Hoje é domingo, dia convidativo para uma boa velejada. Estamos em Jurerê, na Sede Oceânica, esperando pela Fê – Fernanda Steiner, nossa amada sobrinha que mora em Criciúma e que está louca para conhecer o nosso barco. Já mandou vários recados pelo Face Book manifestando sua vontade.
Hoje vai ter maré para passarmos sob as pontes, e temos que levar o barco para a sede do centro, porque temos que instalar o piloto automático que finalmente chegou. Vamos mandar instalar também o Chart Plotter da bitácula, AIS (Sistema Automático de Identificação), gerador e ar condicionado – a Vivi se rendeu e concordou que ar condicionado pode ser uma boa para quem pretende morar a bordo por uns tempos.
Enquanto aguardamos a Fê, o Maurão chega e senta-se conosco, para colocarmos as novidades em dia.
São mais de três horas da tarde quando Fernanda, Joana (sua filha) e o namorado chegam ao clube. Comemos alguma coisa e perto das dezessete horas embarcamos para uma velejada sem compromisso. Convidamos o Maurão para velejar conosco e ele adorou a ideia.
Velejamos só com a genoa, para lá e para cá, quando nos demos conta que já são quase dezoito horas e que, se quisermos levar o barco para o centro, temos que nos apressar, porque a maré vai estar propícia para passar sob as pontes às vinte horas, e duas horas são necessárias para chegarmos até elas.
A Joana e o namorado manifestam vontade de desembarcar, a Fernanda diz querer ir até o centro conosco e o Maurão, claro, também.
A Vivi chama o clube pelo VHF, pedindo que o Vai-e-Vem (bote inflável) venha pegar os dois a bordo, enquanto nos aproximamos do trapiche sem ancorar para ganhar o tempo que estava escasso para chegarmos ao centro.
O ventinho nordeste a favor está lerdo e sugiro ligarmos o motor para ajudar, caso contrário não chegaremos às pontes em duas horas.
Anoitece, uma lua linda nos mirando, música a mil rolando (a pedido da Fê), o mar deitado e o Bubi deslizando como um pranchão. Por mais simples e curta que seja a navegada, sempre é mágica e emociona. Não tem nada melhor do que isso, que me perdoem os que não conhecem esse prazer.
Nem lembramos que ainda teremos o stress de passar sob as pontes, ainda mais que nunca o fizemos de noite. Imaginamos que poderemos perder a referência com a escuridão – a saia do pilar da ponte fora da água cerca de dois palmos – o que nos garante que a maré está baixa o suficiente para não batermos o mastro ou os eletrônicos do seu tope.
Só pensamos no assunto quando estamos nos aproximando. Seguimos a mesma rotina: a Vivi na roda de leme diminui a velocidade ao máximo e eu na proa observo o centro da ponte e a saia do pilar. Para a nossa grata surpresa, existe iluminação mais do que suficiente para enxergar bem, porque os pilares são iluminados de baixo para cima, com luzes azuis. A saia do pilar da ponte está mais do que dois palmos fora da água e grito para a Vivi: “manda bala, acelera, dá e sobra…”.
Quando com o mastro já fora da linha da ponte, gritamos juntas: “Uhuhuhuhuhuhu!!!!!!! Passamos!!!!!!!!!”
A sensação de alívio, é indescritível.
Na semana anterior, soubemos que um barco semelhante ao nosso arrancou todos os eletrônicos do tope quando passou sob as pontes, porque a maré não estava baixa o suficiente – coisa do marinheiro que foi encarregado de levar o barco para a sede do centro. Nós estávamos em Jurerê no dia que este marinheiro programava levar o veleiro para o centro e eu o avisei: “hoje não tem maré…”, mas ele parecia saber mais do que eu e não me deu ouvidos. Quem avisa amigo é!



Meninas
Quanto mais leio sobre o que a Rubia escreve, mais tenho vontade de dar uma volta…vou esperar a coragem chegar… talvez com apróxima lua cheia.
Bjs
Rubia!!!
Acabei de ler sua linhas e me senti velejando junto, essa sensação eu conheço bem e é maravilhosa, espero que logo estejamos por ai…Bjos à vcs e até breve!!!