Quinta feira (passada) linda de sol, estamos pensando em ficar na Marina, porque sexta começa o MIMO – evento de música e cinema que acontece uma vez por ano nas cidades históricas – e queremos ver Herbie Hancock, que se apresentará na sexta à noite. E sábado tem o nosso João Bosco – eterno bolero, entre outros ritmos. Mas o dia está realmente belíssimo e convidativo para uma navegada. Resolvemos ir para a Ilha da Cotia, com a proposta de retornar amanhã no final da tarde.
Esperamos a maré encher, porque eles mexeram nas poitas, outra vez, e julgamos ser perigoso sair com a maré torrada como está com o risco de arrastar a quilha. São 14 horas quando a maré já está bem cheia e soltamos os cabos. Uma brisa de noroeste soprando no ar, o mar verde lambendo o casco do Bubi, o céu azul, e aquele contentamento que só quem navega conhece. São 15h e 20min quando lançamos a âncora naquela água transparente e silenciosa. Não há ninguém, só nós e os pássaros que ouvimos lá na mata, cantos diversos, timbres e dobrados variados. Identifico seis deles no momento em que o motor é desligado e o silêncio se aprofunda na beleza dos sons da natureza. O sol já ameaça se pôr, apressado por algumas nuvens que se postam no céu entre ele e nós. Fotografamos mais uma vez a paisagem, que é a mesma, mas nunca se repete, porque a natureza não se repete, mas sempre se renova a cada dia. Como devemos ser, porque a renovação é necessária à felicidade.
Sirvo o almoço – língua de vitela de leite que preparei ontem. Vivi se delicia, lambe os beiços, literalmente.
Depois um banho de mar ao anoitecer, porque estava irresistível. E o silêncio entremeado pelos vários sons e tons das várias espécies, agora acrescidos de uma cigarra que canta lá longe, antecipando o natal.
Vivi Marreca na água.

