Um barco se soltou da poita em Jurerê, durante a madrugada, e saiu navegando sozinho e a seu bel prazer, entre os veleiros ali apoitados. Rebelde, heim?! Um belo Beneteau de 46 pés. Colidiu com vários veleiros, causando pequenos e reparáveis danos, até encalhar na praia. O Bubi foi um dos que ele veio namorar na calada da noite, mais o Xeque Mate, o Bandoleiro e outro veleiro (que não recordo o nome, construído em aço) pertencente a um casal de franceses que rodeiam o mundo e que pernoitavam ali. Em função disso, estamos com o barco na sede do centro, para os reparos necessários: guarda-mancebo de bombordo arrebentado, suporte da âncora na proa quebrado e o costado riscado. Mas, já está tudo arrumadinho e o Bubi sedento para navegar. Nós também. Aproveitamos ainda para fazer revisão do motor, limpeza do tanque de diesel, etc.
Sexta feira próxima, vamos embarcar, porque sábado (às 06h30minh da manhã) tem maré para passar sob as pontes. Então já vamos dormir a bordo, para não correr o risco de perder a hora.
A programação é navegar até Ilha Bela, fazendo as paradas que forem necessárias, já que analisamos as condições de vento e vai ser nordeste, contrário aos nossos interesses que era de vento sul, para uma navegação favorável. Mas queremos estar em Ilha Bela até o dia sete, para usufruir do evento maravilhoso que lá acontece nessa época – a 39ª Rolex Ilha Bela Sailing Week. Bem, teremos uma semana inteira para negociar com o mar e os ventos antes que cheguemos a aquela ilha.
Vai ser gostoso, emocionante.
Nesses dias todos que antecedem a partida, estamos limpando o Bubi, procurando por perecíveis já vencidos (o que invariavelmente encontramos), analisando a caixa de ferramentas e vendo o que falta, fazendo listinhas das compras necessárias, e, acima de tudo, curtindo organizar a navegada – traçar o rumo, conferir as milhas náuticas que nos separam do nosso destino, calcular o tempo a ser gasto para percorrer cada trajeto e assim por diante. Dá uma ansiedade e uma vontade, quase necessidade, que chegue logo a hora de partir.
Navegar vicia, acreditem!
