Uma Visita Desconhecida

Bubi em Jurerê - Sede Oceânica ICVI

Jurerê, 21 de Julho de 2011.

Uma vez por semana a gente vem a Jurerê, na Sede Oceânica do Iate Clube, colocar o Bubi no trapiche para que nosso ajudante, marinheiro Edilson, faça uma limpeza geral no barco. É claro que ele poderia colocar o Bubi no trapiche sozinho, para ter acesso à mangueira de água, sem a nossa presença, mas a Vivi não gosta de ninguém manobrando o barco. Também acho melhor assim, porque o cuidado do dono é insubstituível.

Não temos dia fixo na semana, mas o escolhemos na dependência do tempo e do vento, já que essas águas são abrigadas do sul.

Na semana passada, o convés do barco estava com resíduos de sangue e restos de peixe na plataforma de popa. Por todo o convés havia rastros da pata do invasor, ou invasora. Hoje, novamente e pior: sangue de peixe, uma cocoroca semi devorada e marcas da caminhada arrastada de uma lontra por todo o convés, da popa à proa.

Os marinheiros do Iate Clube confirmaram que a conhecem e que ela escolheu o nosso barco para sua sala de refeições. É emocionante imaginar um bichinho tão lindo nos visitando, mas a sujeira que ela deixa é enorme! Qualquer dia desses quero surpreendê-la para sacar uma fotografia. Vai ser demais.

Nos sugeriram colocar uma rede na popa para evitar que ela suba, mas dá peninha e preocupação que ela fique enroscada e se fira. Vamos deixar rolar para ver como é que fica.

E olha quem está no trapiche hoje: o veleiro que já deu volta ao mundo com a família Schürmann.

Veleiro Aysso

Sede Oceânica – Tinguá – Sede Oceânica

Foto atual (12-09-2011)

Florianópolis, 10 de Setembro de 2011.

Sempre que dá um dia apropriado (o que tem sido raro em Florianópolis) temos saído para navegar ou, às vezes, só embarcamos e ficamos a bordo curtindo a nossa casinha flutuante que está direto em Jurerê, em nossa poita situada em frente ao iate clube. A Vivi continua trabalhando durante a semana no período da manhã, de forma que só podemos usufruir das nossas tardes, ou nos fins-de-semana.
Hoje é sábado e amanheceu um dia lindíssimo de sol e céu azul.
Vamos levar a filha (Alphy) para o seu hotel, onde ela tem ficado sempre que saímos para dormir a bordo. A nossa cachorra marinheira, que navega conosco desde os seus dois meses de vida, não quer mais saber de barco. Até pouco mais de um ano atrás, quando ela percebia que arrumávamos nossas tralhas para ir para o barco, era a primeira a correr para a porta, latindo e rodeando em nossa volta com o toco de rabo abanando, pedindo para ir junto. No barco circulava por todo o convés, mesmo enquanto navegávamos, cheretando tudo o que estávamos fazendo, se jogando na água enquanto tomávamos banho de mar, e latindo para chamar o Vai e Vem (inflável do clube) para nos levar em terra. Agora, vivendo o seu décimo sexto ano de vida, velhinha e meio caduca, quando percebe pelo faro que as bolsas que arrumamos são as do barco, fica no corredor nos espiando de esgueira como que a dizer: “vou, não!” É fácil entender seus motivos: enxerga pouco, ouve quase nada, não consegue subir ou descer escadas sem dificuldade e o pior de tudo, tem incontinência urinária e não pode ficar mais do que duas horas sem fazer xixi – digo isso, porque nunca fez suas necessidades fisiológicas dentro de casa ou no barco, onde a levávamos em terra com nosso inflável quatro vezes por dia e estava resolvido. Na última vez que ela dormiu conosco a bordo, chovia torrencialmente durante a noite, tínhamos esquecido o inflável no clube e ela chorava a pedir para ir em terra fazer xixi. Por mais que insistíssemos que ela fizesse em qualquer parte do convés, ela se recusou. Emburrada, não quis entrar na cabine nem na hora de dormir, passando a noite sob o bimini e dog-house. Pela manhã estava encharcada e tremendo, não sei se de frio ou nervoso. Vasculhei todo o barco em busca de resíduos de xixi e nada. Resolvemos voltar para o clube para levá-la em terra e quando amarramos o barco na poita, ela passou a latir desenfreadamente para o Vai e Vem que passava a uma certa distância. Ele, que já a conhecia, viu e veio em nossa direção. Quando o bote chegou bem próximo ao veleiro, ela atirou-se sobre o inflável e só não caiu na água, porque o marinheiro a agarrou pela coleira e puxando-a para dentro, colocou-a no fundo da embarcação. Imediatamente, ela fez aquele xixizão.
Já a levamos para passear conosco no Bubi novo, mas dá pena. A pobrezinha está completamente insegura até para caminhar no convés com o barco parado. Não consegue entrar ou sair do cock-pit sem ajuda. Pareceu-nos que ela curtiu o passeio, mas no final do dia vomitou, quando ainda embarcada, e ficou indisposta. Então, desistimos.
Agora sempre a levamos para o hotel, onde, segundo os proprietários, ela interage bem com os outros cachorros (coisa que não era do seu feitio), se alimenta e dorme bem.

Tempo em que a familinha toda ia domir a bordo (Araqém e Alphy)

São dez horas da manhã quando embarcamos, largamos a poita e já desenrolamos a genoa. A Vivi foi para a cabine organizar as coisas e me deixou na roda de leme. Combinamos com o Marcello (Split) de nos encontrarmos no Tinguá, mas a velejada está maravilhosa e o Tinguá é muito perto, queremos curtir mais tempo. Então, rumamos para o lado oposto ao nosso destino e vamos velejando até a Cachoeira do Bom Jesus, onde cambamos e miramos a nossa proa rumo ao Tinguá. Ventinho nordeste com oito nós de velocidade, través folgado, aperitivando bons queijos e uma cervejinha, quem quer outra vida?
Chegamos e amadrinhamos no Split. O Marcello já estendeu uma taça de espumante e o Arthur, seu filhinho de cinco anos, de imediato passou para o Bubi, perguntando sobre as facas que temos a bordo e que outro dia ele havia visto decorando o salão central. Junto com Marcello estavam sua filha Sophia e seu irmão Marcos.
Depois do tim-tim com espumante, desço e vou preparar o bacalhau que estou dessalgando há dois dias. A turma do Split já almoçou, porque eles só vieram passar o dia e devem voltar para o centro daqui a pouco.
Estou na cozinha quando ouço o Marcello conversando com alguém de outro barco que passava ao nosso lado – o Marcello põe a cara na vigia da cozinha e me diz que o barco que passou está sem gás e que seu tripulante pediu para cozinhar camarão no Bubi. Respondo que não vai dar, porque estou com o bacalhau numa boca do fogão e arroz na outra. Digo-lhe que faça a gentileza em seu barco.
O veleiro era o Laura C, do Nuno. Aperitivamos camarão ao bafo no Split, enquanto a Vivi ficou no Bubi cuidando do bacalhau que insistia em derramar azeite por todo lado quando fervia, porque era muito bacalhau para pouca panela.
O Split tinha que partir. Nos soltamos dele, procuramos um bom lugar para jogar nossa âncora e convidamos o Nuno para jantar conosco. Foi um belo jantar, em boa companhia.

São vinte e duas horas, Vivi e eu estamos no cock-pit curtindo a lua e um violão, para não perder o costume. Mas o dia foi longo, estamos cansadas de tanto brincar, feito crianças, e resolvemos ir dormir.
Que noite esplêndida de bom sono e sonhos.
Amanheceu um dia intensamente nublado, com vento sul remexendo as águas daquela baía que não são abrigadas dele, quando resolvemos partir. A comandante Vivi falou: – vamos tomar café enquanto navegamos, ou ancoradas em um lugar abrigado, porque esse vento vai aumentar. Nos preparamos para recolher a âncora e o guincho elétrico resolveu patinar na catraca. Pega a manicaca, aperta, afrouxa, aperta outra vez e ele volta a funcionar bem. Não é a primeira vez que isso ocorre.
Pergunto para a comandante se vamos abrir a genoa e ela acha melhor não o fazermos – dia feio, vento esquisito, trajeto curto. Estou com o rumo por fora da Ilha do Francês, pois a intenção é passar o dia na Cachoeira do Bom Jesus. Quando estamos chegando ao canal, o vento começa a encrespar, mais e mais. Olho no instrumento e a velocidade do vento é 18 nós. Eu estou na roda de leme e a Vivi lá dentro preparando um café com leite. Vou acompanhando a leitura do vento e ele continua a aumentar, 20, 22, 23, 25, 28, 30, 32 nós. Mudo o rumo e agora quero ir direto para o iate clube. Já no meio do canal, mesmo sem as velas, o barco aderna ligeiramente, tamanha a intensidade do vento. Vez por outra a água explode na proa, depois no dog-house onde se esparrama, emitindo aquele som característico.
Chamo a comandante: – vem para cá, não estou gostando de ficar na roda! – ela ri, claro, e assume o comando.
Na chegada ao clube vimos o Cachoeira preso a uma poita – veleiro de um casal de franceses que está dando a volta ao mundo e que conhecemos no final de semana anterior. Nos abanaram e ela fez sinal com os braços, tipo: apressem, pois o vento está bombando!
Amarramos o barco na poita, ficamos a bordo só até organizarmos as coisas e desembarcamos.
Floripa está muito chata para quem curte navegar – ou chove muito, ou venta forte. Dias como o de ontem têm sido cada vez mais raros.

Sede Oceânica para o Tinguá

Florianópolis, 13 de agosto de 2011.

Está um dia lindo de sol, parecendo que o “veranico de maio” chegou agora em agosto. Vamos passar o fim de semana a bordo. O Marcello (veleiro Split) vai nos encontrar no Tinguá, depois de longas semanas que ele e a familinha não navegam. A familinha: Guta, Arthur e Marcello. Vai com eles a nossa querida amiga Ângela, também chamada de Gelike ou Galega.
Deixamos a poita em Jurerê cerca de onze horas e rumamos para o Tinguá, sem vento, no motor. O mar está dormindo, nem as vagas costumeiras na travessia do canal aparecem.
Baixamos a âncora, já no Tinguá, e ouvimos o Split nos chamar pelo rádio: “onde vocês estão”, pergunta o Marcello. “Estamos no Tinguá”, responde a Vivi. “OK, estamos passando pelo Ratones e chegaremos aí em alguns minutos”. O Split estava no Iate Clube do centro, cerca de duas horas de navegada até o Tinguá.
O Tinguá é poético. A gente que vem sempre aqui acaba por não perceber mais o encanto do lugar. Mas, quando nos damos conta, a beleza é igualável a tantos outros que, por vezes, valorizamos mais. E, como em todos os belos atracadouros, só vemos lanchas ancoradas, especialmente num dia como o de hoje, sem vento.
O Split vem chegando, agora seremos dois veleiros. Amadrinhamos os barcos e todos vêm para o Bubi. O Marcello já  chega com um espumante geladíssimo na mão e a Vivi corre a pegar as taças.
Vamos almoçar “muamba” – um frango cozido com berinjelas, abobrinhas, quiabo e azeite de dendê, feito pelo chefe Marcello. Vou para a cozinha preparar a polenta, que acompanha o prato. Mas, antes disso, sirvo uns aperitivos de entrada – pães, torradas, queijos, anchovas em azeite de oliva (enlatada), manteiga.
O vento entrou e está rodando para oeste, refrescado.
O Arthur, cinco anos de idade, quer que algum de nós vá para a água com ele. Ninguém se anima, porque a água está gelada. Ele chora e a Galega resolve aceitar seu convite, depois de vestir uma  roupa de neoprene espessa. Depois a Vivi resolve tomar um banho de mar também.
Almoçamos a muamba que estava maravilhosa e o Split tem que partir, porque a previsão é de que o vento vai rodar para sul e, como ensinam os pescadores da região – quando o vento roda do  norte para o sul, pelo oeste, é vento forte que vai chegar; se rodar pelo leste, pode ficar tranquilo. E o Split vai voltar para a sede central do clube, navegando em direção ao sul.
Eles partem e ficamos mais algum tempo curtindo o lugar. Mas o barco já está balançando, porque o vento sul já entrou. Sugiro que mudemos nossa ancoragem para o Magalhães de fora, que é  abrigado do vento sul, mas a Vivi julga ser melhor voltarmos para a sede oceânica do iate clube, em Jurerê, porque o vento vai estar muito intenso em poucas horas. E lá estaremos numa poita, não no ferro. Seguro morreu de velho!
Dormimos apoitados em Jurerê. Durante a noite o vento intenso fez muita festa. O mar não levanta, porque tem embate para o sul, mas o vento, quando muito intenso, sopra com muito barulho,  fazendo o barco dançar de um lado para o outro. De vez em quando durante a noite eu acordei e olhei pela vigia da cabeceira da cama – os pontos de referência, marcados antes de dormir, estavam OK.
A minha comandante é muito prudente e tem toda razão: para que dormir ancorados em condições de ventos intensos já previstos  se estamos a apenas quarenta minutos de uma poita?

Iate Clube Veleiros da Ilha para Sede Oceânica

Iate Clube Veleiros da Ilha - Sede de Jurerê (Sede Oceânica)

Florianópolis, 06 de agosto de 2011.

É sábado e tem sol depois de vários dias de tempo muito molhado, ciclone extratropical e tudo mais que não convém a uma navegada prazerosa. Hoje, finalmente, vamos levar o Bubi de volta para Jurerê.
Há três meses trouxemos o Bubi da Sede Oceânica, onde ele fica em uma poita, para a sede central do Iate Clube Veleiros da Ilha. A finalidade era instalar a vela mestra, encomendada desde dezembro passado, mas só entregue agora. Estivemos nesses meses, desde que o veleiro foi para a água pela primeira vez, usando apenas uma genoa usada e meio velhinha, que um amigo abandonou, porque ela não funcionava mais adequadamente – não captava o vento de forma eficaz, estava “barriguda” e esgaçada e, pior do que isso tudo, na hora de recolhê-la no enrolador na presença de um vento mais forte, eram verdadeiros minutos de pura academia de musculação e, apesar da força descomunal necessária para enrolá-la, na parte central do estai ela sobrava panejando e emitindo aquele som desagradável de vela batendo no vento. Percebeu? Bem, mas nos serviu para algumas velejadas maravilhosas.
Nessas semanas que o Bubi permaneceu na sede central, resolvemos encomendar uma vela genoa nova. Esta chegou rapidinho, duas semanas depois. Aproveitamos também para providenciar capas para as gaiutas – que são em número de sete – para minimizar os efeitos deletérios do sol. Também uma capa para a churrasqueira que fica permanentemente pendurada no púlpito da popa. Aproveitamos também para colocar o barco em terra para renovar a pintura envenenada do fundo e trocar o óleo da rabeta, porque daqui a apenas vinte horas teremos que fazer a revisão de 150 horas do motor e isto podemos fazer com o barco na água, em Jurerê.
Mas hoje vamos encarar novamente a neura de passar sob as pontes que ligam a Ilha de Santa Catarina ao continente. Neura? É pura neura, porque as duas novas pontes foram feitas numa altura insuficiente para certos mastros, como o nosso com dezoito metros.
O Bubi está ancorado numa vaga do trapiche do Iate Clube. Estamos esperando que a maré suba para tirar o barco que está com a quilha entalada no lodo. São cerca de meio dia quando ele começa a boiar. A Vivi vai coloca-lo lá fora, onde ele permanecerá até que a maré vaze novamente para podermos passar embaixo das pontes. A maré que necessitamos – 0,3 – está prevista para as 16h20min. Ficamos a bordo organizando algumas coisas, colocando água nos tanques e bebericando uma cervejinha gelada.
São 15h45min e estamos partindo, porque nos parece que a maré não vai mais baixar. São quinze minutos de onde estamos até as pontes. Já temos o macete visual nos pilares da segunda ponte – uma determinada “saia” desta deve estar cerca de dois palmos fora da água para que nosso mastro fique safo. Chegamos às proximidades das pontes e eu, na proa, observo que a distância entre a água e a saia do pilar não parece ser a necessária, concluindo que a maré não está baixa o suficiente. Vivi diminui a velocidade e circula um pouco, mas estamos convencidas que a maré está prestes a subir novamente.
Resolvemos passar, bem devagar, a Vivi com a mão o manche todo o tempo para, se necessário, acionar uma marcha à ré. Eu na proa, olhando para cima e orientando a Vivi, para achar o centro exato da ponte, pois a mesma tem uma forma levemente arqueada e vai ficando mais baixa à medida que se afasta do seu ponto central. Passamos bem a primeira ponte. Vamos, vamos e, sob a segunda ponte, a antena do rádio VHF encosta, arqueia e emite um som – tec, tec, tec, tec, tec… Eu cruzo os dedos e penso: não vai quebrar, não vai quebrar. Passamos e não quebrou, ufa! Aí, poucos metros depois, vem a terceira ponte, mas esta é a Hercílio Luz, construída há mais de um século antes das outras duas e com altura suficiente para qualquer mastro. Antes eles eram mais ladinos na construção de pontes.
Depois dessa neura, tudo de bom. Navegada maravilhosa, observando o entardecer, já que é inverno e ele se antecipa. Chegamos à sub-sede, ou sede Oceânica por volta das dezoito horas.
Esqueci-me de registrar que estávamos em três a bordo. A Alphy, nossa Cocker Spaniel Inglês de quinze anos de idade, estava conosco. Sempre foi uma grande marinheira, mas, nos últimos tempos, devido à fragilidade causada pela idade avançada para um cão, já não curte muito.
No dia seguinte, conversando com um amigo velejador, soubemos que a segunda ponte é cerca de quarenta a sessenta centímetros mais baixa do que a primeira. Olhando do mar e do barco, parece que as duas tem a mesma altura. E como disse este amigo: se a antena encostar na primeira ponte, fique atenta, pois provavelmente não passa na segunda. Ainda bem que a nossa passou bem na primeira e só arrastou na segunda.

Hoje, dia sete, um ventinho nordeste convidativo está no ar. Vamos testar a nova genoa. Velejamos com a escota por fora dos brandais, com o vento de través mais largo e entre estes, com uma orça mais apertada. Pareceu-nos ser a melhor regulagem, depois de testar de outras maneiras. Mas, faremos novos testes ainda.

Ilha de Paquetá ao Porto Bracuhy

Marina Porto Bracuhy (Angra dos Reis)

21/07/08 – Ilha de Paquetá ao Porto Bracuhy.

Acordamos às 06h00minh e levantamos às 07h00minh. Todos os dias saímos da cama ao mesmo tempo. Ouvimos o murmúrio, nós os deles e eles o nosso, falando baixinho enquanto na cama, para não atrapalhar o sono de ninguém. Até que, num determinado momento, levantamos nossas cabeças por cima da caixa da escada e nos dizemos: bom dia! E saímos da cama.
Depois do café da manhã levantamos a âncora. Bracuhy é logo ali, pertinho. Entrando no canal, um cardume de paratis e tainhotas acompanham o Bubi, como se fossem golfinhos. É lindo.
A marina de Bracuhy é enorme, vários trapiches, a maioria com flutuantes. Bem confortável.
A Ângela e o Dávila desembarcam hoje, para voltar a Floripa. Vivi e eu vamos ficar até o dia 31, quando também voltaremos. Mas o Bubi vai ficar aqui até outubro, quando pretendemos voltar para ficar sessenta dias nesse paraíso.
O convívio de nós quatro a bordo foi perfeito, bem como já imaginávamos. Queremos repetir.

Saco do Céu para a Ilha de Paquetá

20/07/2008 – Saco do Céu para a Ilha de Paquetá.

Já tomamos café e estamos retirando o ferro, são 09h00minh da manhã. O Dávila comprou camarões recém-pescados de um pescador local.
Passamos pela ilha dos Porcos às 10h30minh e às 11h00minh estamos chegando às ilhas Botinas, o cartão postal de Angra, como diz o Dávila, porque sempre que se mostra Angra em fotografias, elas aparecem. Novamente a transparência da água é inebriante, maravilhosa. Lançamos o ferro e tomamos banho de mar. Indescritível.
Recolhemos a âncora e voltamos a navegar, rumo à ilha de Paquetá.
Continuo traçando todos os rumos no GPS. Muito legal saber que agora já posso usar esse instrumento para nos localizar na navegação. É fácil.
O local é lindo e ancoramos próximos a um paredão de pedras.
A Vivi vai preparar a churrasqueira para assarmos as asinhas de frango que temperei ontem. Mas o carvão que temos a bordo é muito ruim e custa a virar brasa. Demora a assar e estamos com fome, especialmente depois de tantos banhos de mar. Enfim, comemos do jeito que deu, meio encalacrado, com pão.
Anoitece e preparo um caldo de camarão. Este sim, uma delícia. Tomamos um belo vinho, Santa Helena Premium Carmenere, que a Vivi acabou derrubando dentro da cabine, quando já estava quase no fim. Então abrimos outro, português, que não aprovou.
Parecemos crianças, anoitece e queremos ir dormir. Em alguns dias, esperar até cerca de 21 horas para ir para a cama é quase um sacrifício. Um ou outro dia eram apenas 18h50minh e já queríamos ir dormir. Mas dizíamos uns aos outros: calma, vamos esperar um pouco mais para não acordarmos no meio da madrugada sem sono.

Ilha da Gipóia para a Ilha Grande

Comprando mariscos na Ilha Grande

19/07/2008 – Ilha da Gipóia para a Ilha Grande

Acordamos cedo, tomamos nosso café e vamos rumar para a Ilha Grande. São 09h30minh quando recolhemos a âncora. A Vivi faz a leitura do barômetro 1017 e termômetro 24°C, porque o Jango disse que vai entrar uma frente fria poderosa e queremos estar atentos.
Novamente o dia está lindo, sol, céu azul, mar baixo e, de novo, sem vento. São 10h15min e já estamos costeando a ilha Grande, quando vemos um pequeno flutuante, bem próximo à costa, com dois pescadores limpando mariscos. Aproximamo-nos e perguntamos se tem calado para o nosso barco e a resposta é afirmativa. Perguntamos se vendem mariscos e eles dizem que não só mariscos, como camarão, vieiras e polvo. O pescador segura o Bubi pelo púlpito da proa enquanto compramos os mariscos e vamos embora. Ele nos diz que o nome do lugar é praia do Marinheiro. A transparência da água é indescritível.
Jogamos o ferro na Lagoa Azul, outro lugar de rara beleza. Tomamos banho de mar, cozinhamos os mariscos e nos deliciamos. A Gelique perdeu a minha máscara de mergulho. Foi Iemanjá, diz ela.
Recolhemos a âncora e rumamos para o Saco do Céu, outro lugar afamado por ser um excelente abrigo. Passamos pela enseada das Estrelas e desembarcamos no restaurante Coqueiro Verde (o bote do restaurante veio nos buscar). Eu e a Ângela tomamos um banho de água doce, fria, no chuveirão da rua, e colocamos uma roupa quentinha, porque ao anoitecer ficou bem frio. A Vivi e o Dávila tiveram que ir ao barco buscar roupas quentes. A comida neste restaurante foi um fracasso. Pedimos uma paella que estava horrorosa. A Vivi pediu um filé, que também não estava aquelas coisas.
Dormimos ancorados ali, mas no dia seguinte não deu para curtir um banho de mar, porque a água muito escura nos deu a impressão de poluída, embora todos do local nos garantissem que não. Existem muitas casas nessa região que, possivelmente, depositam seus dejetos na água.

Ilha da Gipóia

Uma ilha e um Violão

18/07/2008 – Ilha da Gipóia

Acordamos com o nascer do sol, como sempre, e enrolamos na cama até quase oito horas. O café da manhã, como sempre, cinco estrelas. Como diz a Gelique: “o cheirinho de café coado quando a gente acorda faz parte do amanhecer”. A mim lembra a minha infância, quando o dia amanhecia e a mãe vinha no quarto nos chamar, com aquele cheirinho gostoso de café recém-coado entrando pelo quarto adentro.
Todos para a água. Que banho de mar! A água é incrivelmente transparente. Vivi e eu pegamos o bote e vamos remar até a praia, caminhar um pouco. Passamos pelo Jango’s bar, que vimos ancorar cedinho, e paramos para conversar com o dono, o Jango. Pessoa simpática, que já foi pescador e navegou pelas nossas águas, em Floripa, em busca de tainhas e anchovas. Ele nos disse que o nome correto da ilha é Gibóia, em função da sua forma, que lembra a daquela cobra, mas que na carta náutica da marinha houve um erro ortográfico que acabou consagrando o nome errado. Na popa da sua traineira, que é lançada, dezenas de peixes nadam a espera de comida que ele costuma jogar na água. É uma fotografia muito linda, que ficará na nossa memória, já que a câmera ficou no Bubi.
Já de volta ao Bubi, o bote do Jango passa e deixa o cardápio. O Dávila faz contato pelo rádio, canal 10, e pede uns pastéis de carne e de queijo, para petisco, porque vamos almoçar o bacalhau de ontem. São 15h00minh. Claro que a Vivi não fica muito animada com o bacalhau, mas no Jango também não tem nada no cardápio que a agrade, porque é tudo do mar. Paciência e como diz a Ângela: “não sei como a Vivi consegue matéria prima para fazer cocô, ela não come nada”.
É noite e estamos no cock-pit conversando, cantando e tocando violão.

Parati para Ilha da Gipóia

Ilha da Gipóia

17/07/08 – Parati para a Ilha da Gipóia.

Temos que retornar ao centro de Parati para tentar encher o nosso bujão de gás. Estamos há dois dias com ele vazio, usando o fogão de camping para cozinhar. Aliás, quando fomos usar o fogão que era novo e nunca tinha sido usado, o tubo de gás não prendia, porque um dos componentes de sua fixação estava torto. Mas o Dávila conseguiu arrumá-lo.
Tivemos que esperar até o meio dia para que o bujão fosse cheio, mas aproveitamos para caminhar mais um pouco pela cidade. Fomos ao supermercado comprar umas coisas que faltavam e retornamos ao Bubi.
São 13h00minh quando zarpamos de Parati, num dia novamente lindo, com muito sol, céu azul e águas mansas, mas, sem vento.
Chegamos à Ilha da Gipóia, na praia do dentista, às 17h00minh e pudemos assistir a um por de sol maravilhoso. Observamos que tem um bar flutuante, fixo, e um bar flutuante numa traineira – o famoso Jango’s bar, que partiu assim que ancoramos.
Desço para a cozinha e vou preparar o bacalhau que a Galega está dessalgando há dois dias. É pouca panela para muito bacalhau, vou ter que economizar nas batatas. Ficou uma delícia, acompanhado de um vinho – Tarapacá, Gran Reserva. Os vinhos chilenos são maravilhosos.
Tocamos violão e cantamos antes de irmos dormir.

Ilha do Algodão – Parati

Navegando rumo à Parati

16/07/2008 – Ilha do Algodão para Parati

Acordamos com o raiar do sol, todos. Ângela e Dávila, como sempre, tomaram um banho de mar antes do café da manhã, que novamente estava farto e gostoso.
Estamos motorando, por falta de vento. Entramos em Parati Mirim e conhecemos a ilha da Cotia, afamada por tantos velejadores que ali pernoitam. Dentro dessa baía existem várias enseadas, abrigos e pequenas ilhas, lugar muito lindo. Na saída, parece que entrou um ventinho e resolvemos abrir a genoa. Estamos ansiosos para dar uma velejada, sem o barulho do motor. Mas, que nada, era só impressão. Enrola a genoa e voltamos ao motor.
Em Parati, ancoramos na marina Porto Imperial, alugamos um táxi para nos levar ao centro e fomos caminhar pela cidade histórica, dos tempos imperiais. Almoçamos num restaurante perto do cais onde ancoram os barcos de passeio, que são muitos por aqui. Mas, fora de temporada, estão todos parados por falta de turistas. A Gelique bebeu da cachaça local, oferecida pelo restaurante. Bebeu a dela e as nossas que não quisemos.
Já é final de tarde e ainda não voltamos para o Bubi. Resolvemos parar para tomar um chope e ouvir uma música ao vivo que rolava. Já é noite quando retornamos ao barco. Vamos dormir ancorados no trapiche da marina.