Marinheiros de Primeira Viagem

Se você nunca velejou ou entrou num barco a vela e não conhece certos detalhes necessários para não passar por constrangimentos, vai aqui algumas dicas importantes.

1. O calçado apropriado para velejar é o dock-side, mas se você não tiver um, use um tênis de sola clara, de preferência (os de sola escura, as vezes, mancham todo o convés), e que não escorregue. Jamais entre em um veleiro com calçado de sola de couro, porque risca a fibra, além de ser escorregadio.

2. Antes de entrar na cabine do barco, observe se o dono tira o seu calçado e, se este o fizer, tire o seu também. Vivi e eu nunca entramos na cabine com os calçados que usamos na rua, porque pequenos grãos de areia podem estar incrustados no solado, o que provocaria riscos no assoalho que é envernizado. Além disso, julgamos ser mais higiênico assim proceder.

3. Antes de usar o banheiro ou acionar o sistema de descarga do vaso, pergunte ao dono do barco como é o funcionamento do mesmo. Não jogue papel higiênico dentro do bacio, nunca, ou qualquer outra coisa que não seja suas necessidades fisiológicas.

4. Coisas que você deve levar para bordo:
– boné – o sol, mesmo quando parece inofensivo e pouco intenso, pode provocar queimaduras quando você fica exposto a ele por muito tempo;
– protetor solar;
– roupa de tempo (para abrigar contra chuva ou vento intenso);
– roupa de cama e cobertor se você for dormir a bordo;
– remédios que você usa regularmente.

5. Nunca mexa em nada que você não conheça, especialmente nos disjuntores do painel elétrico do barco, sob risco de provocar panes graves.

6. Nunca entre num veleiro de mau humor, deixe os problemas em terra e volte a pensar neles quando desembarcar. O espaço em uma embarcação é sempre restrito, por maior que ela seja, de forma que pequenos desentendimentos podem gerar grandes conflitos e você vai ter que continuar convivendo com o seu desafeto até chegar em terra.

7. Observe com atenção as ordens do comandante do barco e não as discuta. O comandante é o senhor absoluto na tomada de decisões, da mesma forma que também é o responsável (por lei) pela vida de todos os que estão a bordo.

8. Todas as cordas que você vê a bordo são chamadas de CABOS.

9. Se você marear e necessitar vomitar, faça-o sempre a sotavento (abaixo explicado), para não sobrar para os demais a bordo. Se mareado, evite olhar para o interior do barco ou para as pessoas a bordo; olhe para o horizonte e fique na área externa.

10. Nunca jogue na água o que os peixes não podem comer. Chepa de cigarro, nem pensar! Guarde-as no bolso (envoltas no celofane do cigarro) e dispense quando chegar em terra.

11. Água a bordo deve ser tratada como ouro líquido bebível – nada de desperdícios. Aliás, nem em terra deveríamos desperdiçar esta preciosidade.

12. Evite que farelos de alimentos que você come caíam dentro do veleiro, porque entre uma fresta ou outra eles vão se esconder e as baratas vão ser atraídas para dentro do barco.

Se você já parou para pensar como é que funciona um veleiro – como é que o barco navega mesmo quando na direção do vento – e não conseguiu entender, aí vai uma explicação rápida.

A idéia de que o vento empurra o veleiro só é verdadeira quando veleja a favor do vento (popa rasa). Em todas as outras situações as velas são reguladas (trimadas) de forma que o vento flua suavemente pelos dois lados da sua curvatura. O fluxo de ar em volta da vela gera uma zona de baixa pressão no lado externo da vela, fazendo o veleiro ser sugado naquela direção.
O lado de onde sopra o vento é chamado barlavento e o lado por onde sai o vento sotavento. Diz-se que o barco orça (do verbo orçar) quando sua proa aproxima-se da direção de onde sopra o vento e o barco arriba (do verbo arribar) quando sua proa se afasta da direção de onde vem o vento.
Se a vela paneja (fica batendo) ela não está bem regulada em relação ao vento, fazendo com que o fluxo de ar, especialmente no lado externo da vela, se interrompa (quebre). Isto acontece quando a vela está muito folgada, isto é, quando ela está muito distante da linha central proa-popa da embarcação. Para corrigir, deve-se caçar a vela (recolher um pouco, enrolando o cabo que a segura aberta, na catraca, no caso da vela de proa, ou aproximando a retranca do centro do barco, no caso da vela grande). A vela também bate se a proa do veleiro está muito próxima da linha do vento, sendo, então, necessário arribar (afastar a proa de onde sopra o vento).
Diz-se que a vela está muito caçada quando mais próxima da linha central do veleiro do que deveria, o que resulta em pouca força avante e excesso de força adernante, fazendo o barco tremer e provocando desgastes desnecessários para a embarcação. Se houver dúvidas quanto a regulagem adequada, folga-se as velas até elas começarem a panejar (bater) e depois caça-se até o ponto ideal.
Diz-se que a vela está bem trimada (regulada), quando não bate nem está muito caçada.

13 respostas em “Marinheiros de Primeira Viagem

  1. Descobri seu blog a pouco tempo e fiquei completamente identificado com esta vida. Sou um pequeno empresário com o sonho de me tornar um velejador dono do meu próprio veleiro, o qual venho pesquisando a algum tempo, porém ainda não encontrei o barco ideal (=tamanho/custo) mas espero atingir meu objetivo até o ano que vem. A forma como relata seus passeios, me faz viajar junto, quase que participar do seus finais de semana, chego a sentir o cheiro e o sabor do café da manhã, dos almoços, do banho de mar, enfim….uma delicia.
    Hoje velejo em um O’Day 23 de um amigo (Kurt), porem estamos dando uma geral na pintura, devemos voltar ao mar em breve e quem sabe possamos nos encontrar…..bons ventos.

  2. Olá veleirobubi
    Sou marinheiro de primeira viagem em lancha, recentemente comprei uma para navegar em mar abrigado e lagos. Se você tiver alguma dica para este tipo de navegação agradeço.
    abs
    Francisco

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