Carnaval 2012 – Floripa

Floripa, 16/17/18/19/20/21 de fevereiro de 2012.

É quinta feira, dia de sol, vento NE soprando gostoso (20 nós), mar bastante mexido e estamos rumando para o Tinguá para dormir naquelas águas tranquilas e abrigadas desse vento.
Ontem compramos um bote novo (Flex Boat 2,40) com um motor de popa (5 HP) e vamos inaugurá-lo. Era o sonho de momento da Vivi, então, enquanto ela imaginava que havíamos ido até a loja para ver orçamentos, fechei negócio e presenteei-lhe. Ele está ali, pendurado no turco, bem amarrado para não balançar durante a navegada.
Está entardecendo e as gaivotas preparam-se para o merecido repouso, depois de um dia inteiro circulando em volta dos barcos em busca de comida.

Gaivotas e o pesqueiro de camarão

Gaivotas e o pesqueiro de camarão.

Algumas já estão pousadas na linda Mata Atlântica que circunda essas águas, enfeitando-a de branco. Aqui de longe, parecem algodão no meio daquele verde, ou flocos de neve, iguais aos que vemos em fotos dos países nórdicos. Mas outras, ainda voam próximas às árvores, curtindo o por de sol, até que a escuridão da noite se completa. Parece que velejam no céu, com suas asas inclinando de um lado ao outro, utilizando a mesma aerodinâmica que imitamos ao velejar.
Ligamos para a Sany, minha irmã que mora em Blumenau e a convidamos com sua filha Carol e o genro Max para vir navegar conosco, já que os pais do Max têm casa de veraneio ali em Governador Celso Ramos (praia da Armação) e poderemos busca-los na praia com nosso bote inflável.
A noite está linda e inspiradora para um violão no cock-pit, onde ficamos fazendo música até à uma hora da madrugada.

Amanhecer no Tinguá é sempre bom. Foto e palavras do Maurão. Bubi e seu bote.

Amanhecer no Tinguá é sempre bom. Foto e palavras do Maurão. Bubi e seu bote novo.

A noite foi agradável e amanheceu um dia lindo de sol. Tomamos um belo café da manhã, como de praxe, e fomos até a praia jogar frescobol. Inauguramos o bote novo – muito legal, com fundo de fibra, mais conforto para embarcar e desembarcar.
As lanchas começam a chegar, aos montes. Digo para a Vivi: prefiro os nossos lancheiros, aos do Caixa D’Áço – aqueles são mais barulhentos e menos educados em relação às regras de velocidade na chegada a um atracadouro.
No final da tarde o Talismã – um Thor 42 igual ao nosso – chega com nossos amigos Cocau e Ione. Vamos visita-los e eles nos presenteiam com uma capa para o nosso bote (que era muito pequena para o deles) e um lampião com LED, gracioso e moderno.

Talismã

Talismã

Sábado amanheceu outro dia lindo. Quando acordo, observo que o Talismã não está mais aqui.
A Rô (Catamarã/Livre) e o Marcello (Delta 36/Split) telefonam dizendo que estão vindo para o fim de semana. Eles chegam logo depois do meio dia e passamos o dia no Livre, fazendo churrasco, tomando cerveja e muitos banhos de mar. A Rô veio sozinha e o Marcello com o Arthur, seu filhote de cinco anos.
Para o jantar, preparo um risoto e jantamos todos juntos. O Marcello e o Arthur vão dormir no Livre, para a Rô não ficar sozinha.

Domingo acordamos e vamos até a praia jogar frescobol e esperar pela família. Sany, Max e Carol chegam.
O Marcello trouxe uma peça de bacalhau e eu outra. Eu os preparei no Livre, já que a turma hoje estava grande. Passamos outro dia maravilhoso, regado a espumantes, cerveja, sol e banhos de mar.
No final do dia nossos convidados desembarcam, mas voltam amanhã para irmos velejar. O Marcello e o Arthur voltaram para o centro com o Split.

Segunda de carnaval e vamos para o Iate Clube de Jurerê para participar do passeio de barco organizado para a ocasião – Carnamar. Vamos todos no Bubi. A festa é bonita e encerrada com um comidão no Clube.

SANY

Max e Carol.

A Rô comprou um Jet Sky e ele foi entregue hoje. Ela o reboca até o Tinguá, para onde retornamos no final do dia.
Minha família desembarca, porque voltam para Blumenau ainda hoje.
Preparo um jantar – talharim ao molho de alho porró e queijos – e convidamos Cocau, Ione e Rô para jantarem conosco.
Já são mais de meia noite quando eles vão retornar aos seus barcos, e a Rô se oferece para leva-los no seu Jet Sky. Os três embarcam, enquanto seguro o cabo do Jet. No momento em que vou passar o cabo para a Rô, os três fazem movimento em direção a minha mão para pegá-lo e, não deu outra, o Jet rolou e todos foram para a água. A cena foi muito engraçada, rimos tanto que eu tive aquilo que chamo de “pancreatite muscular” – uma dor intensa atravessada na região do epigástrio, que se torna quase insuportável na medida em que você não consegue parar de rir. A Ione feito um pinto molhado só dizia: “ai, eu de banho tomado, já tinha lavado o cabelo com shampoo, creme e tudo, ai!”. Coisa de quem está no mar. Faz parte.

Amanheceu outro dia estupendo! Combinamos que vamos velejar no Livre, que precisa ter suas velas abertas, porque a Rô só sabe navegar a motor e as velas estão ficando mofadas.
Vamos até o clube em Jurerê para deixar o Bubi e o Talismã em suas poitas, por questões de segurança e embarcamos no Livre. Içamos as duas velas e passamos todo o dia velejando – das nove horas da manhã, até às 19 horas, quando o dia findava – Ponta das Canas, Ilha do Arvoredo, Zimbros, Praia do Cardoso, Praia da Tainha, e de volta a Jurerê. Não paramos nem para almoçar; comemos a sobra do bacalhau que estava na geladeira e aqueles diversos petiscos que se leva para bordo. O vento, no período da tarde, soprou até 22 nós. Os panos todos em cima, o mar com vagas bem altas, e o catamarã nem aí! É um barco muito confortável que navega muito bem com vento a favor. No contra vento é lento e orça muito pouco, mas não perde o conforto.
Esqueci-me de levar a câmera (ficou no Bubi) para registrar esse passeio, mas a Ione fotografou com seu celular – oportunamente postarei as fotos.

NAVEGANDO COM DOBS

Floripa, 07 de fevereiro de 2012.

Desde que voltamos de Porto Belo temos navegado pelas redondezas e dormido no Tinguá, ou em Jurerê quando o vento sopra de sul.

Bubi na poita em Jurerê (Sede Oceânica do ICVI)

Na semana passada aconteceu a Semana de Vela do ICVI. Acompanhamos algumas regatas, navegando ao lado e curtindo o visual que é formado com aquelas velas todas armadas no vento. E depois de cada regata, a festa da canoa de cerveja, com as discussões dos velejadores sobre os eventos da raia.


Hoje, terça feira, programamos embarcar e ficar a bordo até o sábado, quando temos o aniversário da Mãe Maria, que completará 89 anos de idade.
Compramos um bote inflável novo (Zefir), com motor de 5HP (Mercury), e queremos inaugurá-lo. O antigo, demos de presente para o meu irmão Dobs – que está vindo hoje de Blumenau para busca-lo e o convidamos para passar esses dias conosco.
Mal chegamos a bordo, já quase no final da tarde, e ameaçou uma tempestade, daquelas de verão. Esperamos que a chuva passasse e fomos navegar, a motor, porque não há vento nenhum e o mar parece uma lagoa. O Dobs está numa alegria imensa e faceiro na roda de leme, pela primeira vez em sua vida.

Roberto Antônio Albino (Dobs)

Já está a noitecendo quando retornamos ao clube, onde vamos dormir, com o barco na poita. Amanhã vamos para o Tinguá, fazer um churrasco a bordo.
Jantamos e vamos para o cock-pit, tocar violão e cantar (coisa que meu irmão adora). Parece que estamos ancorados num lago, de tão manso que o mar está. A lua está linda nos espiando. A noite está indescritível.
Já são quase uma hora da manhã quando vamos dormir. Arrumamos o camarote da proa para o estreante, que nunca dormiu num barco e está empolgado com a nova experiência – “vou colocar no Face Book” repete ele animado.
Acordo já dia feito e percebo que o Dobs já está levantado. Apresso-me em sair da cama, para preparar o seu café da manhã e me deparo com ele sentado no cock-pit, lívido, com uma sudorese profusa, dizendo não estar se sentindo bem e que teve sensação de desmaio quando saiu da cama. Faço uma avaliação rápida enquanto ele melhora totalmente. Imagino que possa ter sido uma hipotensão postural?
Sirvo frutas, café com leite, pães e queijos. Mas o Dobs está assustado – pede que o levemos até nossa casa para ele pegar o seu carro e ir embora. Diz que nunca mais quer dormir a bordo, que não gostou da experiência, que acordou várias vezes à noite imaginando que o barco poderia ir a pique! Logo ele que sempre foi ligado ao mar, fazia inclusive pesca submarina.
Paciência. Desembarcamos com ele e fizemos o churrasco na sede do clube. Depois fomos para casa, onde ele ficou hospedado até irmos para o aniversário de nossa mãe.

 

OITO DIAS EM PORTO BELO

strong>Florianópolis, 07 de Janeiro de 2012.

Estamos embarcando, são 11h45min de um belo sábado de sol, com um ventinho soprando de sueste – oito nós de intensidade.
Finalmente os compromissos de festas de final de ano foram encerrados, o que nos prendia em terra para darmos atenção à família que tanto amamos.
Vivi, finalmente está aposentada do TRT e agora livre para fazer de sua vida o que pretende – velejar!
Abrimos a genoa, miramos a proa na Ilha do Amendoim e a Vivi desce para organizar as coisas que trouxemos para bordo.
Tentamos ligar o piloto automático, mas ele soa o alarme e informa no display que está sem dados para navegação. Fico eu na roda de leme.
O mar não chega a ser de almirante, mas está baixo o suficiente para uma navegada confortável.
Após uma hora estamos passando a Ilha de Ganchos, mais uma hora a Ilha do Amendoim e quarenta e cinco minutos depois já estamos em Porto Belo, dentro do Caixa D’Aço.

Chegando a Porto Belo

Chegando a Porto Belo

 

Está um furdunço, lancha para todos os lados e, claro, músicas de mal gosto a todo volume! “Ai se eu te pego” (Michel Teló) toca o dia todo, por todos os lados, especialmente porque o especial que ele gravou para um canal de TV foi filmado aqui, com ele cantando em cima de um dos bares flutuantes.
Largamos a âncora e vamos ao bar flutuante do Eric (Balanço do Mar) para matar a saudade e beber uma cerveja.
Ficamos oito dias em Porto Belo, ancorados no Caixa D’Aço, mas o tempo esteve muito ruim, vento forte e chuva esparsa quase todos os dias. Mas deu para curtir banhos de mar e em dois dias fomos até o Iate Clube de Porto Belo para almoçar e abastecer de diesel. É um clube náutico muito lindo, de bom gosto e bem organizado, com um restaurante ótimo.

Iate Clube de Porto Belo

Maurão - amigo velejador que encontramos no Caixa D'Aço

MÃE MARIA A BORDO

Florianópolis, 03 de janeiro de 2012.

Mãe Maria, minha sobrinha Jiane com a família (Guinho – esposo, Julia e Victor – filhos) estão nos visitando e vamos leva-los para passear de Bubi.
Mãe Maria está a um mês de completar 89 anos de idade. É levada de bote inflável até o veleiro que está numa poita e sobe a bordo sem grandes dificuldades. É nossa heroína, já que desejamos chegar à idade dela ainda velejando.

Maria de Lourdes Albino (Mãe Maria)

Navegamos até a Ponta das Canas, depois retornamos e ancoramos na Ilha do Francês, para um banho de mar.

Guinho e Victor

O Marcello, Guta e Arthur, retornando do Tinguá, passam um rádio e veem ao nosso encontro. Amadrinham o Split para tomar um espumante conosco, brindando o novo ano que mal se inicia e que promete.

Split

Foi uma tarde maravilhosa, com nossas “familinhas” a bordo.

Julia treinando para ser timoneira

 

Rejeane Grankow (Jiane) curtindo o banquinho da popa.

 

Mãe Maria se protegendo do ventinho.

 

De volta ao Iate Clube

De volta em casa preparando um polvo para o jantar.

TESTANDO AS VELAS NOVAS

Dezembro de 2011.

Temos navegado com o Bubi só nos finais de semana, porque a Vivi ainda está trabalhando no TRT. O piloto automático já foi calibrado, mas, de vez em quando, não obedece e pede calibragem. Temos que trazer alguém a bordo para ver o que está acontecendo.
Hoje velejamos com o Peneira (construtor do barco), para ele observar o desempenho do veleiro com as velas novas.


O vento sopra de nordeste a 20 – 21 nós, e o Bubi na orça máxima, com todos os panos em cima, navega muito bem e aderna muito pouco. O mar está muito mexido, picado, com vagas altas. Mas, ainda assim, o barco permanece confortável.


Testamos também de través e de popa. Bem, aí nem se fala – parece um Galaxy (aquele carrão de antigamente).
O único problema de velejar com a vela mestra é tirar e principalmente recolocar a capa, porque a retranca é muito alta, exige que se suba nas escadas do mastro (o que não é tão simples como parece) para abrir e fechar o zíper; mesmo que se solte o amantilho da retranca o máximo possível, que se use um cabinho para facilitar o manuseio do zíper – continua difícil!
Já resolvemos: vela mestra só em navegadas longas para compensar o esforço, nas outras, desenrola a genoa que está de bom tamanho.

ALPHY

Floripa, 18 de novembro de 2011.
Data a ser registrada, triste, enfim, inevitável.
A nossa cachorra marinheira fez um AVC (acidente vascular cerebral), também conhecido como derrame cerebral.
Estávamos programadas para embarcar hoje (sexta-feira) e só retornar no final do domingo. Cancelamos, claro, porque teríamos que deixa-la na clínica veterinária, internada.
Somos partidárias, Vivi e eu, que devemos morrer em nossa casa, no nosso espaço, na nossa caminha, ao lado daqueles que amamos e que nos amam, não num ambiente estranho e ao meio de desconhecidos.
Esse sempre foi um dos pontos, em determinados momentos, que nos causaram angústias na nossa vida como médicas. Quando tínhamos sob nossos cuidados algum paciente terminal, isto é, sem expectativa de qualquer benefício com ou sem a internação hospitalar, sugeríamos alta, para que o mesmo pudesse usufruir da companhia de seus familiares em seus momentos finais e para que, especialmente, sentisse o conforto que só o “nosso cantinho” pode proporcionar.
Quase que como uma regra geral – os familiares se recusavam a levar o paciente para sua casa e, a grande maioria, sentia-se ofendida com a sugestão de alta.
Sempre nos perguntamos: se recusavam a levar o doente para casa imaginando seu melhor conforto enquanto internado ou para a própria conveniência?
Alphy está ali, deitada em sua caminha com a sua mantinha azul neném sobre ela.
Nós aqui, olhando para ela e esperando o desfecho final.
O veterinário sugeriu eutanásia, porque não há volta. Pedimos a ele um tempo para nos acostumarmos com a ideia de perdê-la.
É triste, mas é a realidade inevitável para tudo o que um dia tem vida – no outro tem a morte.

Alphy - exatos oito dias antes de sua partida.

O Bubi finalmente em Jurerê

Florianópolis, 04/05/06 de novembro de 2011.
Sexta feira, 14 horas, acabamos de almoçar no Iate Clube e estamos à espera que a maré suba um pouco para podermos tirar o Bubi da vaga no trapiche, já que ele está literalmente encalhado. Temos que ancorá-lo lá fora, quando a maré estiver alta, depois temos que esperar a maré baixar novamente para passar sob as pontes. É uma novela e tanto!
Mas, estamos aqui com a turminha de sempre, curtindo uma conversa, enquanto a Vivi circula para lá e para cá, vai ao trapiche e retorna, ansiosa em não perder o momento certo para tirar o barco. Está uma movimentação enorme hoje no clube, o pau de carga não para de colocar veleiros na água, porque amanhã tem a Regata Mormai. O Bubi foi inscrito, mas vamos só passear, porque regata está fora dos nossos planos.
Por falar em regatas, a Vivi adora, eu não. Fiz ela me prometer que não participaríamos mais de regatas. O barco é muito maltratado, colocado no limite em muitas ocasiões, com risco de quebrar equipamentos, sem falar na sujeira que fica a bordo. Além disso, as medições feitas dos barcos são duvidosas, criando ratings discutíveis em minha opinião. Com o nosso primeiro veleiro participamos de várias regatas, com uma tripulação feminina que montamos, mas nunca tiramos mais do que um segundo lugar na categoria, porque, mesmo quando chegávamos na frente, no tempo corrigido nos colocavam em segundo. A ciumeira de perder para mulheres inexperientes (à época) era grande. Mas o que valeu disso tudo foi a experiência que obtivemos participando desses eventos. Regata é a melhor oportunidade para se aprender a velejar bem, porque somos obrigados a aproveitar o vento e as correntes marítimas da melhor forma possível, já que os segundos são valiosos na contagem final do tempo gasto para percorrer o trajeto.
Mas, voltando a este momento, já são 16 horas e a maré pouco oscilou. Já estamos aflitas, porque o Bubi tem que sair do trapiche, porque amanhã às 6 horas da manhã vai ter maré baixa o suficiente para passarmos sob as pontes.
Perto das 17 horas, a maré estaciona e não vai mais subir. É agora ou nunca. A Vivi vai com o Marcello e o John tirar o barco e ele sai, arrastando um pouco a quilha no lodo, mas conseguem coloca-lo no T (trapiche de entrada na marina do clube), amadrinhado com o Absoluto – veleiro de 40 pés que tem as mesmas dificuldades com as pontes e as marés – que já estava ocupando aquele espaço.
Vamos ao supermercado comprar uns mantimentos que faltavam e retornamos para dormir a bordo, já que muito cedo teremos que acordar para passar sob as pontes.
Convidamos o John para passear conosco amanhã. Ele está indo buscar a Sandra, sua namorada, no aeroporto e amanhã às seis horas eles estarão embarcando conosco.

John - Vivi - Sandra

O John é um grande amigo, velejador, nascido em Cabo Verde e criado nos Estados Unidos. Seu barco, um Jeneau de 40 pés (de nome Bulimundu) esteve em nosso clube durante algum tempo, até que, no ano passado, ele navegou por toda a costa brasileira e depois para o Caribe, onde o veleiro está no momento. Assim, nada melhor do que a oportunidade de convidar um amigo “desembarcado” para velejar.
Amanheceu ventando forte já às seis horas da manhã. Vento do norte. E o Bubi, ah, encalhadaço, mesmo no T. Ligamos os instrumentos, profundidade um metro e vinte centímetros, para um calado de dois metros e dez. O que fazer? Vamos tomar um belo café da manhã, que programáramos de tomar já na baía norte, depois das pontes, enquanto aguardaríamos a largada da regata, que vai ser naquela região.
O John e a Sandra já chegaram e tomam café conosco.
As horas passam depressa e já são mais de nove horas quando o Bubi começa a balançar, dando sinais que está desencalhando. A Vivi liga o motor e partimos, arrastando ainda um pouco a quilha, mas é assim que tem que ser, senão perdemos o tempo certo de passar sob as pontes.
Com a maré tão torrada, já nem me estresso mais com as famigeradas pontes, vou na proa orientando a Vivi para o vão bem central e já estamos na baía norte. O mar está muito mexido, em função do vento e desistimos de ficar aguardando a largada para a regata, que deve acontecer só às 11 horas.
Rumamos direto para o Tinguá, onde sabemos as águas estão abrigadas desse vento. Fazemos uma navegada gostosa, com o vento na cara.


Nosso piloto automático já instalado ainda não foi calibrado, então não o usamos ainda. Mas o GPS da bitácula, recém-instalado também, é maravilhoso em três dimensões. Contrariamos todos os conselhos e colocamos um Garmin, meu favorito, apesar dos demais instrumentos serem Raymarine. Mas, com o NMEIA 2000, todos os instrumentos podem conversar entre si, então por que não? Em minha opinião, o Chart Plotter da Garmin dá um banho no Raymarine (o nosso de 12 polegadas da mesa de navegação é um Raymarine).
Chegamos ao Tinguá e vou preparar o nosso almoço – frango ensopado com polenta, inspirada na Sandra que, apesar de morar atualmente em São Paulo, é de Nova Trento, terra de italianos e onde minha querida Mãe Maria (que me ensinou a fazer polenta) foi criada.
À tarde todos vão curtir uma soneca e à noite um bom papo e um violão.
A Vivi descongela e assa uma lasanha para o jantar e Sandra comenta, enquanto janta: essa lasanha está gostosa, mas aquela polenta do almoço…huuuuuummmmmm!!!!!!
Amanhecemos depois de uma noite extremamente tranquila e bem dormida. Tomamos café da manhã e fomos levar o John e Sandra até Jurerê, onde eles tinham compromisso. Fizemos uma velejada muito repousante.

Sandra e John

 

Que velejada! O Bubi é um Galaxi (lembra aquele carrão de antigamente).

Vamos desembarcar hoje, porque a Vivi amanhã trabalha cedinho.

Velejando no Split

Florianópolis, 28 de outubro de 2011.
Novamente sexta-feira à tarde e o Marcello nos telefona para darmos uma velejada no Split, seu veleiro. Estamos indo para o iate clube e, se o Bubi não estiver com a quilha enterrada no lodo, queremos dar uma navegada pela baía sul, já que as pontes nos impedem de passar para o outro lado na hora que queremos, ou sem planejamento em relação à maré.
Temos que leva-lo para Jurerê, para acabar com essa novela.
Bem, está encalhado, mas velejar no Split é muito prazeroso também. Estamos próximas ao trapiche e o Marcello está tirando o Split da vaga e nos pega no trapiche do pau de carga. O Didi, vulgo Abençoado, está com ele.
Rumamos em direção a Santo Antônio de Lisboa, onde lançamos a âncora. Que velejada maravilhosa. O Abençoado, faceiro na roda de leme, entre uma prosa e outra, fala do “pedacinho de coração” que lhe resta – que está feliz.

Os marinheiros de uma marina local passam próximos a nós num caiaque e pedimos a gentileza de navegarem até o barraco do Cantinho das Ostras, para pedir à Gioconda (uma das proprietárias) que nos mande quatro dúzias de ostras vivas. Digo a eles na saída: “diz que é para a doutora Viviane, que ela sabe quem é, e para escolher ostras bem gordinhas”.
Na volta, com uma sacola cheia de ostras recém-colhidas do mar e meia dúzia de limões, um dos marinheiros me diz: “a dona Gioconda falou que a senhora é uma médica muito boa!”, como se eu fosse a Viviane. Confusão inócua que não desfiz.
Desço à cabine e coloco as ostras no bafo, separando uma dúzia para a Vivi que gosta de comê-las cruas. Ela mesma as abre com uma faca (precisamos presentear o Split com abridor de ostras), arruma numa travessa com gelo e leva para o cock-pit.

Didi e sua prosa gostosa de ouvir.

Eu sempre digo que o meu lugar favorito para comer ostras é num veleiro, porque simplesmente as abrimos, colocamos na boca e as cascas voltam para o mar de onde vieram, poupando o trabalho de recolhê-las e a limpeza da lambança que estas deixam quando colocadas em sacolas de lixo que sempre vazam.

Santo Antônio de Lisboa ao fundo

Já está anoitecendo quando chegamos ao iate clube.
Mais uma tarde cheia de contentamento, especialmente porque na companhia do Abençoado. E como é abençoado!

Velejando no Split

Floripa, 21 de outubro de 2011.

Hoje saímos para velejar com o Split, veleiro do Marcello.
Sexta feira, tarde linda de sol, vadiando pelo clube, o celular toca e é o Marcello – “onde vocês estão?”. Estamos no clube, respondo eu. “Tá bom…” e o celular é desligado, assim, inesperadamente. Alô! Alô! Fico eu com o celular pendurado na orelha, tentando entender o que se passa do outro lado da linha, até olhar no visor e perceber que a ligação estava interrompida. Fico tentando ligar de volta, quando vejo o Marcelo caminhando em minha direção – “vamos velejar” – diz ele todo faceiro.
Pois então, fomos!
Vento nordeste, provavelmente soprando a 12, 14 nós (o anemômetro do Split está quebrado, num acidente provocado por uma lancha que, entrando na marina do clube em velocidade proibida, fez com que os mastros dele e do Talismã colidissem, arrancando do topo do Split seus instrumentos). Já que é só para brincar, içamos só a genoa, poupando trabalho.
Vamos velejando pela baía sul, colocando o rumo de forma a captar o vento num través bem folgado, só alegria.
Nossa proa ruma em direção à Palhoça e à Ilha da Casa, em frente a aquele litoral.
Quem quer outra vida? Uma cerveja, outra cerveja e uma wodka com suco de maracujá para o Marcello, que não suporta cerveja. E o ventinho nos levando.
Cambamos para retornar, depois cambamos outras vezes só para treinar e curtir. As catracas do Split estão necessitando de graxa, pesadas e grunhindo quando giradas.
Na hora de enrolar a genoa, nem pensar! Localizo a adriça e baixamos a vela, para depois entender a razão: o cabo estava passado errado no enrolador.
Para chegar ao trapiche vamos arrastando a quilha e empurrando o veleiro com o motor, porque a maré baixou. O Split cala só 1,60cm. Imagina o Bubi, com seus 2,10cm não conseguiria chegar. Aliás, não teria conseguido sequer sair. Este é o problema de ter o veleiro na sede do centro, porque é sempre uma novela para sair e voltar.
Mas o Bubi está quase pronto para ser levado de volta para Jurerê, onde estas encrencas não existem.
De volta ao clube, a Guta e o Arthur (esposa e filho do Marcello) chegam para uma happy a bordo. A Claudinha, que passava pelo trapiche, foi convidada a curtir conosco aquele por de sol a bordo.
Um saboroso camarão pistola a milanesa, preparado no restaurante do clube e trazido até o barco pela garçonete, mais um balde cheio de gelo e cerveja.
Assim é impossível não ser feliz!

Sede Oceânica ao Centro

Hoje é domingo, dia convidativo para uma boa velejada. Estamos em Jurerê, na Sede Oceânica, esperando pela Fê – Fernanda Steiner, nossa amada sobrinha que mora em Criciúma e que está louca para conhecer o nosso barco. Já mandou vários recados pelo Face Book manifestando sua vontade.
Hoje vai ter maré para passarmos sob as pontes, e temos que levar o barco para a sede do centro, porque temos que instalar o piloto automático que finalmente chegou. Vamos mandar instalar também o Chart Plotter da bitácula, AIS (Sistema Automático de Identificação), gerador e ar condicionado – a Vivi se rendeu e concordou que ar condicionado pode ser uma boa para quem pretende morar a bordo por uns tempos.
Enquanto aguardamos a Fê, o Maurão chega e senta-se conosco, para colocarmos as novidades em dia.
São mais de três horas da tarde quando Fernanda, Joana (sua filha) e o namorado chegam ao clube. Comemos alguma coisa e perto das dezessete horas embarcamos para uma velejada sem compromisso. Convidamos o Maurão para velejar conosco e ele adorou a ideia.

Fê fazendo a festa

Velejamos só com a genoa, para lá e para cá, quando nos demos conta que já são quase dezoito horas e que, se quisermos levar o barco para o centro, temos que nos apressar, porque a maré vai estar propícia para passar sob as pontes às vinte horas, e duas horas são necessárias para chegarmos até elas.

A Joana e o namorado manifestam vontade de desembarcar, a Fernanda diz querer ir até o centro conosco e o Maurão, claro, também.
A Vivi chama o clube pelo VHF, pedindo que o Vai-e-Vem (bote inflável) venha pegar os dois a bordo, enquanto nos aproximamos do trapiche sem ancorar para ganhar o tempo que estava escasso para chegarmos ao centro.
O ventinho nordeste a favor está lerdo e sugiro ligarmos o motor para ajudar, caso contrário não chegaremos às pontes em duas horas.

A alegria incontida de Fê: "não sabia que velejar era tão bom!"

Anoitece, uma lua linda nos mirando, música a mil rolando (a pedido da Fê), o mar deitado e o Bubi deslizando como um pranchão. Por mais simples e curta que seja a navegada, sempre é mágica e emociona. Não tem nada melhor do que isso, que me perdoem os que não conhecem esse prazer.

Tia Vivi e Fê

Nem lembramos que ainda teremos o stress de passar sob as pontes, ainda mais que nunca o fizemos de noite. Imaginamos que poderemos perder a referência com a escuridão – a saia do pilar da ponte fora da água cerca de dois palmos – o que nos garante que a maré está baixa o suficiente para não batermos o mastro ou os eletrônicos do seu tope.
Só pensamos no assunto quando estamos nos aproximando. Seguimos a mesma rotina: a Vivi na roda de leme diminui a velocidade ao máximo e eu na proa observo o centro da ponte e a saia do pilar. Para a nossa grata surpresa, existe iluminação mais do que suficiente para enxergar bem, porque os pilares são iluminados de baixo para cima, com luzes azuis. A saia do pilar da ponte está mais do que dois palmos fora da água e grito para a Vivi: “manda bala, acelera, dá e sobra…”.
Quando com o mastro já fora da linha da ponte, gritamos juntas: “Uhuhuhuhuhuhu!!!!!!! Passamos!!!!!!!!!”
A sensação de alívio, é indescritível.
Na semana anterior, soubemos que um barco semelhante ao nosso arrancou todos os eletrônicos do tope quando passou sob as pontes, porque a maré não estava baixa o suficiente – coisa do marinheiro que foi encarregado de levar o barco para a sede do centro. Nós estávamos em Jurerê no dia que este marinheiro programava levar o veleiro para o centro e eu o avisei: “hoje não tem maré…”, mas ele parecia saber mais do que eu e não me deu ouvidos. Quem avisa amigo é!