ALPHY

Floripa, 18 de novembro de 2011.
Data a ser registrada, triste, enfim, inevitável.
A nossa cachorra marinheira fez um AVC (acidente vascular cerebral), também conhecido como derrame cerebral.
Estávamos programadas para embarcar hoje (sexta-feira) e só retornar no final do domingo. Cancelamos, claro, porque teríamos que deixa-la na clínica veterinária, internada.
Somos partidárias, Vivi e eu, que devemos morrer em nossa casa, no nosso espaço, na nossa caminha, ao lado daqueles que amamos e que nos amam, não num ambiente estranho e ao meio de desconhecidos.
Esse sempre foi um dos pontos, em determinados momentos, que nos causaram angústias na nossa vida como médicas. Quando tínhamos sob nossos cuidados algum paciente terminal, isto é, sem expectativa de qualquer benefício com ou sem a internação hospitalar, sugeríamos alta, para que o mesmo pudesse usufruir da companhia de seus familiares em seus momentos finais e para que, especialmente, sentisse o conforto que só o “nosso cantinho” pode proporcionar.
Quase que como uma regra geral – os familiares se recusavam a levar o paciente para sua casa e, a grande maioria, sentia-se ofendida com a sugestão de alta.
Sempre nos perguntamos: se recusavam a levar o doente para casa imaginando seu melhor conforto enquanto internado ou para a própria conveniência?
Alphy está ali, deitada em sua caminha com a sua mantinha azul neném sobre ela.
Nós aqui, olhando para ela e esperando o desfecho final.
O veterinário sugeriu eutanásia, porque não há volta. Pedimos a ele um tempo para nos acostumarmos com a ideia de perdê-la.
É triste, mas é a realidade inevitável para tudo o que um dia tem vida – no outro tem a morte.

Alphy - exatos oito dias antes de sua partida.

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