O Bubi finalmente em Jurerê

Florianópolis, 04/05/06 de novembro de 2011.
Sexta feira, 14 horas, acabamos de almoçar no Iate Clube e estamos à espera que a maré suba um pouco para podermos tirar o Bubi da vaga no trapiche, já que ele está literalmente encalhado. Temos que ancorá-lo lá fora, quando a maré estiver alta, depois temos que esperar a maré baixar novamente para passar sob as pontes. É uma novela e tanto!
Mas, estamos aqui com a turminha de sempre, curtindo uma conversa, enquanto a Vivi circula para lá e para cá, vai ao trapiche e retorna, ansiosa em não perder o momento certo para tirar o barco. Está uma movimentação enorme hoje no clube, o pau de carga não para de colocar veleiros na água, porque amanhã tem a Regata Mormai. O Bubi foi inscrito, mas vamos só passear, porque regata está fora dos nossos planos.
Por falar em regatas, a Vivi adora, eu não. Fiz ela me prometer que não participaríamos mais de regatas. O barco é muito maltratado, colocado no limite em muitas ocasiões, com risco de quebrar equipamentos, sem falar na sujeira que fica a bordo. Além disso, as medições feitas dos barcos são duvidosas, criando ratings discutíveis em minha opinião. Com o nosso primeiro veleiro participamos de várias regatas, com uma tripulação feminina que montamos, mas nunca tiramos mais do que um segundo lugar na categoria, porque, mesmo quando chegávamos na frente, no tempo corrigido nos colocavam em segundo. A ciumeira de perder para mulheres inexperientes (à época) era grande. Mas o que valeu disso tudo foi a experiência que obtivemos participando desses eventos. Regata é a melhor oportunidade para se aprender a velejar bem, porque somos obrigados a aproveitar o vento e as correntes marítimas da melhor forma possível, já que os segundos são valiosos na contagem final do tempo gasto para percorrer o trajeto.
Mas, voltando a este momento, já são 16 horas e a maré pouco oscilou. Já estamos aflitas, porque o Bubi tem que sair do trapiche, porque amanhã às 6 horas da manhã vai ter maré baixa o suficiente para passarmos sob as pontes.
Perto das 17 horas, a maré estaciona e não vai mais subir. É agora ou nunca. A Vivi vai com o Marcello e o John tirar o barco e ele sai, arrastando um pouco a quilha no lodo, mas conseguem coloca-lo no T (trapiche de entrada na marina do clube), amadrinhado com o Absoluto – veleiro de 40 pés que tem as mesmas dificuldades com as pontes e as marés – que já estava ocupando aquele espaço.
Vamos ao supermercado comprar uns mantimentos que faltavam e retornamos para dormir a bordo, já que muito cedo teremos que acordar para passar sob as pontes.
Convidamos o John para passear conosco amanhã. Ele está indo buscar a Sandra, sua namorada, no aeroporto e amanhã às seis horas eles estarão embarcando conosco.

John - Vivi - Sandra

O John é um grande amigo, velejador, nascido em Cabo Verde e criado nos Estados Unidos. Seu barco, um Jeneau de 40 pés (de nome Bulimundu) esteve em nosso clube durante algum tempo, até que, no ano passado, ele navegou por toda a costa brasileira e depois para o Caribe, onde o veleiro está no momento. Assim, nada melhor do que a oportunidade de convidar um amigo “desembarcado” para velejar.
Amanheceu ventando forte já às seis horas da manhã. Vento do norte. E o Bubi, ah, encalhadaço, mesmo no T. Ligamos os instrumentos, profundidade um metro e vinte centímetros, para um calado de dois metros e dez. O que fazer? Vamos tomar um belo café da manhã, que programáramos de tomar já na baía norte, depois das pontes, enquanto aguardaríamos a largada da regata, que vai ser naquela região.
O John e a Sandra já chegaram e tomam café conosco.
As horas passam depressa e já são mais de nove horas quando o Bubi começa a balançar, dando sinais que está desencalhando. A Vivi liga o motor e partimos, arrastando ainda um pouco a quilha, mas é assim que tem que ser, senão perdemos o tempo certo de passar sob as pontes.
Com a maré tão torrada, já nem me estresso mais com as famigeradas pontes, vou na proa orientando a Vivi para o vão bem central e já estamos na baía norte. O mar está muito mexido, em função do vento e desistimos de ficar aguardando a largada para a regata, que deve acontecer só às 11 horas.
Rumamos direto para o Tinguá, onde sabemos as águas estão abrigadas desse vento. Fazemos uma navegada gostosa, com o vento na cara.


Nosso piloto automático já instalado ainda não foi calibrado, então não o usamos ainda. Mas o GPS da bitácula, recém-instalado também, é maravilhoso em três dimensões. Contrariamos todos os conselhos e colocamos um Garmin, meu favorito, apesar dos demais instrumentos serem Raymarine. Mas, com o NMEIA 2000, todos os instrumentos podem conversar entre si, então por que não? Em minha opinião, o Chart Plotter da Garmin dá um banho no Raymarine (o nosso de 12 polegadas da mesa de navegação é um Raymarine).
Chegamos ao Tinguá e vou preparar o nosso almoço – frango ensopado com polenta, inspirada na Sandra que, apesar de morar atualmente em São Paulo, é de Nova Trento, terra de italianos e onde minha querida Mãe Maria (que me ensinou a fazer polenta) foi criada.
À tarde todos vão curtir uma soneca e à noite um bom papo e um violão.
A Vivi descongela e assa uma lasanha para o jantar e Sandra comenta, enquanto janta: essa lasanha está gostosa, mas aquela polenta do almoço…huuuuuummmmmm!!!!!!
Amanhecemos depois de uma noite extremamente tranquila e bem dormida. Tomamos café da manhã e fomos levar o John e Sandra até Jurerê, onde eles tinham compromisso. Fizemos uma velejada muito repousante.

Sandra e John

 

Que velejada! O Bubi é um Galaxi (lembra aquele carrão de antigamente).

Vamos desembarcar hoje, porque a Vivi amanhã trabalha cedinho.

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