada pelo centrinho, onde encontramos muitos velejadores fazendo o mesmo. Depois jantar no Iate Clube, com os amigos.
De volta ao barco, hoje não precisamos ligar o motor para carregar as baterias, estamos plugadas no cais. Que maravilha de vida! É só relaxar e dormir. Uau!

ILHA BELA – 07/07/2012

Hoje foi dia de faxina, interna e externa. O Bubi está uma lindeza, cheiroso. Inaugurei o meu novo balde com sua bruxa. Muito confortável, não precisa ficar agachada, esfregando o chão. A Vivi lavou o cock-pit e o convés.
O eletricista ainda não veio para conectar a tomada de cais. Temos que ligar o motor para carregar as baterias. Geladeira e freezer ligados consomem muita energia, mas acionando o motor antes de dormir, está dando para levar, já que durante o dia as placas solares dão conta do recado.
À noite fomos ao centrinho de Ilha Bela, assistir à Orquestra Municipal, junto com Mônica, Josué (seu esposo), Dávila e Rô. Depois a um restaurante japonês, sob um forte vento sul e muita chuva.
De volta ao clube, Vivi e eu ficamos no restaurante esperando a chuva amainar, já que não havíamos levado roupa de tempo e tomaríamos aquele banho frio. Acabamos embarcando só às duas horas da manhã e ainda tivemos que esperar até às três horas e meia, para dar uma carga nas baterias com o motor.
Dormir com o barulhinho da chuva caindo sobre o barco é muito bom.

ILHA BELA – 06/07/2012

É sexta feira. Outra vez estamos esperando o eletricista, porque o Shore Power não conecta adequadamente na tomada de cais, acende no painel elétrico uma luz vermelha de polaridade invertida. Temos que ligar o motor para carregar as baterias.
Mônica Bock, uma amiga querida que aqui reside, veio nos buscar para nos hospedar em sua casa. Nem pensar, estamos morando no Bubi e queremos ficar em casa. É muito bom carregar a casa junto com você, feito tartaruga, ou caracol, porque não precisa fazer malas, check-in ou check-out, o que é o maior carreto quando se viaja.
Ao entardecer vamos à casa de Mônica para uma happy-hour, muito legal. Ela é uma anfitriã de primeira. Gentil e atenciosa, muito amada.

Vista da casa da Mônica ao entardecer

Na volta, o Pirão pega suas coisas e se muda para a Pousada onde seus camaradas da regata estão hospedados.
Ontem, nossa amiga Rô chegou por terra. Seu barco, o Livre (um catamarã de 40 pés) foi trazido pelo Dávila, companheiro de outras navegadas. Eles estão ancorados no Iate Clube de Santos, sub sede de Ilha Bela, bem aqui ao lado.

Livre

O clube está em festa, muitos velejadores já chegaram e alguns barcos ainda estão navegando. Alguns já estão treinando com suas equipes para a regata de abertura, que será no domingo próximo.

SANTOS À ILHA BELA

Santos, 05 de julho de 2012.

Acordamos cedo e agora são seis horas da manhã, ainda nem amanheceu, estamos rumando para Ilha Bela. Tanque cheio!
O Pirão fez uma contratura muscular na região lombar, na nossa última navegada, e agora está todo estropiado e gemente a cada movimento de tronco. Já o medicamos com anti-inflamatório e relaxante muscular, mas ele melhorou muito pouco. A Vivi, brincando diz: – “Rubinha, isso é o que dá a gente trazer gente velha para bordo” – Rimos muito, porque ele é o mais jovem de nós três. Pior é que ele está indo para Ilha Bela para participar das regatas, a bordo do veleiro Kiron. Ele também brinca sobre o tema e diz: – “estou mais para ata do que regata… tira o reg da frente; acho que vou fazer só a ata da regata”.
Sopra um ventinho de leste e levantamos a vela grande, que fica bem armada, ajudando o motor a impulsionar o barco. Mas não é vento suficiente para só velejar.

Ilha da Moela (Santos-SP)

Ilha Montão de Trigo

 

São 11h e 30min quando deixamos a Ilha Montão de Trigo por bombordo. Havíamos planejado dar uma ancorada por dentro da ilha para pegar umas ondas (o Pirão trouxe sua prancha de surfe e a Vivi ficou toda animadinha para surfar com ele). Mas desistimos, porque, a essas alturas, a vontade de chegar à Ilha Bela e encontrar os amigos que já estão lá para a Semana de Vela é grande.

Que visual – maravilha!!!!

Vivi e Pirão dormem durante toda a manhã e eu fico na roda de leme (o piloto automático liga conectado para piloto de vento, não conseguimos mudar para o motor e Vivi não quer que mexamos – chega de problemas – diz ela).
As vagas agora estão altas (1,5 a 2 metros), o dia está lindo, o sol quentinho, e eu estou em estado de graça, com meus pensamentos viajando por esse mar numa sensação de liberdade quase infinita.
São 15h e 10min quando chegamos à Ilha Bela, depois de 9 horas de navegada.
Enquanto aguardamos para que o clube decida qual vaga de trapiche vamos ocupar, o que demorou um pouco, pois queriam nos colocar numa poita, aproveito para tomar um belo banho. Ah, coisa boa um banho!
Desembarcamos e fomos ao restaurante almoçar e encontrar nossos amigos de Floripa.

ICS – IATE CLUBE DE SANTOS

Santos, 04 de julho de 2012.

Os eletricistas Edevaldo e Anderson passaram todo o dia a bordo do Bubi, terminando o serviço às 20h e 30min. Acabamos convencidas de que deveríamos trocar as quatro baterias, pois uma ruim pode contaminar a nova instalada. Na verdade, não estávamos satisfeitas com o desempenho delas, porque tão logo o sol se punha e a placa solar parava de funcionar, as baterias de serviço caíam para 12 e, em seguida, para 11,5 desligando a geladeira. Desde que recebemos o barco do estaleiro, era assim que funcionava. Trocaram o fusível das placas solares por um disjuntor e instalaram uma chave que interliga as baterias quando necessário for.
E lá se foram quatro mil reais, assim, fácil, fácil.

Queremos deixar registrada a cortesia deste clube náutico conosco. Ficamos maravilhadas e agradecidas por todo o atendimento que nos prestaram. É um clube de primeiro mundo.
Aos proprietários da lancha Doce I (acho que era uma Intermarine de 48 pés), a quem não tivemos a oportunidade de encontrar e conhecer (quando terminamos de atracar o veleiro no trapiche, não vimos mais a lancha), nossos sinceros agradecimentos.

Amanhã cedo pretendemos partir para Ilha Bela.